O Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, submeteu ao Governo dos Açores uma proposta para a abertura de procedimentos concursais que visam preencher 45 postos de trabalho na área da enfermagem. A iniciativa surge no quadro de uma reorganização interna que pretende reforçar as equipas, reduzir a pressão sobre serviços mais sobrecarregados e introduzir maior transparência na gestão dos cuidados.
Observatório de Enfermagem como base de decisão
A proposta do HDES assenta nos indicadores recolhidos pelo novo Observatório de Enfermagem da instituição, cujo portal foi recentemente lançado. Segundo o hospital, esta plataforma terá como função a «análise rigorosa, planeamento e transparência da gestão dos cuidados de enfermagem», servindo de suporte técnico para decisões sobre dimensionamento de recursos humanos e organização dos serviços.
«O Observatório de Enfermagem pretende constituir-se como uma plataforma de análise rigorosa, planeamento e transparência da gestão dos cuidados de enfermagem»
Na perspetiva do conselho de administração, sob proposta do enfermeiro diretor, Pedro Brázio, a utilização de dados sistematizados permitirá orientar medidas que respondam às necessidades concretas sentidas nos diferentes serviços do hospital, a maior unidade de saúde dos Açores.
Distribuição dos 45 postos e impactos financeiros e operacionais
Dos 45 postos propostos, 25 destinam-se à integração de enfermeiros na carreira geral, enquanto os restantes contemplam a regularização funcional de 10 enfermeiros especialistas e de 10 enfermeiros gestores. O hospital destaca que esta regularização corresponde, aproximadamente, a um terço dos profissionais que já desempenham essas funções.
- 25 — enfermeiros para a carreira geral;
- 10 — regularização de enfermeiros especialistas;
- 10 — regularização de enfermeiros gestores.
O HDES estima que a integração de 25 enfermeiros na carreira geral permita reduzir em 25% o recurso a trabalho extraordinário, com uma poupança estimada em 422 mil euros. Além disso, espera-se que esta medida contribua para reforçar as dotações nos serviços mais pressionados e para diminuir em 10% as folgas e os períodos de descanso acumulados pelas equipas.
| Item | Valor |
|---|---|
| Total de postos propostos | 45 |
| Carreira geral | 25 |
| Enfermeiros especialistas | 10 |
| Enfermeiros gestores | 10 |
| Redução prevista do trabalho extraordinário | 25% |
| Poupança estimada | 422 000 € |
| Diminuição prevista de folgas acumuladas | 10% |
Formalização de prevenções e continuidade do serviço
A proposta inclui também a atualização da Portaria n.º 76/2023, com o objetivo de formalizar as prevenções de enfermagem em áreas consideradas estratégicas no HDES, nomeadamente Hemodinâmica, Câmara Hiperbárica e Hospitalização Domiciliária. De acordo com o hospital, esta regularização das prevenções poderá ser concretizada «sem qualquer impacto financeiro acrescido».
Para os profissionais e para os utentes da região, a intenção é dupla: por um lado, garantir maior estabilidade funcional a quem já exerce funções especializadas ou de coordenação; por outro, reduzir encargos e fadiga associada a trabalho extraordinário, fatores que afetam a qualidade e a segurança dos cuidados, sobretudo numa ilha onde a logística e a disponibilidade de recursos humanos apresentam desafios próprios.
Contexto insular e próximos passos
Num arquipélago onde o acesso a cuidados especializados depende em larga medida da capacidade da unidade hospitalar matriz, medidas de reforço de pessoal assumem particular relevância. A redução do recurso a trabalho extraordinário e a formalização de funções podem também ter impacto na retenção de profissionais no sector público regional, um tema sensível nas ilhas, onde a mobilidade e as oportunidades profissionais variam face ao continente.
O plano de reorganização do HDES foi submetido à aprovação governamental. Resta agora aguardar a decisão do Governo dos Açores sobre a abertura dos procedimentos concursais e a concretização do calendário de integração dos profissionais, bem como a operacionalização do Observatório de Enfermagem como ferramenta de gestão contínua.
Enquanto isso, pacientes e equipas do hospital acompanham com expectativa as possíveis mudanças — numa cidade e num território onde cada reforço de capacidade hospitalar repercute-se imediatamente na vida das comunidades e na sustentabilidade dos cuidados prestados no mar e nas ilhas adjacentes.