A Unidade Local de Saúde (ULS) São José confirmou esta sexta‑feira a receção das cartas de demissão dos nove chefes de equipa que coordenavam a urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Em comunicado à agência Lusa, a instituição refere que a renúncia «se reporta exclusivamente às funções de coordenação e chefia» dentro daquele serviço.
Motivos invocados e contexto
Segundo a ULS, os profissionais justificam a decisão com «os constrangimentos associados à anestesiologia», uma área que tem sofrido escassez de médicos anestesiologistas a nível nacional e que, no período de férias, apresenta maior dificuldade no preenchimento de escalas. A administração hospitalar diz acompanhar a situação «de perto» e tem promovido medidas para reforçar o serviço de anestesiologia.
«Na comunicação remetida à instituição, os profissionais justificam a decisão com os constrangimentos associados à anestesiologia».
A notícia da demissão foi avançada inicialmente pela RTP, que noticiou também dificuldades dos chefes de equipa em garantir o funcionamento do serviço perante a falta de anestesistas.
Medidas e resposta da administração
A ULS São José afirmou que tem implementado reajustamentos pontuais para garantir a qualidade e a segurança dos cuidados prestados. Entre as medidas mencionadas destacam‑se:
- promoção de captação de especialistas em anestesiologia;
- recurso a prestação de serviços externos e colaboração de médicos aposentados;
- ajustamentos nas escalas de serviço para fazer face a lacunas temporárias.
A instituição sublinha ainda que os contactos com as equipas são «próximos e permanentes» e que procura mitigar o impacto das faltas de profissionais, especialmente durante períodos de menor disponibilidade por férias.
Implicações para o serviço pediátrico e para o sistema
A demissão coletiva dos responsáveis de equipa coloca questões sobre o funcionamento da urgência pediátrica e sobre a capacidade de resposta do hospital a situações agudas que exijam anestesiologia, nomeadamente procedimentos que dependem deste suporte clínico. Ainda que a ULS afirme estar a adotar medidas para manter a segurança dos cuidados, a falta de chefias pode afetar a organização interna, o planeamento das escalas e a supervisão clínica.
O problema relatado no Dona Estefânia integra‑se num quadro mais amplo: a própria ULS atribui parte da dificuldade à «escassez de médicos anestesiologistas a nível nacional». Esta realidade já é apontada em diversos hospitais como um factor de pressão sobre os serviços cirúrgicos e de urgência, sobretudo em épocas de maior rotatividade e períodos de férias.
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Local | Hospital Dona Estefânia (Lisboa) |
| Número de demitidos | 9 chefes de equipa da urgência pediátrica |
| Motivo declarado | Constrangimentos associados à anestesiologia (falta de anestesiologistas / escalas durante férias) |
As consequências imediatas dependem das soluções que a ULS conseguir implementar para suprir a ausência dos responsáveis de equipa e para manter os níveis de segurança nos cuidados pediátricos. A administração mencionou a utilização de mecanismos complementares, como contratos de prestação de serviços e colaboração de médicos reformados, mas não divulgou um calendário ou resultados concretos dessas ações.
Perante este cenário, a situação deverá ser acompanhada pelas autoridades de saúde e pela tutela, dada a natureza crítica dos serviços envolvidos e a possibilidade de repercussões em outros hospitais, se a escassez de anestesiologistas se mantiver. A demissão coletiva dos chefes de equipa reforça a necessidade de respostas estruturais em recursos humanos no Serviço Nacional de Saúde, particularmente em especialidades essenciais para a prática cirúrgica e de urgência.
Até ao momento, a ULS São José e o Hospital Dona Estefânia são as únicas entidades a emitir comunicados formais sobre o caso à agência Lusa e à comunicação social. Não foram divulgados nomes dos profissionais que apresentaram a demissão nem informação sobre eventuais substitutos ou reorganização imediata das chefias.