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Governo dos Açores admite dívida de €560 mil a operadores de transporte escolar

Executivo regional diz dever mais de €560 mil a empresas e instituições que prestam transporte escolar em oito das nove ilhas; atrasos provocaram suspensão temporária do serviço para 57 alunos.

Governo dos Açores admite dívida de €560 mil a operadores de transporte escolar
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

O Governo Regional dos Açores confirmou que tem em atraso pagamentos no montante de 560.189,95 euros a empresas e instituições que asseguram o transporte escolar nas ilhas, segundo resposta dada a um requerimento parlamentar do Chega. Os atrasos, que remontam em alguns casos ao final de 2025, afetam fornecedores em oito das nove ilhas do arquipélago e já motivaram, em situações pontuais, a suspensão do serviço.

Distribuição geográfica da dívida

Daquele total, quase metade — 250 mil euros — está em dívida a operadores que prestam serviço em São Miguel, a maior ilha do arquipélago. Seguem-se a Terceira com 164 mil euros, o Pico com 45 mil euros, o Faial com 37 mil euros e São Jorge com 36 mil euros. O executivo regional referiu que, no conjunto, mais de 80 fornecedores são credores por serviços prestados às escolas nas diversas ilhas.

Ilha Montante em dívida (€)
São Miguel 250.000
Terceira 164.000
Pico 45.000
Faial 37.000
São Jorge 36.000

Como funciona o pagamento e por que surgem atrasos

O Governo Regional explica que, nos Açores, o serviço de transporte escolar é prestado diretamente pelos fornecedores aos fundos escolares — 39 no total — que têm autonomia administrativo‑financeira. São esses fundos que recebem e processam as faturas e que depois as remetem para a Direção Regional da Educação e para a Direção Regional do Orçamento e Tesouro para efeitos de pagamento.

Na resposta parlamentar, datada de 18 de agosto, o executivo admite que “em alguns casos, a entrega tardia da respetiva fatura, por parte dos fornecedores, e o registo tardio por parte dos serviços administrativos dos fundos escolares causam atrasos no pagamento aos fornecedores de transporte escolar”.

«Em alguns casos, a entrega tardia da respetiva fatura, por parte dos fornecedores, e o registo tardio por parte dos serviços administrativos dos fundos escolares causam atrasos no pagamento aos fornecedores de transporte escolar»

Impacto prático nas ilhas

Os atrasos nos pagamentos levaram alguns fornecedores a suspender o serviço, embora o Executivo diga que essa medida apenas afetou 57 alunos durante uma semana. Apesar de numericamente reduzido face ao universo global, tal acontecimento expõe a fragilidade logística do transporte escolar num território arquipelágico como os Açores, onde as distâncias entre casa e escola e a dependência de operadores locais tornam o sistema particularmente sensível a rupturas financeiras.

O transporte escolar na região cobre mais de 6.000 alunos e é prestado por um conjunto diverso de entidades: empresas de viação, táxis e agências de viagem. A dispersão geográfica e a sazonalidade do arquipélago implicam uma coordenação administrativa que, segundo o Governo, está sujeita a falhas no circuito de faturação e registo.

Processamento de pagamentos e próximos passos

Em reação às perguntas do Chega, o executivo esclareceu que já se encontram em processamento pagamentos no valor de 560.189,95 euros, correspondendo 415.239,11 euros a faturas do mês de junho e 102.706,99 euros a faturas de maio. A comunicação oficial indica, assim, que os montantes reconhecidos passaram para a fase de liquidação.

Entre as questões que persistem está a uniformização dos prazos e procedimentos entre os fundos escolares e as direções regionais, para evitar que a entrega tardia de documentos e os registos administrativos voltem a gerar incumprimentos. Numa região em que muitas comunidades dependem de um serviço de transporte escolar regular para o acesso à escola, a fiabilidade dos pagamentos é um elemento central para a coesão social e para a sustentabilidade das empresas locais que prestam essas carreiras.

  • Montante reconhecido: 560.189,95 euros em atrasos de pagamento.
  • Ilhas afetadas: oito das nove ilhas do arquipélago.
  • Alunos impactados: suspensão temporária afetou 57 alunos durante uma semana; o sistema serve mais de 6.000.

O episódio coloca, uma vez mais, a questão da gestão financeira e administrativa dos serviços públicos em contexto insular, onde atrasos e rupturas têm repercussões imediatas na vida quotidiana das famílias e na economia de pequenas empresas locais. O processamento em curso dos pagamentos anunciados será acompanhado pelas entidades envolvidas com vista a restaurar a normalidade do serviço e a prevenir novas ocorrências.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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