O navio de investigação Mário Ruivo, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), realizou uma escala no porto de Ponta Delgada no quadro da campanha oceanográfica dedicada às Áreas Marinhas Protegidas Oceânicas — Região Açores, uma operação financiada pelo Fundo Azul que se prolongará até 2027.
Objetivos científicos e gestão marinha
A missão integra o esforço nacional para aprofundar o conhecimento das zonas oceânicas do Atlântico Norte e apoiar a implementação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), assim como o desenvolvimento da rede nacional para áreas marinhas protegidas em ambientes oceânicos com elevada relevância ecológica, segundo uma nota do Governo Regional dos Açores.
«no esforço nacional de aprofundar o conhecimento científico do Atlântico Norte e de apoiar a implementação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), tal como o desenvolvimento da Rede Nacional de Áreas Marinhas Protegidas em zonas oceânicas com elevada relevância ecológica»
A campanha contempla, entre outras vertentes, a cartografia de habitats bentónicos em águas profundas, a identificação de ecossistemas marinhos vulneráveis e a caracterização das comunidades biológicas associadas a montes submarinos e outros sistemas de profundidade. Serão igualmente recolhidos dados oceanográficos físicos e biogeoquímicos considerados essenciais para a gestão sustentável destes espaços.
Parcerias e contributos locais
A ação científica conta com a colaboração da Universidade dos Açores, através do Instituto de Investigação em Ciências do Mar Okeanos, reforçando a ligação entre as equipas regionais e institutos nacionais. A escala do Mário Ruivo em Ponta Delgada permite a troca de meios, a integração de equipas e o apoio logístico necessário para operações em alto mar.
- Cartografia de habitats bentónicos profundos;
- Identificação de ecossistemas marinhos vulneráveis (VMEs);
- Caracterização de comunidades em montes submarinos e outros sistemas de profundidade;
- Recolha de dados oceanográficos físicos e biogeoquímicos.
A presença do navio no porto local é também um momento estratégico para as equipas insulares, que beneficiam do acesso a plataformas de investigação oceânica difíceis de mobilizar fora dos centros continentais. Para Ponta Delgada, cidade portuária ligada à tradição marítima, estas iniciativas representam uma oportunidade para afirmar a importância da ciência do mar na definição de políticas públicas e na proteção dos espaços marinhos que rodeiam o arquipélago.
| Entidade | Papel |
|---|---|
| IPMA | Opera o navio de investigação Mário Ruivo e coordena as campanhas |
| Governo Regional dos Açores | Divulgou a missão e apoia a implementação da RAMPA (nota institucional) |
| Universidade dos Açores — Okeanos | Colabora cientificamente na campanha |
| Fundo Azul | Fonte de financiamento da campanha |
O conhecimento gerado durante a campanha visa não só enriquecer o inventário científico do Atlântico Norte, como fornecer suporte técnico-científico para a gestão e conservação dos recursos marinhos dos Açores. Essa informação será crucial na delimitação, monitorização e gestão das áreas protegidas, sobretudo em sectores oceânicos de difícil acesso, onde a biodiversidade pode ser particularmente sensível.
Para as comunidades insulares, cuja economia e identidade histórica estão entrelaçadas com o mar, as campanhas representadas pelo Mário Ruivo trazem também benefícios práticos: melhor informação para gerir pescas, orientar políticas de conservação e planear uso sustentável do mar em redor do arquipélago.
Ao permanecer em operação até 2027, a campanha promete fornecer um conjunto consistente de dados que apoiará decisões futuras sobre proteção marinha e gestão de ecossistemas profundos — um esforço que liga a capacidade logística de Ponta Delgada à pesquisa de fronteira sobre o oceano que envolve os Açores.