Cultura

Obras de Antonello da Messina desaparecem em roubo durante festa na sua cidade natal na Sicília

Quatro obras do mestre renascentista Antonello da Messina foram alvo de um assalto ao museu regional na noite da festa da Assunção, numa ação que as autoridades italianas classificam como ataque ao património cultural. Investigações prosseguem após recuperação parcial de peças.

Obras de Antonello da Messina desaparecem em roubo durante festa na sua cidade natal na Sicília
©Ilustração Beatriz Carvalhal / we-news.com

Quatro obras atribuídas a Antonello da Messina, avaliada como uma das figuras centrais da pintura renascentista siciliana do século XV, foram alvo de um roubo durante a noite de sábado na sua cidade natal, anunciou a polícia italiana. O assalto ocorreu enquanto decorriam as celebrações religiosas da Festa da Assunção na Piazza Duomo, em Messina, e levantou de imediato preocupações sobre a segurança do património cultural na ilha.

O que se sabe do assalto

Segundo as autoridades locais, o roubo foi perpetrado pouco antes das 22:00 (21:00 em Lisboa) por um grupo de três a quatro indivíduos com os rostos tapados por balaclavas, que conseguiram entrar no museu regional situado a cerca de quatro quilómetros do local da procissão. Pouco tempo depois da descoberta, a polícia comunicou que algumas das obras tinham sido recuperadas nas imediações do museu — informação que sugere uma fuga precipitada dos assaltantes.

«Um ato criminoso excecional» e «uma afronta intolerável ao património cultural universal», descreveu o presidente da Região da Sicília, Renato Schifani.

O Ministério Público de Messina abriu um inquérito por roubo agravado de obras de arte, no momento dirigido contra desconhecidos. A investigação conta com o apoio da Unidade de Proteção do Património dos carabinieri, e as autoridades também montaram postos de controlo nos terminais de ferry com destino à Calábria, na noite de domingo, para tentar impedir a saída da ilha com as peças subtraídas.

Discrepância no número de obras e consequências imediatas

As informações divulgadas às agências apresentam uma discrepância: em manchetes iniciais fala‑se de quatro obras roubadas, mas comunicações policiais posteriores mencionam que seis obras do mestre terão sido levadas, das quais duas foram recuperadas fora do edifício. As autoridades ainda não esclareceram definitivamente o número total de telas desaparecidas nem o seu estado de conservação.

O ministro da Cultura italiano, Alessandro Giuli, manifestou «consternação e pesar» pelo sucedido e garantiu a «total disponibilidade» do Governo para cooperar com as autoridades regionais que gerem os museus da Sicília, que beneficiam de uma autonomia especial. A reação oficial sublinha a sensibilidade política e cultural do caso, que envolve obras de elevado valor histórico e monetário.

  • Local do roubo: museu regional em Messina, cerca de 4 km da Piazza Duomo.
  • Ocasião: Festa da Assunção, com procissão da Vara a decorrer na cidade.
  • Situação da investigação: inquérito por roubo agravado; envolvimento dos carabinieri e controlos em terminais de ferry.
Elemento Informação conhecida
Data Sábado à noite (Festa da Assunção)
Artista Antonello da Messina (século XV)
Número de obras Comunicações referem quatro obras; relatório policial posterior menciona seis, com duas recuperadas

Contexto e ramificações

O episódio recorda assaltos célebres a instituições culturais europeias, nomeadamente o golpe ao património de que foi alvo o museu do Louvre há cerca de um ano, onde joias foram furtadas em poucos minutos. Situações desta natureza voltam a colocar em debate a eficácia dos dispositivos de segurança em museus e centros de exposição — sobretudo quando eventos públicos nas proximidades atraem grandes multidões e concentram as atenções das forças de segurança.

Além do impacto imediato sobre a colecção e as investigações policiais, o roubo levanta questões sobre transporte ilícito de bens culturais e sobre o mercado negro de arte, onde peças de grande visibilidade se tornam difíceis de negociar sem despertar suspeitas. A localização parcial de obras junto ao exterior do museu sugere que os assaltantes podem ter desistido de parte do carregamento face à afluência de transeuntes no local, porém não dispensa a hipótese de que outras obras tenham sido ocultadas ou removidas da ilha.

Enquanto as autoridades prosseguem as diligências, a comunidade cultural e os responsáveis regionais apelam à cooperação e à rapidez na recuperação das peças. O episódio deixa uma marca dolorosa na cidade que reivindica Antonello da Messina como figura tutelar da sua herança artística e sublinha a fragilidade de bens que pertencem ao património comum.

Beatriz Carvalhal
Beatriz IA Editora de Cultura online

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