A literatura e a cultura dos países de língua portuguesa ocupam lugar de relevo na 15.ª edição do Festival Literário de Sopot, que decorre entre 20 e 23 de agosto naquela cidade costeira da Polónia. A programação, que junta autores, artistas e investigadores de vários cantos do espaço lusófono, aposta numa presença significativa de criadores portugueses e numa programação multidisciplinar que vai da escrita às artes visuais e ao cinema.
Presenças portuguesas e lusófonas
Entre os nomes anunciados estão os escritores Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto, que participarão em encontros com o público ao longo dos quatro dias do festival. O alinhamento inclui também autores do Brasil e de Moçambique, como Itamar Vieira Junior, Michel Laub, Paulo Scott e Mia Couto, este último anunciado para uma intervenção por videoconferência.
A presença portuguesa estende-se às artes plásticas: na inauguração do festival será apresentada a instalação «Onze Espíritos», da artista Inês Brites, composta por onze taças escultóricas em cerâmica que serão distribuídas no Parque na Goyki, em Sopot. Trata-se de um gesto expositivo que transpõe objectos cerâmicos para um espaço público e que reforça a componente visual do programa lusófono.
Debates e temas centrais
A programação enfatiza debates sobre literatura e memória, com sessões dedicadas a questões como a escrita feminina em língua portuguesa e as marcas deixadas pela escravatura e pelo colonialismo. Um dos painéis anunciados concentra-se na obra de Clarice Lispector e na produção de autoras mulheres no espaço lusófono. Outro debate, com a presença da poeta, performer, ensaísta e curadora Raquel Lima, abordará memória, património, identidade contemporânea e as permanências históricas que moldam a escrita e a cultura.
- Encontros com escritores e sessões de perguntas ao público.
- Oficinas e leituras performativas destinadas a diversos públicos.
- Exposições e uma feira do livro com edições dos países de língua portuguesa.
- Programação cinematográfica e actividades dirigidas a crianças e jovens.
Cinema, banda desenhada e adaptações
A relação entre literatura e outras linguagens está presente em vários momentos. Haverá um encontro dedicado às adaptações de clássicos portugueses para banda desenhada, com a participação dos autores André F. Morgado, Pedro Moura e André Oliveira. Além disso, a programação cinematográfica integra filmes portugueses que dialogam com a literatura e a memória cultural: serão exibidos «Tabu», de Miguel Gomes, e «Sangue do meu sangue», de João Canijo, reforçando a ligação entre narrativa escrita e imagem em movimento.
| Nome | Participação |
|---|---|
| Afonso Cruz | Encontros com o público |
| Gonçalo M. Tavares | Encontros com o público |
| José Luís Peixoto | Encontros com o público |
| Mia Couto | Intervenção por videoconferência |
| Inês Brites | Instalação «Onze Espíritos» |
Ao longo dos quatro dias estão previstas também leituras performativas, sessões de cinema, uma feira do livro dedicada às publicações lusófonas e actividades pensadas para jovens e crianças, o que aponta para uma presença abrangente e orientada para públicos diversos.
O destaque dado à literatura em língua portuguesa no Festival de Sopot confirma uma trajectória de internacionalização de autores e projetos culturais portugueses, ao mesmo tempo que propõe um espaço de debate sobre questões identitárias e de memória que atravessam o mundo lusófono. A programação anunciada combina componentes académicas, artísticas e de públicos, numa proposta que pretende dar visibilidade às diversas formas de criar e de lembrar dentro da língua portuguesa.
O festival, na sua 15.ª edição, surge portanto como palco para uma mostra ampla e plural do espaço lusófono, reforçando laços culturais entre Portugal e a Polónia e celebrando a diversidade literária e artística da língua portuguesa.