O líder do Partido Socialista dos Açores, Francisco César, afirmou esta terça-feira em Ponta Delgada que o partido tem de se afirmar como uma alternativa política ao Executivo regional de coligação (PSD/CDS-PP/PPM), considerando que o atual ciclo de governação tem sido marcado por «insucesso» e por sinais de estagnação económica.
Apelo a uma postura «de construção»
Na abertura das jornadas parlamentares do PS/Açores, onde esteve reunido com os deputados regionais socialistas, Francisco César apelou a que o partido privilegie uma atitude de «construção» em vez de um papel estritamente de oposição.
«Este é um ano em que o Partido Socialista e o seu grupo parlamentar devem privilegiar, em detrimento de ser um partido tradicional da oposição, ser um partido essencialmente de construção», afirmou o líder regional.
Segundo o dirigente, a sua presença nas jornadas serviu para transmitir aos eleitos socialistas a necessidade de trabalhar proposições que delineiem uma alternativa credível para a região, com foco em medidas concretas para responder aos problemas que apontou.
Setores em dificuldades
Francisco César identificou vários sectores que, na sua leitura, evidenciam a crise da governação regional. No sector do turismo, denunciou «quebras sucessivas no número de dormidas e de viagens para os Açores», fenómeno que, disse, tem penalizado a economia regional.
Referiu igualmente problemas na agricultura — com «quebras sucessivas», dívidas aos agricultores, descida do preço do leite e redução do consumo — e dificuldades entre os pescadores, associadas a dívidas do Governo Regional e à diminuição dos preços de venda, que afetam os rendimentos das famílias.
Além destas áreas produtivas, o líder socialista destacou preocupações sociais: aumento do custo de vida, dificuldade de acesso à habitação e o peso dos combustíveis nas despesas das famílias.
| Sector | Problema apontado |
|---|---|
| Turismo | Quebras sucessivas nas dormidas e viagens |
| Agricultura | Dívidas, queda do preço do leite, consumo em recuo |
| Pesca | Dívidas do Governo Regional, baixa do preço de venda |
| Social | Aumento do custo de vida; dificuldade de acesso à habitação |
Consequências e agenda política
Na intervenção, Francisco César alertou para uma economia regional que, segundo disse, «está praticamente estagnada», contrapondo o ritmo dos Açores ao do resto do país e da Europa. A mensagem política é clara: o PS/Açores deverá colocar na agenda propostas de revitalização económica e medidas sociais que respondam às preocupações apontadas.
O líder regional não apresentou um programa detalhado durante a sessão de arranque das jornadas parlamentares, limitando-se a sublinhar a necessidade de uma estratégia centrada na recuperação do turismo, no apoio aos agricultores e pescadores e em medidas que aliviem o custo de vida dos açorianos.
- Exigirereforços na promoção e sustentabilidade do turismo regional;
- Propor soluções para a regularização de dívidas aos sectores agrícola e da pesca;
- Apresentar medidas para mitigar o impacto do aumento do custo de vida e melhorar o acesso à habitação.
Estas posições serão, previsivelmente, levadas ao debate público e ao Parlamento dos Açores nas próximas semanas, constituindo o primeiro plano da oposição socialista nesta fase. A crítica à governação de coligação e o apelo a um PS «de construção» colocam o partido numa trajectória que visa oferecer uma alternativa política estruturada para as próximas disputas eleitorais regionais.
O partido convocou as jornadas parlamentares como espaço de discussão interna e de formulação de propostas, cabendo agora aos deputados e aos órgãos do PS/Açores transformar as críticas apontadas em iniciativas legislativas e políticas que possam ser confrontadas com a governação regional nas sessões plenárias.