Saúde Ponta Delgada Açores

Hospital de Ponta Delgada propõe concursos para 45 enfermeiros para aliviar pressão nos serviços

O Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, apresentou ao Governo dos Açores um plano para abrir procedimentos concursais que prevê 45 postos na enfermagem, sustentado por um novo Observatório de Enfermagem que pretende apoiar o planeamento e a gestão dos cuidados.

Hospital de Ponta Delgada propõe concursos para 45 enfermeiros para aliviar pressão nos serviços
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, submeteu ao Governo dos Açores uma proposta para a abertura de procedimentos concursais que visam preencher 45 postos de trabalho na área da enfermagem. A iniciativa surge no quadro de uma reorganização interna que pretende reforçar as equipas, reduzir a pressão sobre serviços mais sobrecarregados e introduzir maior transparência na gestão dos cuidados.

Observatório de Enfermagem como base de decisão

A proposta do HDES assenta nos indicadores recolhidos pelo novo Observatório de Enfermagem da instituição, cujo portal foi recentemente lançado. Segundo o hospital, esta plataforma terá como função a «análise rigorosa, planeamento e transparência da gestão dos cuidados de enfermagem», servindo de suporte técnico para decisões sobre dimensionamento de recursos humanos e organização dos serviços.

«O Observatório de Enfermagem pretende constituir-se como uma plataforma de análise rigorosa, planeamento e transparência da gestão dos cuidados de enfermagem»

Na perspetiva do conselho de administração, sob proposta do enfermeiro diretor, Pedro Brázio, a utilização de dados sistematizados permitirá orientar medidas que respondam às necessidades concretas sentidas nos diferentes serviços do hospital, a maior unidade de saúde dos Açores.

Distribuição dos 45 postos e impactos financeiros e operacionais

Dos 45 postos propostos, 25 destinam-se à integração de enfermeiros na carreira geral, enquanto os restantes contemplam a regularização funcional de 10 enfermeiros especialistas e de 10 enfermeiros gestores. O hospital destaca que esta regularização corresponde, aproximadamente, a um terço dos profissionais que já desempenham essas funções.

  • 25 — enfermeiros para a carreira geral;
  • 10 — regularização de enfermeiros especialistas;
  • 10 — regularização de enfermeiros gestores.

O HDES estima que a integração de 25 enfermeiros na carreira geral permita reduzir em 25% o recurso a trabalho extraordinário, com uma poupança estimada em 422 mil euros. Além disso, espera-se que esta medida contribua para reforçar as dotações nos serviços mais pressionados e para diminuir em 10% as folgas e os períodos de descanso acumulados pelas equipas.

ItemValor
Total de postos propostos45
Carreira geral25
Enfermeiros especialistas10
Enfermeiros gestores10
Redução prevista do trabalho extraordinário25%
Poupança estimada422 000 €
Diminuição prevista de folgas acumuladas10%

Formalização de prevenções e continuidade do serviço

A proposta inclui também a atualização da Portaria n.º 76/2023, com o objetivo de formalizar as prevenções de enfermagem em áreas consideradas estratégicas no HDES, nomeadamente Hemodinâmica, Câmara Hiperbárica e Hospitalização Domiciliária. De acordo com o hospital, esta regularização das prevenções poderá ser concretizada «sem qualquer impacto financeiro acrescido».

Para os profissionais e para os utentes da região, a intenção é dupla: por um lado, garantir maior estabilidade funcional a quem já exerce funções especializadas ou de coordenação; por outro, reduzir encargos e fadiga associada a trabalho extraordinário, fatores que afetam a qualidade e a segurança dos cuidados, sobretudo numa ilha onde a logística e a disponibilidade de recursos humanos apresentam desafios próprios.

Contexto insular e próximos passos

Num arquipélago onde o acesso a cuidados especializados depende em larga medida da capacidade da unidade hospitalar matriz, medidas de reforço de pessoal assumem particular relevância. A redução do recurso a trabalho extraordinário e a formalização de funções podem também ter impacto na retenção de profissionais no sector público regional, um tema sensível nas ilhas, onde a mobilidade e as oportunidades profissionais variam face ao continente.

O plano de reorganização do HDES foi submetido à aprovação governamental. Resta agora aguardar a decisão do Governo dos Açores sobre a abertura dos procedimentos concursais e a concretização do calendário de integração dos profissionais, bem como a operacionalização do Observatório de Enfermagem como ferramenta de gestão contínua.

Enquanto isso, pacientes e equipas do hospital acompanham com expectativa as possíveis mudanças — numa cidade e num território onde cada reforço de capacidade hospitalar repercute-se imediatamente na vida das comunidades e na sustentabilidade dos cuidados prestados no mar e nas ilhas adjacentes.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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