A Universidade NOVA de Lisboa inaugura, no dia 10 de setembro, o Polo NOVA Mafra – Música, Arte e Tecnologia, instalado no Torreão Sul do Palácio Nacional de Mafra. O novo espaço congrega atividades de investigação, formação, inovação tecnológica e criação artística, numa intervenção que articula saberes musicais com tecnologias digitais voltadas para o património.
Objetivos e estrutura
O polo nasce da convergência de centros de investigação da NOVA FCSH — em particular o INET‑md (Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos em Música e Dança) e o CESEM (Centro de Estudos em Música) — e do Instituto de Arte e Tecnologia (IAT). Destina‑se a desenvolver valências científicas e laboratoriais que ligam investigação académica, experimentação técnica e práticas artísticas, com oferta de formação especializada e programação cultural dirigida à sociedade.
Laboratórios e áreas de atuação
Entre as instalações previstas estão o Laboratório de Acústica Musical e o Laboratório de Informática Musical, que deverão servir como plataformas para experiências sonoras, análise e desenvolvimento de ferramentas digitais aplicadas à música. Paralelamente, o HEDGE Lab — programa do IAT em colaboração entre a NOVA FCSH e a NOVA FCT — instala no local um Laboratório de Património Digital, dedicado à documentação, preservação e valorização do património cultural através de tecnologias digitais.
- Laboratório de Acústica Musical — investigação e experimentação em acústica e som.
- Laboratório de Informática Musical — desenvolvimento de software e ferramentas interativas para criação e análise musical.
- Laboratório de Património Digital (HEDGE Lab) — documentação e preservação digital do património cultural.
Integração com ensino e comunidade
A presença conjunta de competências em música, som e património digital pretende permitir uma articulação fluida entre laboratórios científicos e atividades pedagógicas — aulas abertas, cursos, workshops, masterclasses — bem como com programação cultural que envolva a comunidade local e visitantes. A NOVA FCSH anunciou já um ciclo de aulas abertas intitulado «Música na Infância: Movimento, Voz e Comunicação», agendado para 17 de outubro e 21 de novembro de 2026, desenvolvido em parceria com o Município de Mafra.
Contexto patrimonial
O Polo instala‑se no Torreão Sul do Palácio Nacional de Mafra, parte do Real Edifício de Mafra, inscrito como Património Mundial da UNESCO desde 2019. A escolha do local sublinha a intenção de trabalhar a música não só como objeto de investigação e criação, mas também como património — material e imaterial — presente em monumentos, arquivos, repertórios, práticas e memória sonora.
| Entidade | Contributo |
|---|---|
| NOVA FCSH (INET‑md, CESEM) | Investigação em música e dança; atividades académicas |
| IAT (Instituto de Arte e Tecnologia) | Convergência entre artes, humanidades, ciência e tecnologia |
| HEDGE Lab (IAT/NOVA FCT) | Laboratório de Património Digital; tecnologias para documentação e preservação |
Impacto e desafios
Ao instalar laboratórios técnicos e programas de formação num sítio de elevado valor patrimonial, a NOVA pretende criar sinergias entre investigação académica e prática cultural. O modelo aposta na interdisciplinaridade: investigadores em música trabalham lado a lado com especialistas em informática e conservação digital, e com artistas que usarão o espaço para criação. Esta abordagem pode potenciar novos formatos de ensino e ferramentas para a gestão do património sonoro.
No entanto, a efetiva transição de um edifício histórico para um palco ativo de investigação e tecnologia traz desafios concretos — desde a adequação de infraestruturas técnicas em espaços protegidos até à articulação com políticas de conservação do monumento e com a programação cultural local. A parceria com o Município de Mafra e a integração em programas mais vastos da NOVA FCSH e da NOVA FCT deverão ser determinantes para gerir essas tensões.
O Polo NOVA Mafra coloca-se, assim, como um projeto que quer desmistificar a tecnologia aplicada à música e ao património: não se trata apenas de produzir inovações técnicas, mas de fomentar métodos e práticas que liguem investigação, ensino e fruição pública num contexto patrimonial único.