Ambiente

Governo vietnamita traça metas para o turismo impulsionar crescimento económico e prolongar estadias

O Vice‑Ministro do Turismo aprovou um plano com metas para 2026 visando crescimento de dois dígitos, aumento de receitas e prolongamento da duração média das estadias para contribuir para a meta de crescimento do PIB.

Governo vietnamita traça metas para o turismo impulsionar crescimento económico e prolongar estadias
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

O Executivo vietnamita aprovou um plano sectorial com objectivos ambiciosos para 2026 com vista a reforçar o contributo do turismo para a economia nacional. A iniciativa, formalizada pela Decisão nº 2338/QD‑BVHTTDL, visa acelerar o crescimento do sector nos meses que faltam de 2026 e preparar o terreno para a fase 2027–2030, ligando metas de tráfego turístico a ganhos de qualidade e valor acrescentado.

Objectivos numéricos e prioridades

O Ministério da Cultura, Desporto e Turismo definiu metas concretas para 2026: receber entre 25 e 27 milhões de visitantes internacionais, acolher entre 150 e 153 milhões de deslocações domésticas e gerar uma receita turística total estimada entre 1 125 e 1 230 biliões de dongs vietnamitas (VND). O enquadramento exige que este crescimento contribua para a meta de um aumento do Produto Interno Bruto nacional de pelo menos 10% em 2026, mantendo a estabilidade macroeconómica e a inflação sob controlo.

Estratégia e instrumentos previstos

O plano concentra esforços em produtos de maior valor acrescentado, destacando o desenvolvimento de ofertas nocturnas, entretenimento e eventos de grande escala, com o objectivo de prolongar a duração das estadias e aumentar os gastos por turista. São também elaborados cenários em múltiplos níveis para preparar respostas a flutuações de procura e a choques externos, nomeadamente conflitos regionais que possam afectar mercados emissores de turistas.

  • Crescimento de dois dígitos como horizonte para os meses finais de 2026;
  • Foco na qualidade e na capacidade do sector para gerar valor agregado, em vez de apenas aumentar o número de visitantes;
  • Preparação de cenários para lidar com incertezas geopolíticas e variações de mercado.

Localizações e articulação política

Metas de crescimento foram atribuídas a 11 localidades consideradas estratégicas, embora o plano fixe também orientações nacionais para alinhar investimento, promoção e eventos. A medida integra‑se nas resoluções governamentais recentes que actualizam cenários de crescimento e definem metas territoriais para o período 2026–2030, bem como na Resolução nº 26 do Politburo que enaltece o turismo como sector económico chave.

Indicador Meta para 2026
Visitantes internacionais 25–27 milhões
Turistas domésticos 150–153 milhões
Receita turística 1 125–1 230 biliões VND

Riscos e equilibrios a considerar

A estratégia enfatiza a necessidade de crescimento sustentado e de «qualidade, eficiência e capacidade de gerar valor acrescentado», segundo o enquadramento político. Isto sugere um reconhecimento explícito dos trade‑offs entre expansão rápida e pressões sobre recursos naturais, infra‑estruturas locais e comunidades receptoras. A aposta em eventos e oferta nocturna pode aumentar receitas e estadias, mas exigirá medidas de planeamento territorial, gestão de impactes ambientais e reforço de capacidades de gestão local para evitar degradação de ecossistemas sensíveis.

Para além dos benefícios económicos, a operacionalização do plano colocará desafios de coordenação intersectorial: promoção, logística, conservação ambiental, segurança pública e monitorização de fluxos turísticos terão de ser alinhados para que o crescimento não comprometa activos naturais e sociais.

No horizonte de 2027–2030, o documento prepara o sector para uma fase de desenvolvimento mais estruturada, condicionada à gestão de riscos externos e à capacidade de elevar o valor por visitante em vez de depender apenas do aumento de tráfego.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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