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Investigação revela maior diversidade visual entre espécies de abelhas do que se pensava

Investigadores identificaram diferenças significativas na resolução visual entre várias espécies de abelhas, incluindo uma espécie solitária australiana capaz de igualar o desempenho de zangões de abelhado-mel apesar do menor tamanho corporal.

Investigação revela maior diversidade visual entre espécies de abelhas do que se pensava
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

Um novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) conclui que as capacidades visuais das abelhas são mais variadas do que se supunha, com algumas espécies menores a exibirem resolução visual superior às células fotorrecetoras das abelhas-do-mel operárias.

Metodologia e resultados principais

Investigadores das universidades de Lund e de Adelaide avaliaram a visão de diferentes abelhas através do registo de sinais elétricos produzidos por células sensíveis à luz nos olhos dos insetos. O objetivo foi estimar tanto a resolução visual — capacidade de distinguir detalhes — como o tamanho mínimo de objectos detectáveis por cada espécie.

Foram analisadas quatro espécies, entre as quais figuram abelhões (bumblebees), três espécies de abelhas solitárias e as habitualmente estudadas abelhas-do-mel. Todas as quatro espécies observadas apresentaram resposta das células fotorrecetoras que indica uma precisão visual superior à das operárias da abelha-do-mel.

Surpresa com uma espécie diminuta

Do conjunto, destacou-se a pequena abelha australiana de bandas azuis, Amegilla murrayensis, identificável pelas faixas azuladas no abdómen. Apesar do reduzido tamanho corporal, esta espécie mostrou-se capaz de detectar objectos com uma nitidez que, em termos funcionais, se aproxima do desempenho dos zangões da abelha-do-mel.

«Ficámos especialmente surpreendidos pelo facto de a pequena abelha de bandas azuis conseguir detetar objectos tão bem como os zangões das abelhas-do-mel, apesar de ser muito mais pequena», afirmou Elisa Rigosi, investigadora de Biologia na Lund University.

Implicações biológicas e ecológicas

O achado põe em causa a ideia simplista de que olhos maiores implicam necessariamente uma visão mais apurada. Nos zangões das abelhas-do-mel, olhos de grande dimensão estão associados a uma habilidade visual notável, essencial para localizar e perseguir rainhas durante voos de acasalamento. No entanto, a observação de uma abelha solitária muito mais pequena a alcançar um desempenho similar sugere que diversas adaptações anatómicas e funcionais podem optimizar a visão sem corresponder directamente ao tamanho global do olho.

Estas diferenças entre espécies têm repercussões para a compreensão dos comportamentos de forrageamento, navegação e acasalamento, bem como para o estudo das interacções planta-polinizador. Conhecer melhor a variabilidade visual entre polinizadores pode contribuir para estratégias de conservação e para a gestão agrícola que considerem uma gama mais ampla de espécies, não apenas a abelha-do-mel.

Resumo comparativo

Tipo de abelha Estado observado
Abelhas-do-mel (operárias) Resolução fotorrecetora de referência (inferior às quatro espécies estudadas)
Zangões da abelha-do-mel Conhecidos por elevada capacidade visual
Abelhões (bumblebees) Resolução superior à das operárias da abelha-do-mel
A. murrayensis (abelha solitária) Resolução comparável à dos zangões, apesar do reduzido tamanho

Contexto e próximos passos

Até agora, a abelha-do-mel era a espécie mais utilizada como modelo para estudos visuais entre insectos — em grande parte devido à sua disponibilidade e importância económica. Contudo, esta investigação reforça a necessidade de ampliar o conjunto de espécies estudadas para obter uma visão mais completa da diversidade sensorial entre os polinizadores.

Os autores propõem que futuras pesquisas explorem em maior detalhe as relações entre a estrutura ocular (tamanho das lentes, organização das células sensíveis à luz) e o desempenho visual, bem como o impacto dessas diferenças em comportamentos ecológicos concretos, como a procura de flores e a comunicação intraespécies.

  • Instituições: Lund University e Adelaide University;
  • Publicação: Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS);
  • Conclusão chave: capacidades visuais variam consideravelmente entre espécies e não se limitam ao tamanho do olho.

Com estes resultados, os cientistas chamam a atenção para a complexidade sensorial dos polinizadores e para a importância de integrar essa diversidade em políticas de conservação e estudos ecológicos futuros.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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