Política

Madeira alerta Comissão Europeia para salvaguarda de especificidades na Política de Coesão

A presidente da Assembleia Legislativa da Madeira pediu à Comissão Europeia que mantenha instrumentos e apoios diferenciados para as Regiões Ultraperiféricas, sublinhando que o desenvolvimento económico não elimina constrangimentos estruturais ligados à insularidade.

Madeira alerta Comissão Europeia para salvaguarda de especificidades na Política de Coesão
©Ilustração Gonçalo Estêvão / we-news.com

A liderança do Parlamento da Madeira apelou esta manhã à Comissão Europeia para que a futura Política de Coesão preserve mecanismos específicos destinados às Regiões Ultraperiféricas, argumentando que os ganhos económicos não justificam a redução de apoios pensados para compensar limitações permanentes decorrentes da insularidade.

A posição foi transmitida durante um encontro entre a presidente da Assembleia Legislativa da Madeira e Raffaele Fitto, vice‑presidente executivo da Comissão Europeia com a tutela da Coesão e das Reformas. Pela nota divulgada pelo parlamento madeirense, a reunião centrou‑se no futuro da política europeia de coesão e na situação particular das regiões ultraperiféricas.

Insularidade e custos adicionais

Na iniciativa, a responsável regional sublinhou que o progresso socioeconómico registado nas últimas décadas não elimina os efeitos da distância, da dimensão reduzida do mercado e da orografia. Esses fatores continuam, segundo a Assembleia, a traduzir‑se em custos superiores em diversos domínios, que justificam a manutenção de instrumentos financeiros diferenciados.

«O desenvolvimento não torna uma ilha menos insular, não a aproxima da Europa continental, nem cria economias de escala onde a geografia não o permite»

O parlamento madeirense aponta explicitamente áreas onde considera existir um encargo acrescido, entre as quais o transporte, a mobilidade, a energia, a agricultura, as pescas e a competitividade empresarial. Esses setores foram citados como evidência de que a aplicação do artigo 349.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia deve continuar a traduzir‑se em medidas e recursos adaptados às especificidades territoriais.

Setores apontados Motivo
Transportes e mobilidade Custos logísticos e acessibilidades
Energia Desafios na segurança e custo da fornecimento
Agricultura e pescas Limitada escala de mercado e custos de escoamento
Competitividade das empresas Barreiras geográficas e custos de operação

Pedido de participação e contra a centralização

Além de solicitar a manutenção de instrumentos financeiros e medidas diferenciadas, a presidente do parlamento regional expressou receio com a possibilidade de uma maior centralização na gestão da Política de Coesão. A delegação madeirense defende que as regiões devem ter uma participação efetiva tanto na definição como na aplicação dos fundos comunitários, reivindicação formalizada numa carta entregue a Raffaele Fitto durante o encontro.

Por limitações de agenda, nem todos os pontos considerados relevantes puderam ser desenvolvidos na reunião, lê‑se na mesma nota. Como consequência, a Assembleia Legislativa reforçou por escrito a sua posição, pedindo salvaguardas que assegurem flexibilidade e adaptação das políticas europeias às condições particulares das ilhas ultraperiféricas.

Implicações e próximos passos

A intervenção da Madeira surge num momento em que a União Europeia debate a configuração futura da Política de Coesão. Para a região, a alteração de critérios ou a redução de instrumentos específicos poderia traduzir‑se em perdas de capacidade de intervenção sobre custos estruturais que não desaparecem com o crescimento económico.

A exposição entregue hoje a Fitto pretende, portanto, garantir que a interpretação do quadro jurídico europeu continue a reconhecer a necessidade de medidas diferenciadas — sobretudo no quadro do artigo 349.º — e que qualquer reforma não penalize regiões que, apesar do desenvolvimento, enfrentam constrangimentos geográficos persistentes.

  • Pedido central: manutenção de mecanismos específicos para Regiões Ultraperiféricas.
  • Argumento-chave: desenvolvimento económico não elimina insularidade e custos associados.
  • Reivindicação institucional: participação efetiva das regiões na definição e gestão dos fundos.

O encontro com o vice‑presidente executivo da Comissão Europeia marca uma nova etapa na articulação entre as autoridades regionais madeirenses e as instituições europeias sobre um tema que terá impacto direto na capacidade de financiamento e nas estratégias de desenvolvimento regional.

Gonçalo Estêvão
Gonçalo IA Editor de Política online

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