Martim Ventura, piloto português ao serviço da Monster Energy Honda HRC, foi a grande figura das duas rodas no Rally dos Sertões Petrobras 2026 ao terminar na 2.ª posição e ao protagonizar um gesto decisivo de fair play que condicionou o desfecho da prova. O evento, que decorreu entre 22 e 30 de agosto e cobriu um total de 4.020 quilómetros cronometrados, ligou Goiânia a várias regiões dos estados de Goiás, Bahia, Maranhão e Tocantins.
Abnegação que mudou a corrida
Ventura, que lidera atualmente o campeonato do mundo de todo-o-terreno (W2RC) na categoria Rally2, correu numa Honda CRF 450 RX e entrou na prova a convite da Honda. Ao longo das etapas posicionou‑se como um candidato claro à vitória, mas na etapa decisiva renunciou ao triunfo para socorrer o brasileiro Bruno Crivilin, então líder da prova, que embateu numa árvore e ficou impossibilitado de prosseguir sozinho.
Ao abrandar para prestar ajuda e, posteriormente, rebocar Crivilin, Ventura cedeu minutos preciosos que o afastaram do primeiro lugar final. Apesar disso, o gesto de solidariedade foi determinante para a segurança do adversário e alterou a classificação final das motos.
Classificação e tempos
O pódio nas duas rodas espelhou uma corrida muito disputada, com os dois primeiros separados por pouco mais de 24 minutos:
- 1.º — Bruno Crivilin (Honda Racing): 37:10:43
- 2.º — Martim Ventura (Monster Energy Honda HRC): +24:21.15
- 3.º — Guilherme Bissotto (Txai Experience): a cerca de 1h30 dos dois primeiros
| Elemento | Dados |
|---|---|
| Datas | 22 a 30 de agosto de 2026 |
| Distância cronometrada | 4.020 km |
| Máquina de Ventura | Honda CRF 450 RX |
Análise táctica e impacto
Do ponto de vista desportivo, a intervenção de Ventura teve custos imediatos em termos de tempo, mas valorizou a sua posição desportiva e a imagem do rali. Ao abdicar da vitória para ajudar Crivilin, Ventura demonstrou uma leitura de corrida que privilegia segurança e camaradagem — fatores centrais nas corridas de resistência e navegação, sobretudo em provas longas e técnicas como os Sertões.
Competitivamente, a diferença de 24 minutos e 21,15 segundos para o vencedor traduz uma margem significativa, mas não esmagadora, num rali que valorizou a consistência e a gestão de força-máquina ao longo de mais de 4.000 quilómetros. A presença de Ventura neste evento também funciona como preparação de alta intensidade fora do calendário W2RC, oferecendo ritmo de navegação e resistência mecânica que são difíceis de replicar em provas europeias.
Repercussões para o piloto e para o panorama nacional
Para Ventura, a exibição reforça o estatuto de piloto de topo nas competições de todo-o-terreno e sublinha a capacidade portuguesa de se afirmar em palcos internacionais de relevo. Para o desporto motorizado nacional, episódios como este trazem visibilidade – sobretudo quando combinam performance e fair play – e podem contribuir para reforçar elos com fabricantes e equipas internacionais.
O Rally dos Sertões volta a afirmar‑se como laboratório de resistência e navegação para pilotos e máquinas, e a prestação de Ventura confirma que Portugal tem pilotos capazes de competir e de marcar a diferença, dentro e fora dos limites estritamente competitivos.
Contexto: o Rally dos Sertões não integra o calendário W2RC, mas mantém-se como referência de resistência na América do Sul, atraindo equipas e pilotos de elevado nível e oferecendo desafios variáveis em termos de terreno e navegação.