O Ministro da Economia de Portugal, Manuel Castro Almeida, deverá visitar a Venezuela no final de outubro, numa deslocação em curso de programação, que incluirá uma delegação empresarial e possivelmente o secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, anunciou o embaixador de Portugal em Caracas, Manuel Frederico Pinheiro da Silva.
Objectivos da visita e interlocutores
Segundo o diplomata, a intenção é que a comitiva mantenha contactos com o tecido empresarial venezuelano, com as autoridades locais e com o empresariado português e luso‑venezuelano. Estava também presente num encontro com empresários, na residência oficial da embaixada em Caracas, o assessor da AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), João Mota Pinto.
“Está‑se a programar essa visita, de uma forma muito avançada. O plano é realmente esse. É que, em finais de outubro, o senhor ministro, provavelmente também o seu secretário de Estado das comunidades [Emídio Sousa], e uma delegação empresarial (...), virão à Venezuela”, disse o embaixador.
O embaixador realçou que a linha de actuação de Portugal tem sido a de «construir pontes» e «contribuir para uma Venezuela mais estável», conforme a posição pública do Ministério dos Negócios Estrangeiros, citada na declaração.
Contexto político e diplomático
Pinheiro da Silva recordou que o secretário de Estado das Comunidades já visitou a Venezuela em duas ocasiões depois da operação militar norte‑americana que, a 3 de janeiro deste ano, levou à captura do presidente Nicolás Maduro e ao seu afastamento do poder, episódio referido na declaração do diplomata. O representante diplomático sublinhou que, após esses acontecimentos, Portugal tem mantido um papel diferencial no seio da União Europeia ao enviar membros do Governo para dialogar com as autoridades venezuelanas.
Na apresentação do plano de visitas, o embaixador afirmou que as deslocações visam encorajar reformas e promover patamares superiores de Estado de direito, democracia, respeito pelos direitos humanos e inclusão da sociedade venezuelana no debate sobre o futuro do país.
Componentes da missão
- Ministro da Economia: Manuel Castro Almeida (prevista visita no final de outubro).
- Secretário de Estado das Comunidades: Emídio Sousa (possível presença).
- Delegação empresarial: representantes do tecido empresarial português e luso‑venezuelano.
- AICEP: presença do assessor João Mota Pinto em encontros com empresários.
O anúncio foi feito pelo embaixador em declarações à agência Lusa durante um encontro com empresários em Caracas, sem indicação de datas exactas para a viagem, que ainda está a ser formalmente programada.
Consequências e leitura institucional
A visita projectada insere‑se numa estratégia diplomática que privilegia o «diálogo e a presença activa», segundo a justificação do embaixador, e tem implicações em vários domínios:
- Relações bilaterais: reforço dos canais institucionais entre Lisboa e Caracas.
- Cooperação económica: promoção de contactos entre empresários portugueses e venezuelanos mediada pela AICEP.
- Comunidade portuguesa: manutenção do acompanhamento da diáspora luso‑venezuelana e reforço de laços institucionais.
Portugal aparece, nas declarações oficiais, como o único país da UE que, após os acontecimentos de janeiro, manteve o envio de membros do Governo à Venezuela para diálogo directo, uma postura que o embaixador qualificou como contributo «válido» para encorajar reformas e melhores padrões de governação.
A confirmação oficial de datas e da composição final da delegação fica dependente da finalização do programa e de entendimentos protocolares com as autoridades venezuelanas, sem que tenha sido divulgada até ao momento uma agenda pública detalhada pelo Ministério da Economia ou pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros.
| Elemento | Função/Presença |
|---|---|
| Manuel Castro Almeida | Ministro da Economia (prevista deslocação) |
| Emídio Sousa | Secretário de Estado das Comunidades (possível presença) |
| João Mota Pinto | Assessor da AICEP (presente em encontros locais) |
| Manuel Frederico Pinheiro da Silva | Embaixador de Portugal em Caracas (porta‑voz das declarações) |
O avanço destas iniciativas diplomáticas ocorre num quadro regional e internacional marcado por incertezas pós‑operacionais em janeiro, e a iniciativa portuguesa evidencia a aposta do Governo em manter canais abertos para a promoção de interesses económicos e na protecção da comunidade portuguesa no estrangeiro.