O Club Sport Marítimo veio esta quarta-feira a público reafirmar que continua a ter «integralmente o interesse» na utilização do Centro Desportivo da Madeira, na Ribeira Brava, e que não comunicou qualquer desistência à Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste. A tomada de posição surge no mesmo dia em que o Nacional divulgou ter celebrado um protocolo com a Ponta Oeste que permite à equipa principal treinar naquele complexo duas vezes por semana.
Clareza financeira exigida pelo Marítimo
No comunicado, o Marítimo diz que o motivo de preocupação que mantém prende-se com a alteração do valor mensal apresentado inicialmente nas negociações: de 5.000 euros + IVA passou a 8.500 euros + IVA. O clube afirma que solicitou uma «explicação objetiva» para essa alteração e que ainda aguarda resposta.
«O Marítimo mantém integralmente o interesse na utilização do Centro Desportivo da Madeira e nunca comunicou à Sociedade de Desenvolvimento Ponta Oeste qualquer desistência ou indisponibilidade para celebrar o respetivo protocolo»
O clube relembra a sequência de contactos mantida com a Ponta Oeste, detalhando documentos e propostas trocados durante o verão, e salienta que um acordo que originalmente seria tripartido acabou por ser celebrado apenas entre duas partes, sem que o Marítimo se tivesse «autoexcluído do processo».
Calendário dos contactos e pontos contratuais
O Marítimo apresenta um resumo cronológico dos factos, focalizando sobretudo as propostas relativas ao preço e à manutenção do relvado. A seguir encontra-se uma síntese, conforme exposto pelo clube:
| Data | Evento | Valor mensal indicado |
|---|---|---|
| 30 de junho | Primeira minuta enviada pela Ponta Oeste | 5.000 € + IVA |
| 16 de julho | Resposta do Marítimo, com manutenção do valor e clarificação de obrigações de manutenção | 5.000 € + IVA |
| 5 de agosto | Ponta Oeste envia nova minuta; preço mantido nos documentos enviados naquele momento | 5.000 € + IVA |
O comunicado descreve, ainda, que o Marítimo especificou a necessidade de determinados trabalhos técnicos para a manutenção do relvado, listando intervenções habituais em superfícies destinadas ao futebol profissional, como aeração, ressementeira, escarificação, verti-drain, controlo de pragas, descompactação, drenagem e nivelamento.
Consequências e laterais desdobramentos
O episódio coloca o foco em três vetores:
- Transparência nas negociações: o Marítimo exige justificações sobre o aumento do custo que considera substancial e sem explicação até ao momento.
- Gestão do equipamento: a atribuição da responsabilidade pela conservação e manutenção do relvado é um ponto central para clubes profissionais que pretendem usar o espaço com regularidade.
- Relações entre clubes e entidades locais: a transformação de um possível acordo tripartido num protocolo entre duas partes altera o enquadramento institucional e competitivo na ilha.
Entretanto, o Nacional já oficializou o acordo com a Sociedade Ponta Oeste que lhe garante a utilização do campo relvado para, segundo a nota divulgada pelos alvinegros, aí realizar dois treinos semanais. Nas declarações ao DIÁRIO, o diretor do Marítimo, Carlos André Gomes, já havia antecipado a posição do clube antes da publicação do comunicado.
O desfecho dependerá agora da resposta formal da Ponta Oeste ao pedido de esclarecimento do Marítimo sobre o acréscimo para 8.500 euros + IVA, valor que o clube contestou por divergir do montante inicialmente acordado nas minutas trocadas. Caso a sociedade venha a justificar o novo valor ou a reverter a alteração, poderá abrir-se caminho para um entendimento que envolva novamente as partes inicialmente previstas.
Até lá, mantém-se uma situação de tensão contratual em que dois clubes madeirenses procuram assegurar condições para a preparação da época, enquanto a administração do equipamento e os encargos associados permanecem no centro do debate.