A Câmara Municipal de Lamego colocou a conclusão do projecto do IC26 no centro das prioridades de planeamento viário e de desenvolvimento urbano, defendendo que a futura ligação a Trancoso é a peça que falta para criar uma nova entrada pela A24 e repensar a mobilidade no concelho.
Uma peça estruturante para os acessos
Segundo o presidente da Câmara, Francisco Lopes, o Município aguarda «com muita ansiedade» a finalização do projecto do IC26. A razão é prática: só depois de definido o ponto de ligação do IC26 à A24 será possível à autarquia desenhar e executar a sua própria ligação e articulá‑la com a circular externa proposta.
«Sem o IC26, nunca sabemos onde pendurar a nossa ligação»
Esta dependência técnica é, para o executivo municipal, determinante para sanar problemas de acesso que se arrastam há décadas. A dificuldade de circulações e ligações rodoviárias é apontada como um entrave ao desenvolvimento económico e à captação de residentes e empresas qualificadas.
Habitação e formação: respostas complementares
Para além da infraestrutura viária, a Câmara de Lamego tem em curso ou em preparação um conjunto de intervenções destinadas a fixar população e atrair emprego qualificado. Entre as medidas anunciadas estão a construção de mais de uma centena de habitações no concelho, a abertura prevista de uma residência universitária e o apoio a novas áreas de formação, com destaque para a cibersegurança.
- Construção de mais de uma centena de habitações municipais;
- Preparação da abertura de uma residência universitária;
- Aposta em formação em cibersegurança e outras áreas emergentes.
Para o presidente da Câmara, estas intervenções são essenciais não só para colmatar défices de oferta habitacional, mas também para criar condições que permitam reter jovens e atrair profissionais com qualificações superiores.
Contexto histórico e demográfico
O debate sobre acessos surge no quadro de transformações locais que acompanham, desde os anos 80, melhorias em infraestruturas básicas — água, saneamento, estradas e equipamentos — e um esforço contínuo de modernização. António Lourenço, antigo presidente da Junta de Freguesia de Almacave e figura com longa experiência local, recorda as mudanças desde a década de 1980 e sublinha, no entanto, que os desafios atuais são outros.
António Lourenço: «Faltam mais pessoas»
O aumento da oferta de serviços e a aposta no turismo alteraram o perfil económico da cidade, mas, segundo Lourenço, urge agora criar condições para reter população residente em idades de constituir família. A imigração recente tem ajudado a estabilizar os números populacionais, «praticamente travando a perda populacional nos últimos anos», mas não resolve o problema estrutural de saída de jovens.
Impactos e consequências locais
A concretização do IC26 não será apenas uma obra de extensão rodoviária: trata‑se de uma intervenção com capacidade para alterar fluxos de tráfego, potenciar a ligação de Lamego à rede de autoestradas do Interior e criar um novo eixo de acessibilidade para a margem esquerda do Douro. A articulação entre essa via e a rede local é vista pela autarquia como condição prévia para qualquer reconfiguração da circular externa e para a requalificação do espaço urbano peri‑metropolitano.
| Intervenção | Estado |
|---|---|
| IC26 (ligação a Trancoso / A24) | Projecto em curso, aguardando conclusão |
| Habitação municipal | Construção de mais de uma centena de unidades |
| Residência universitária | Preparação para abertura |
| Formação em cibersegurança | Aposta em implementação |
Para os decisores locais, o conjunto destas obras e políticas — desde a infraestrutura viária até à habitação e formação — é uma estratégia integrada para combater a saída de população jovem, diversificar a economia e criar condições para emprego qualificado em Lamego. A esperada definição do traçado do IC26 assume‑se, por isso, como um ponto de viragem para a abordagem municipal à mobilidade e ao planeamento urbano.
Enquanto aguarda essa definição técnica, a autarquia prossegue medidas práticas de curto e médio prazo, mas sublinha que muitos dos ganhos previstos dependem da coordenação entre níveis de decisão e da concretização de iniciativas supra‑municipais, como o próprio IC26.