Jorge Jesus apresentou esta sexta-feira a sua primeira convocatória como treinador principal da seleção portuguesa: uma lista de 25 jogadores para os quatro encontros iniciais da Liga das Nações 2026/27, onde surgem quatro caras novas face à última fase final do Campeonato do Mundo.
Novidades e continuidades
As novidades são o guarda-redes Samuel Soares (Benfica), o lateral esquerdo Nuno Tavares (Lazio), o médio defensivo João Palhinha (Benfica) e o avançado Fábio Silva (Borussia Dortmund). A chamada de quatro elementos que não integraram a comitiva portuguesa no Mundial espelha uma opção de continuidade, com poucas alterações relativamente ao ciclo anterior.
«O Cris é um jogador que não preciso de falar muito com ele porque ele conhece as minhas ideias e eu conheço as ideias dele. Trabalhámos um ano juntos».
A frase, proferida pelo selecionador durante a conferência de imprensa, sublinha a opção por manter no grupo Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, cujo registo com a seleção continua a somar números históricos — 233 jogos e 146 golos, com estreia em 20 de agosto de 2003.
Composição do grupo e opções tácticas
A lista inclui três guarda-redes — Diogo Costa (FC Porto), Rui Silva (Sporting) e Samuel Soares — e oito defesas: João Cancelo, Diogo Dalot, Rúben Dias, Tomás Araújo, Renato Veiga, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes e Nuno Tavares. No meio-campo aparecem seis nomes: Rúben Neves, João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Palhinha. O ataque foi fechado com oito avançados, onde se destacam João Félix, Rafael Leão, Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo, além de Fábio Silva.
Do ponto de vista táctico, a presença de Palhinha e Rúben Neves oferece ao seleccionador uma base mais segura no eixo, permitindo alternativas entre um bloco mais preservador e uma construção com Bruno Fernandes e Bernardo Silva em papéis mais criativos. A dupla de laterais com Cancelo e Nuno Mendes, bem como as opções interiores, sugerem flexibilidade para sistemas com laterais mais avançados e um 4-2-3-1 ou 4-3-3 dependendo do adversário.
| Posição | Número de jogadores |
|---|---|
| Guarda-redes | 3 |
| Defesas | 8 |
| Médios | 6 |
| Avançados | 8 |
Calendário imediato e implicações
- Portugal estreia-se frente ao País de Gales a 24 de setembro, no Estádio José Alvalade.
- Segue-se a deslocação à Noruega (27 de setembro), depois o encontro com a Dinamarca (1 de outubro) e novo jogo com a Noruega a 4 de outubro, no Estádio do Dragão — todos os jogos com início às 19h45 (hora de Portugal).
Para além da componente competitiva, esta convocatória serve como primeira amostra prática do modelo de Jesus à frente da equipa das quinas. As escolhas indicam confiança em jogadores experientes, sem, no entanto, fechar portas a reforços vindos do campeonato doméstico, como mostram as chamadas de dois jogadores do Benfica.
O selecionador não deixou escapar a questão sobre a reduzida presença de jogadores portugueses no campeonato nacional, considerando a situação «não muito preocupante» e defendendo que os critérios de convocatória devem privilegiar o rendimento individual e a coerência com as ideias colectivas que pretende implementar.
Com a lista oficial divulgada, resta agora ver como Jesus materializa essas opções em termos de desenho tático e gestão de minutos, sobretudo numa fase inicial de mandato em que combinar testes práticos com exigência competitiva será determinante para sedimentar um projeto a médio prazo.