O Executivo vietnamita aprovou um plano sectorial com objectivos ambiciosos para 2026 com vista a reforçar o contributo do turismo para a economia nacional. A iniciativa, formalizada pela Decisão nº 2338/QD‑BVHTTDL, visa acelerar o crescimento do sector nos meses que faltam de 2026 e preparar o terreno para a fase 2027–2030, ligando metas de tráfego turístico a ganhos de qualidade e valor acrescentado.
Objectivos numéricos e prioridades
O Ministério da Cultura, Desporto e Turismo definiu metas concretas para 2026: receber entre 25 e 27 milhões de visitantes internacionais, acolher entre 150 e 153 milhões de deslocações domésticas e gerar uma receita turística total estimada entre 1 125 e 1 230 biliões de dongs vietnamitas (VND). O enquadramento exige que este crescimento contribua para a meta de um aumento do Produto Interno Bruto nacional de pelo menos 10% em 2026, mantendo a estabilidade macroeconómica e a inflação sob controlo.
Estratégia e instrumentos previstos
O plano concentra esforços em produtos de maior valor acrescentado, destacando o desenvolvimento de ofertas nocturnas, entretenimento e eventos de grande escala, com o objectivo de prolongar a duração das estadias e aumentar os gastos por turista. São também elaborados cenários em múltiplos níveis para preparar respostas a flutuações de procura e a choques externos, nomeadamente conflitos regionais que possam afectar mercados emissores de turistas.
- Crescimento de dois dígitos como horizonte para os meses finais de 2026;
- Foco na qualidade e na capacidade do sector para gerar valor agregado, em vez de apenas aumentar o número de visitantes;
- Preparação de cenários para lidar com incertezas geopolíticas e variações de mercado.
Localizações e articulação política
Metas de crescimento foram atribuídas a 11 localidades consideradas estratégicas, embora o plano fixe também orientações nacionais para alinhar investimento, promoção e eventos. A medida integra‑se nas resoluções governamentais recentes que actualizam cenários de crescimento e definem metas territoriais para o período 2026–2030, bem como na Resolução nº 26 do Politburo que enaltece o turismo como sector económico chave.
| Indicador | Meta para 2026 |
|---|---|
| Visitantes internacionais | 25–27 milhões |
| Turistas domésticos | 150–153 milhões |
| Receita turística | 1 125–1 230 biliões VND |
Riscos e equilibrios a considerar
A estratégia enfatiza a necessidade de crescimento sustentado e de «qualidade, eficiência e capacidade de gerar valor acrescentado», segundo o enquadramento político. Isto sugere um reconhecimento explícito dos trade‑offs entre expansão rápida e pressões sobre recursos naturais, infra‑estruturas locais e comunidades receptoras. A aposta em eventos e oferta nocturna pode aumentar receitas e estadias, mas exigirá medidas de planeamento territorial, gestão de impactes ambientais e reforço de capacidades de gestão local para evitar degradação de ecossistemas sensíveis.
Para além dos benefícios económicos, a operacionalização do plano colocará desafios de coordenação intersectorial: promoção, logística, conservação ambiental, segurança pública e monitorização de fluxos turísticos terão de ser alinhados para que o crescimento não comprometa activos naturais e sociais.
No horizonte de 2027–2030, o documento prepara o sector para uma fase de desenvolvimento mais estruturada, condicionada à gestão de riscos externos e à capacidade de elevar o valor por visitante em vez de depender apenas do aumento de tráfego.