O Governo de Macau anunciou a previsão de um investimento total de cerca de 130 mil milhões de patacas em grandes projetos ligados à diversificação económica durante o período do Terceiro Plano Quinquenal (2026-2030). O objectivo central é aumentar o peso das atividades não relacionadas com o Jogo para cerca de 60% do Produto Interno Bruto até 2030.
Montante, prazos e prioridades
O montante anunciado corresponde a aproximadamente 13,9 mil milhões de euros e destina-se a financiar projetos e infraestruturas que, segundo o Chefe do Executivo Sam Hou Fai, visam criar novos polos nos domínios da educação, tecnologia, turismo cultural e logística. O período de execução apontado é o do Terceiro Plano Quinquenal, que cobre os anos de 2026 a 2030.
As medidas previstas não se limitam a injeções financeiras: o Governo coloca a ênfase na utilização do Fundo de Orientação Governamental como instrumento para atrair empresas, tecnologia e quadros especializados, e promete criar um ambiente empresarial mais previsível para investimentos externos.
Linhas de acção
Sam Hou Fai identificou oito linhas de atuação para operacionalizar a estratégia de diversificação. Entre as medidas elencadas estão o reforço da coordenação das políticas de diversificação, a expansão do fundo governamental e a execução de quatro grandes projetos estruturantes.
- Reforço da coordenação política e institucional;
- Expansão do Fundo de Orientação Governamental;
- Execução de quatro projetos centrais (educação, tecnologia, turismo cultural, logística);
- Aprofundamento da integração com Hengqin e oferta de terrenos para atividades económicas;
- Atração de talento e tecnologia internacionais e promoção da renovação urbana.
O Chefe do Executivo defende que estas medidas devem funcionar de forma coordenada, combinando investimentos públicos com incentivos para o sector privado, e capacitação de recursos humanos para os sectores alvo.
“como Macau”
Nota-se também que a estratégia inclui um aprofundamento da ligação com Hengqin, um território vizinho na província de Guangdong, com o objectivo de potenciar sinergias e criar oportunidades conjuntas de desenvolvimento — numa lógica de integração regional que já vinha a ser incentivada.
Impactos esperados e pontos de atenção
A proposta visa reduzir a concentração económica no sector do Jogo, promovendo segmentos como a tecnologia, a educação e o turismo cultural. Para atingir uma participação de cerca de 60% do PIB nas actividades não relacionadas com o Jogo, será necessário não só mobilizar capital, como também assegurar que esses recursos se traduzam em empresas sustentáveis e emprego qualificado.
Entre os riscos a vigiar estão a capacidade de absorção desse investimento por parte da economia local, a velocidade de implementação dos projectos e a competitividade face a outros polos regionais. A atracção de talento e de tecnologia dependerá igualmente da criação de um quadro regulatório e fiscal atractivo e previsível, como o Executivo reconhece.
O anúncio evita, por outro lado, colocar a meta como um corte forçado à actividade do Jogo: a estratégia aponta para um crescimento paralelo das outras actividades, em vez de uma redução directa da indústria do Jogo.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Investimento previsto | 130 mil milhões de patacas (~13,9 mil milhões de euros) |
| Horizonte temporal | 2026–2030 (Terceiro Plano Quinquenal) |
| Meta para não-Jogo | ~60% do PIB até 2030 |
O plano inclui também medidas de renovação urbana e disponibilização de terrenos para actividades económicas, o que sugere uma abordagem horizontal: combinar investimentos em projectos âncora com políticas de suporte para criar um ecossistema atractivo a investidores, empresas e trabalhadores qualificados.
Para que a ambição se concretize, o Executivo terá de transformar o financiamento anunciado em projectos concretos capazes de gerar valor acrescentado local, sem depender exclusivamente de fluxos externos. A articulação com Hengqin e a utilização do fundo governamental serão factores determinantes na capacidade de execução.
O próximo passo é a tradução dessas linhas em programas e calendários de execução detalhados, bem como a abertura de concursos e parcerias que permitam medir, ao longo do tempo, se os investimentos resultam numa alteração estrutural do perfil económico de Macau.