Ambiente Açores

IVAR assinala uma década de monitorização e ligação entre ciência e sociedade nos Açores

O Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) celebra 10 anos como unidade de investigação da Universidade dos Açores, reforçando a capacidade científica local para monitorizar vulcanismo, sismicidade e outros riscos geológicos e apoiar decisões públicas e proteção das comunidades insulares.

IVAR assinala uma década de monitorização e ligação entre ciência e sociedade nos Açores
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Instituto de Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR) assinala hoje uma década desde a sua integração como unidade de investigação da Universidade dos Açores, consolidando-se como referência regional na vigilância de perigos geológicos, formação de investigadores e ligação entre a ciência e as comunidades insulares.

Raiz institucional e missão

Na sua configuração actual, o IVAR deriva do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG), constituído estatutariamente em 1997. O instituto resultou do projeto idealizado por um grupo de investigadores do Departamento de Geociências que ambicionava dotar o arquipélago de uma estrutura própria para o estudo dos fenómenos vulcânicos e outros riscos geológicos.

Monitorização permanente numa região com vulcanismo ativo

Para a diretora do IVAR, Fátima Viveiros, a existência de uma equipa científica residente nos Açores — com recursos humanos e capacidade de intervenção em campo — é «fulcral» numa região que apresenta «vulcanismo activo». Viveiros recorda que a última erupção em mar aberto aconteceu ao largo da ilha Terceira em 2001, há cerca de 25 anos, e sublinha a necessidade de vigilância contínua.

«A probabilidade de uma nova erupção é elevada e temos que ir acompanhando para ter uma resposta adequada perante uma nova reativação», afirmou Fátima Viveiros.

Segundo a responsável, existem atualmente «cerca de duas dezenas de sistemas vulcânicos activos» no arquipélago, informação que traduz tanto a complexidade do espaço insular como a exigência de sistemas de alerta e avaliação permanentes.

Áreas de intervenção

Além da monitorização de erupções potenciais, o IVAR estuda fenómenos que condicionam diariamente a vida nas ilhas: movimentos de vertente, processos de desgaseificação e sismicidade. A atividade do instituto estende-se ainda ao ordenamento do território, apoio científico às decisões governamentais e avaliação de impactos ambientais e potenciais riscos para a saúde relacionados com produtos ou fenómenos naturais.

  • Monitorização: vigilância sísmica, vulcânica e de desgaseificação.
  • Investigação: estudos sobre processos geológicos e risco associado.
  • Formação: preparação de novos investigadores e técnicos locais.
  • Assessoria às autoridades: contributos para planeamento e resposta a crises.

Vulcanologia como serviço público

Viveiros enfatiza a importância prática desta ciência nas ilhas: «os vulcanólogos são os médicos da terra», uma imagem que sublinha o papel preventivo e interventivo do IVAR junto das comunidades. Ter equipas científicas locais permite respostas mais céleres e contextualizadas às especificidades insulares, onde a geografia, a dispersão populacional e a ligação ao mar moldam tanto os riscos como as estratégias de proteção civil.

Relação com outras instituições

O IVAR trabalha em articulação com o CIVISA — Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores — no acompanhamento dos fenómenos geológicos e na emissão de informações relevantes para a proteção civil e para a população. A cooperação entre instituições regionais e a presença de uma unidade académica dedicada à vulcanologia reforçam a capacidade do arquipélago para antecipar e gerir eventos de natureza geológica.

Dados-chave

Marco Data/Valor
Constituição do CVARG 1997
Integração do IVAR na Universidade 10 anos como unidade de investigação
Última erupção em mar aberto 2001 (ao largo da Terceira)
Sistemas vulcânicos activos «cerca de duas dezenas»

Impacto local e desafios futuros

Ao celebrar a década de trabalho como unidade de investigação, o IVAR reafirma a sua função não só científica como também social: formar quadros locais, prestar apoio técnico às autoridades e contribuir para uma maior literacia sobre riscos nas comunidades das ilhas. Num arquipélago em que o mar e a terra se definem mutuamente, a monitorização dos processos geológicos é parte integrante da gestão sustentável do território e da proteção das populações.

O desafio mantém-se em dois planos: consolidar a capacidade científica e técnica no próprio arquipélago e garantir que essa produção de conhecimento é traduzida em medidas práticas de prevenção e mitigação, adaptadas às particularidades de cada ilha.

Nos próximos anos, a continuidade do trabalho do IVAR será determinante para antecipar riscos, orientar o ordenamento do território e reforçar a resiliência das comunidades açorianas face a fenómenos naturais que fazem parte da sua história e da sua paisagem.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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