João Pinto Coelho apresenta Aguarela de Paris, o seu mais recente romance publicado pela Dom Quixote, no qual regressa ao universo da Segunda Guerra Mundial e ao campo de concentração de Auschwitz. O autor, distinguido com o Prémio Leya de 2017, retoma uma investigação que diz desenvolver há três décadas sobre a perseguição aos judeus na primeira metade do século XX.
Enredo e foco histórico
O romance conta a história de duas irmãs gémeas judias que, no momento de maior juventude, confrontam‑se com aquilo que o texto designa como o «Anjo da Morte» — referência directa a Josef Mengele, o médico que realizou experiências em prisioneiros, nomeadamente em gémeos, nos campos nazi. Sem antecipar pormenores da narrativa, o autor propõe um movimento literário que conduz «dos píncaros da opulência ao cúmulo da decadência», convertendo a ficção num espaço de memória e de interrogação ética sobre os limites da humanidade.
«Um romance que nos leva dos píncaros da opulência ao cúmulo da decadência.»
Contexto da escrita
João Pinto Coelho tem vindo a explorar, ao longo de vários anos, as formas de perseguição e as dinâmicas que marcaram a Europa nas décadas em análise. A nova obra insere‑se nessa linha de investigação literária e histórica, articulando o relato íntimo de personagens com figuras reais cuja presença simboliza alguns dos factos mais sombrios do período.
Dados editoriais e recepção
Aguarela de Paris é editado pela Dom Quixote e surge num momento em que a obra do autor continua a merecer atenção por parte da crítica e do público, nomeadamente por ter sido galardoado com o Prémio Leya (2017). A história das gémeas e o confronto com experiências médicas forçadas prometem abrir discussões sobre memória histórica, ética da representação literária e a responsabilidade do romancista quando se aproxima de tragédias colectivas.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título | Aguarela de Paris |
| Editora | Dom Quixote |
| Temas centrais | Segunda Guerra Mundial; Auschwitz; experiências em gémeos; memória |
| Prémios | Autor vencedor do Prémio Leya (2017) |
Implicações culturais
A publicação deste romance reafirma o interesse persistente da literatura portuguesa contemporânea sobre temáticas históricas europeias que continuam a ecoar na consciência colectiva. A escolha de um episódio tão marcado pela violência científica — a actuação de Josef Mengele — coloca desafios de representação: como narrar a experiência traumática sem a trivializar e como responsabilizar a ficção pelo trabalho da memória?
- O livro revive a investigação do autor sobre a perseguição aos judeus, desenvolvida ao longo de três décadas.
- A trama centra‑se em duas irmãs gémeas e na figura de Josef Mengele.
- Publicação pela Dom Quixote, num momento de releitura literária da memória da Segunda Guerra Mundial.
Ao deslocar o olhar para personagens intimamente marcadas pela violência institucional, o romance prossegue a reflexão sobre o papel da literatura como arquivo de afectos e de perguntas. A obra promete ocupar um lugar de destaque nas discussões editoriais e críticas desta rentrée literária, suscitando leitura atenta por parte de leitores e académicos interessados nas interseções entre narrativa, história e ética.