Um estudo da administradora Alqia sobre o perfil do consumidor em shopping centers revela que os motivos para visitar centros comerciais estão a transformar‑se: enquanto as compras permanecem relevantes, os segmentos de lazer e serviços já representam a maior fatia das razões apontadas pelos frequentadores.
Principais conclusões do estudo
Segundo o levantamento, 43% dos inquiridos visitam os shoppings com objetivo de comprar, mas mais de 35% referem o lazer como motivo de ida. O segmento de serviços surge como responsável por 21% das respostas. Combinados, lazer e serviços atingem 57% das motivações para visitação, superando assim a componente estritamente comercial.
«Os dados mostram que o shopping center consolida seu papel como um espaço de convivência, lazer e experiências ao longo de toda a jornada do cliente», afirmou Claudio Ximenes, diretor de operações da Alqia.
O estudo evidencia ainda padrões de frequência e de consumo. Quase 30% dos consumidores frequentam centros comerciais diariamente, 21,5% vão duas a três vezes por semana, e 15% visitam uma vez por semana. Quanto ao gasto, a maioria indica consumos relativamente modestos nos empreendimentos: 69% consomem até R$ 500 por mês, enquanto uma minoria de 5% declara desembolsos superiores a R$ 3.000 mensais.
Dados organizados
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Visitas diárias | 29% |
| Visitas à tarde | 34% |
| Motivo: Compras | 43% |
| Motivo: Lazer | >35% |
| Motivo: Serviços | 21% |
| Gasto até R$ 500/mês | 69% |
| Gasto acima de R$ 3.000/mês | 5% |
Implicações para operadores e visitantes
O documento sublinha que os espaços comerciais deixaram de ser unicamente pontos de transacção e convertem‑se em lugares de convivência, entretenimento e prestação de serviços. Segmentos como gastronomia, entretenimento e serviços de saúde e bem‑estar têm um papel determinante na atração e no aumento do tempo de permanência.
- Para gestores de centros comerciais: adaptar a oferta para experiências e conveniência pode ser tão relevante quanto a diversificação do mix de lojas.
- Para retalhistas e marcas: integrar propostas que dialoguem com momentos de lazer (eventos, programação cultural, ofertas de restauração) pode aumentar o fluxo e a recorrência.
- Para visitantes: planear a visita de acordo com horários e programação do centro (especialmente à tarde, quando 34% costumam ir) optimiza o tempo e a experiência.
O levantamento também mostra que eventos, programação cultural e opções de alimentação encurtam a distância entre motivação de compras e motivação de lazer, com diferença inferior a 10 pontos percentuais entre estas categorias. Ademais, cerca de 22% das respostas associam a visita a operações de saúde, bem‑estar e conveniência.
Esta transformação no perfil de uso dos shopping centers tem consequências práticas: obriga a repensar o planeamento dos espaços, a calendarização de actividades e a forma como se comunica a proposta de valor aos diferentes públicos. Para quem procura experiências, os centros comerciais confirmam‑se cada vez mais como locais onde se conjuga consumo, sociabilidade e serviços num único percurso do dia‑a‑dia.
Num cenário em que a presença física tem de justificar a preferência face às compras online, a capacidade de oferecer serviços complementares e momentos de lazer surge como um diferencial decisivo para manter e atrair visitantes.