Ambiente

Governo prepara solução para resíduos no Algarve com investimento até 300 milhões e horizonte 2034

A Ministério do Ambiente anuncia estudo para uma unidade de tratamento e valorização dos resíduos do Algarve, face a aterros próximos da capacidade e produção anual de cerca de 400 mil toneladas. Concurso da APA arranca em outubro.

Governo prepara solução para resíduos no Algarve com investimento até 300 milhões e horizonte 2034
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

O executivo lançou o processo para definir uma solução estrutural de tratamento e valorização dos resíduos urbanos no Algarve, uma região que gera cerca de 400 mil toneladas de resíduos por ano e onde os aterros existentes se aproximam dos seus limites de capacidade. O anúncio, destacado pelo PSD Algarve, aponta para um investimento que pode chegar a 300 milhões de euros e para uma data de entrada em funcionamento prevista para 2034.

Antecedentes e calendário

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) deverá abrir, a 15 de outubro, um concurso para estudar as tecnologias possíveis e a localização da futura unidade, procedimento que está a ser conduzido em articulação com os municípios algarvios. O objectivo é encontrar uma solução de longo prazo que permita reduzir a deposição em aterro e assegurar capacidade de tratamento e valorização nas próximas décadas.

Alternativas em análise

Entre as opções em estudo figura a valorização energética dos resíduos, que aproveitaria uma fração dos materiais não suscetíveis de reutilização ou reciclagem para produção de energia, em alternativa ao destino atual para aterro. O PSD Algarve defende que qualquer decisão desta dimensão deve obedecer a princípios técnicos e ambientais rigorosos e ser tomada em estreita concertação com os municípios.

  • Produção anual de resíduos: cerca de 400 mil toneladas.
  • Investimento estimado: até 300 milhões de euros (valor avançado pelo PSD Algarve).
  • Prazo de funcionamento previsto: 2034.
  • Concurso da APA: início previsto a 15 de outubro para estudo de soluções tecnológicas e localização.

Pressões locais e exigência de política de resíduos

O argumento central dos responsáveis políticos locais e regionais é a necessidade de preparar uma resposta estrutural face ao aumento populacional sazonal do Algarve — uma região com forte pressão turística que multiplica a geração de resíduos em períodos específicos do ano. O PSD sublinha que, apesar das ampliações previstas nos aterros de Loulé e Portimão, será insuficiente confiar apenas em novas ampliações e deposição.

«continua a encaminhar uma parte muito significativa para aterro»

O partido exige que a solução a implementar integre uma estratégia exigente de prevenção, redução, reutilização e reciclagem, de modo a diminuir de forma substancial a quantidade de material que acaba por ser depositado em aterro.

Implicações ambientais e de planeamento

A opção por unidades de valorização — seja por via térmica com recuperação energética, seja por outras tecnologias de valorização material — implica avaliação cuidada dos impactos atmosféricos, da gestão de cinzas e resíduos residuais, da aceitabilidade local e da integração com circuitos de reciclagem e compostagem existentes. A decisão terá também consequências sobre o sistema de recolha seletiva e as políticas locais de redução, pois a eficácia de qualquer instalação diminui se o fluxo de resíduos não for previamente melhor orientado para a reciclagem e compostagem.

O processo anunciado pela APA, que inclui o estudo de localização, será determinante para aferir impactos territoriais e de saúde pública, bem como para definir medidas de mitigação. A concertação com municípios, referida no anúncio, será igualmente crucial para garantir aceitabilidade social e coordenação intermunicipal na recolha e encaminhamento dos fluxos de resíduos.

Próximos passos

Com o concurso marcado para outubro, a fase de diagnóstico e estudo técnico deverá clarificar as alternativas exequíveis e os critérios para escolha do local. A partir daí seguem-se as fases de projecto, licenciamento e, por fim, construção — um calendário que explica a previsão do horizonte de operação para 2034. Até lá, a gestão do parque de aterros e as medidas de prevenção e separação de resíduos permanecerão centrais para reduzir riscos e custos ambientais.

O processo coloca também uma questão política: como equilibrar a necessidade de infraestruturas de tratamento com exigências ambientais, financeiras e de proximidade aos territórios. A discussão promete ser acompanhada de perto por autarquias, operadores e sociedade civil, face ao impacto a longo prazo na sustentabilidade do modelo de gestão de resíduos do Algarve.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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