Um estudo divulgado pela LaLiga coloca a tecnologia no centro das mudanças esperadas no futebol durante a próxima década, com destaque para a adoção de inteligência artificial, a gestão de dados e a evolução dos estádios inteligentes. O relatório, designado Tech Powerhouse 2026, analisa medidas implementadas pela liga espanhola na última década e identifica tendências que podem alterar receitas, operações dos clubes e a relação com os adeptos.
Tecnologia para além do relvado
O documento estende a discussão para vários domínios: automação de processos internos através de IA ativa, controlo e soberania sobre dados dos utilizadores, gestão da presença dos públicos nos recintos e a criação de experiências hiperpersonalizadas com base nas informações recolhidas. A LaLiga também avalia o impacto económico da internacionalização da marca, referindo uma faturação recente no Brasil de R$ 32 bilhões.
Do relatório às aplicações práticas
Algumas das tendências apontadas no relatório já têm ecos fora de Espanha. No mercado brasileiro, por exemplo, empresas que gerem programas de sócio-torcedor e bilhética aplicam análise de dados para segmentar campanhas e recuperar utilizadores. A plataforma FutebolCard, que opera em clubes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, utiliza a sua base de dados para identificar padrões de inatividade e orientar ações direcionadas.
Uma análise realizada pela plataforma sobre os programas que administra revelou que entre 30% e 80% dos cadastros apresentavam algum nível de inatividade — um conjunto que inclui ex-sócios, pessoas com pré-cadastros incompletos e utilizadores bloqueados por inadimplência. Com esta informação, a estratégia passa por concentrar recursos na reativação de audiências que já tiveram contacto prévio com os serviços dos clubes.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Faturação da LaLiga no Brasil | R$ 32 bilhões |
| Percentagem de cadastros com inatividade | 30%–80% |
| Índices de cancelamento (boleto bancário) | 75%–98% |
Pagamentos e comportamento do adepto
O relatório e as evidências de mercado sublinham que a forma de pagamento influencia significativamente a retenção. No universo analisado pela FutebolCard, o boleto bancário registou índices de cancelamento muito superiores — variando entre 75% e 98% — face a alternativas como o cartão de crédito com cobranças recorrentes. Este tipo de detalhe operacional ilustra como decisões tecnológicas e de infraestrutura financeira se traduzem em impacto direto nas receitas e no relacionamento com os adeptos.
- Automação e IA ativa para processos internos
- Controlo dos dados e soberania tecnológica das ligas e clubes
- Evolução dos estádios para recintos inteligentes e gestão da experiência
Além das oportunidades, o relatório refere desafios como a pirataria digital — um tema que a LaLiga identifica como um obstáculo para a monetização em mercados internacionais — e a necessidade de estabelecer normas de governação de dados que preservem a privacidade e a confiança dos adeptos.
Impactos e consequências
Para clubes e operadores, a mensagem é dupla: há espaço para aumentar receitas mediante inovação e personalização, mas isso exige investimento em tecnologias, capacitação e políticas de dados robustas. Do lado dos adeptos, a maior personalização promete ofertas mais ajustadas, mas levanta questões sobre proteção de informação e sobre até que ponto as estruturas de pagamento condicionam a participação em programas oficiais.
O sotaque prático deste relatório é visível na transposição de ideias para soluções já em curso no Brasil, onde plataformas locais aplicam análise de dados para recuperar sócios e otimizar campanhas. O desafio para os próximos anos será equilibrar a digitalização com modelos de negócio sustentáveis e com governança que dê garantias aos utilizadores.