O número de empresas declaradas insolventes em Portugal subiu de forma expressiva em julho: foram registadas 163 insolvências, um acréscimo de 58% face ao mesmo mês de 2025, segundo o relatório mensal da Iberinform.
Dados gerais e tendência acumulada
Além do aumento pontual verificado em julho — que corresponde a mais 60 insolvências comparando com 2025 —, o relatório indica que no acumulado dos primeiros sete meses de 2026 o total de ações de insolvência cresceu 5,5% em relação a 2025. Esse aumento resulta de um crescimento de 2,8% nas insolvências apresentadas pelas próprias empresas e de 8,2% nas requeridas por terceiros.
Queda na constituição de empresas
Paralelamente, a constituição de sociedades sofreu um recuo acentuado em julho: foram criadas 3.695 novas empresas, menos 999 do que no mesmo mês do ano anterior, uma diminuição homóloga de 21%. No conjunto dos primeiros sete meses do ano, as constituições caíram 7,8%, totalizando 30.635 novas sociedades.
- Insolvências em julho: 163 (+58% face a 2025).
- Constituições em julho: 3.695 (‑21% face a 2025).
- Acumulado até julho: 30.635 constituições (‑7,8%).
Concentração regional e variações por distrito
Os distritos com maior número absoluto de insolvências são Lisboa, Porto e Braga, com 256, 221 e 138 casos, respetivamente. Contudo, o comportamento homólogo diverge: Lisboa registou um aumento de 14% nas insolvências, enquanto o Porto e Braga apresentaram reduções de 14% e 4,2%, respetivamente.
| Distrito | Insolvências (julho) |
|---|---|
| Lisboa | 256 |
| Porto | 221 |
| Braga | 138 |
Setores mais afetados e contrastes na criação de empresas
Por setores, os maiores aumentos de insolvências em termos homólogos observaram‑se nas telecomunicações (+50%), na hotelaria e restauração (+29%) e em outros serviços (+17%).
Na componente da constituição de sociedades, apenas o setor da construção e obras públicas registou crescimento (+5,7%). Em sentido oposto destacam‑se quedas relevantes em atividades como eletricidade, gás e água (‑37%), agricultura, caça e pesca (‑31%), telecomunicações (‑25%) e comércio a retalho (‑17%).
Distribuição da criação de empresas
Lisboa manteve a liderança na criação de sociedades no acumulado até julho, com 10.112 novas empresas, seguida do Porto (5.757) e de Setúbal (2.619). Todos estes distritos registaram, porém, decréscimos face ao período homólogo.
«estes indicadores revelam um contexto de maior pressão sobre o tecido empr
Interpretação e implicações
Os números da Iberinform apontam para um cenário em que aumentam as dificuldades de sobrevivência de empresas em vários sectores ao mesmo tempo que se desacelera a criação de novas sociedades. Para além do sinal directo sobre a saúde das empresas, estas tendências têm impacto potencial no emprego e na dinâmica económica regional.
Os efeitos não são uniformes: alguns distritos e sectores mostram resiliência ou comportamentos contraditórios — por exemplo, o crescimento nas constituições no sector da construção, frente a quebras significativas noutras áreas. Esta heterogeneidade torna necessário um acompanhamento próximo por parte de analistas económicos e decisores públicos para identificar causas específicas e medidas direcionadas.
O relatório da Iberinform, fornecedor de soluções de avaliação de risco de crédito, realça que os indicadores mensais devem ser lidos no contexto de variações sazonais e de fatores económicos mais amplos, mas sublinha a tendência de maior pressão sobre o tecido empresarial português.