Ambiente

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia lança guia prático para combater incêndios em florestas húmidas

Um livreto técnico, resultado de um trabalho colaborativo com cerca de 60 autores e parcerias académicas internacionais, sistematiza técnicas e desafios do combate a incêndios em florestas tropicais úmidas da Amazónia e inaugura uma coleção de quatro volumes prevista para 2026.

Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia lança guia prático para combater incêndios em florestas húmidas
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazónia (IPAM), em parceria com a Universidade de Oxford, a Universidade de Lancaster e a Rede Amazônia Sustentável, publicou um livreto destinado a orientar as operações de combate a incêndios em florestas tropicais húmidas da Amazónia. Trata‑se do primeiro número de uma colecção que será dedicada a diferentes tipos de vegetação amazónica e que, segundo os autores, responde a mudanças recentes na dinâmica do fogo na região.

Do conhecimento de campo para uma referência técnica

O documento, intitulado Combate aos Incêndios Florestais da Amazônia: Florestas Ombrófilas Densas, foi elaborado a partir de um processo colaborativo envolvendo cerca de 60 autores, incluindo brigadistas voluntários e institucionais, investigadores e representantes de agências e programas governamentais brasileiros, como o PrevFogo, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Segundo os organizadores, o livreto sistematiza técnicas, desafios e soluções vivenciadas na linha de frente do combate aos incêndios. O material é apresentado como um avanço prático e científico para ambientes que historicamente não eram propensos a queimar, mas que, com a intensificação das secas extremas e alterações climáticas, passaram a estar em risco.

«Essas florestas não deveriam estar queimando. Mas, diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos, tornou‑se fundamental construir conhecimento específico sobre como combater incêndios nesse ambiente», afirmou Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM, citada pelos promotores da publicação.

O livreto constitui o primeiro volume de uma série prevista de quatro edições, com os temas já anunciados: florestas ombrófilas densas, ombrófilas abertas, florestas alagadas e florestas degradadas. Os organizadores indicam que as restantes edições deverão ser divulgadas até ao final de 2026.

Volume Temática
1 Florestas ombrófilas densas
2 Florestas ombrófilas abertas
3 Florestas alagadas
4 Florestas degradadas

Contexto: secas, fogo e ecossistemas vulneráveis

Imagens e relatos de campo referem que as alterações climáticas têm alterado a dinâmica do fogo na Amazónia, com secas extremas mais frequentes que facilitam a entrada do fogo em ambientes que, em condições normais, resistiriam às chamas. Esta nova realidade exige métodos específicos de prevenção, deteção e combate — não só de caráter operacional, mas também de planificação e recuperação pós‑fogo.

O foco numa abordagem «de baixo para cima», conforme descrito pelos promotores da publicação, privilegia saberes acumulados por quem atua diretamente no terreno. Essa estratégia pretende integrar práticas de brigadistas com conhecimentos científicos e orientações das agências ambientais, promovendo protocolos adaptados às características estruturais e hidrológicas das florestas ombrófilas densas.

  • Colaboração interdisciplinar: o livreto reúne brigadistas, investigadores e representantes de órgãos governamentais.
  • Resposta à emergência climática: materiais dirigidos a ecossistemas que passaram a arder com maior frequência.
  • Desdobramento editorial: uma colecção de quatro volumes prevista até ao final de 2026.

Para áreas tão biodiversas como a Amazónia, a documentação técnica e a capacitação de equipas no terreno são passos essenciais para reduzir impactos imediatos e orientar estratégias de recuperação e conservação. A publicação do IPAM surge, assim, como uma tentativa de consolidar protocolos específicos para florestas tropicais húmidas, adaptando práticas de combate ao fogo a realidades ecológicas muito distintas das savanas e matas secas onde a gestão do fogo tem tradição.

Os próximos volumes da colecção deverão aprofundar particularidades de outros tipos de floresta e áreas degradadas, contribuindo para um corpus técnico que pretende informar operações futuras e políticas públicas relacionadas com prevenção, combate e restauração em contextos de incêndio florestal na região amazónica.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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