O Governo da Índia adjudicou um contrato de 586 crore de rúpias (mais de US$ 60 milhões) para equipar a sua frota de blindados T‑90 Bhishma e T‑72 Ajeya com unidades de potência auxiliares (APU). A medida, formalizada em 21 de setembro de 2026 com a Accurate Industrial Controls Private Limited, destina‑se a reduzir o ruído e a emissão de calor quando o motor principal está desligado, mantendo ao mesmo tempo a prontidão dos sistemas de combate.
O que são as APUs e o que alimentam
As unidades de potência auxiliares são geradores compactos, instalados de forma discreta na carroçaria do veículo, capazes de fornecer entre 10 e 12 kW de potência. Segundo a descrição técnica do projecto, a APU alimenta diretamente os subsistemas essenciais do carro de combate sem recurso ao motor V‑92S2:
- sistema de controlo de tiro (FCS);
- circuito de disparo;
- sistema de estabilização do canhão principal;
- sensores de visão nocturna e câmaras térmicas;
- equipamento de radiocomunicação.
Impacto táctico e tecnológico
Ao permitir que estes subsistemas operem com o motor principal desligado, a Índia pretende reduzir a assinatura térmica dos blindados em cerca de 80% e possibilitar operações em modo silencioso, o que é especialmente relevante em cenários de emboscada ou defesa estática. A intervenção não altera armamento nem blindagem, sendo antes uma actualização electrónica e energética dos veículos.
Do ponto de vista táctico, a capacidade de manter sensores e comunicações activas sem o ruído e o calor característicos do motor principal limita a detecção por plataformas aéreas e por sistemas de vigilância que exploram a assinatura térmica, incluindo diversos modelos de veículos aéreos não tripulados (UAVs). Esta modernização aborda uma fragilidade frequentemente apontada nas plataformas de origem soviética/russa: a necessidade de manter o motor em funcionamento para operar plenamente os sistemas do veículo.
Elementos do contrato
O acordo foi celebrado com a Accurate Industrial Controls Private Limited e prevê a instalação das APUs na frota de T‑90 e T‑72. A fonte não especifica o número exacto de unidades a modernizar nem o cronograma detalhado de implementação, pelo que esses dados não são aqui acrescentados.
| Item | Valor/Descrição |
|---|---|
| Valor do contrato | 586 crore de rúpias (mais de US$ 60 milhões) |
| Fornecedor | Accurate Industrial Controls Private Limited |
| Modelos afectados | T‑90 Bhishma e T‑72 Ajeya |
| Potência da APU | 10–12 kW |
| Redução alegada da assinatura térmica | ~80% |
Riscos, limites e contexto
Embora as APUs reduzam ruído e calor, não substituem capacidades de mobilidade, protecção activa ou potência de fogo. A atualização responde a uma necessidade prática: manter a funcionalidade dos sensores e dos sistemas de tiro sem revelar a posição do veículo. No entanto, o alcance da melhoria dependerá de factores operacionais, do número de veículos equipados e das contramedidas do adversário.
Esta iniciativa insere‑se numa tendência mais vasta de modernizações que privilegiam a integração de electrónica de potência e sistemas sensoriais nos veículos blindados para mitigar vulnerabilidades provocadas pelo aumento da sensorização no campo de batalha.
Do ponto de vista tecnológico, a operação em modo «silencioso» e a redução da assinatura térmica são ganhos significativos numa era em que vigilância por sensores remotos e drones tem um papel cada vez maior. A implementação prática e os resultados em serviço real serão os indicadores a observar nos próximos meses e anos.