O plano de governo apresentado pelo candidato à reeleição em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), coloca a tecnologia e o reforço operativo como eixos centrais para a área da segurança pública. Entre as medidas previstas figuram a criação de um batalhão especializado em patrulhamento motorizado, o emprego ampliado de sistemas de identificação por imagem e a constituição de um centro de inteligência destinado a integrar diferentes forças.
BRAVO: patrulhas em motocicleta com segundo elemento armado
Uma das propostas mais destacadas é a formação do denominado BRAVO — Batalhão de Resposta Avançada Operacional, concebido para atuar sobretudo em zonas de difícil acesso e em locais onde crimes praticados por indivíduos em motocicleta são mais frequentes. A estrutura operacional prevê que duas viaturas ocupem uma única moto: o piloto conduz a motocicleta e um segundo policial, posicionado na garupa, ficará responsável pela segurança imediata e pelo armamento.
O modelo anunciado inspira-se numa iniciativa semelhante adotada pela polícia do Ceará. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, já foram adquiridas cerca de 500 motocicletas antes do início das restrições eleitorais, e os agentes encontram-se em processo de formação. A previsão é de que a operação piloto arranque ainda este ano, com a intenção de incorporar a unidade como componente duradouro das políticas de segurança num eventual segundo mandato.
Inteligência artificial e câmaras: o sistema Snapshot
No capítulo tecnológico, o plano prevê a expansão do uso de inteligência artificial nas câmaras policiais. Um dos sistemas descritos, designado Snapshot, permitirá a captura de imagens faciais durante abordagens para comparação automática com bases de dados de procurados pela Justiça. A proposta contempla ainda um comando nas câmaras corporais dos agentes para registar fotografias no decurso do patrulhamento, inclusive em grandes concentrações humanas, como eventos e partidas de futebol.
Atualmente, a verificação depende do envio dos dados do abordado para uma central, procedimento que o Snapshot pretende automatizar e acelerar. A medida levanta questões práticas e jurídicas sobre procedimentos de identificação, proteção de dados e garantias sobre uso das imagens em contexto de massa.
Integração entre forças: criação do SPCIN
Outro componente do plano é a criação do SPCIN (Centro de Inteligência e Inovação em Segurança Pública), destinado a integrar operações e informação entre a Polícia Militar, Polícia Civil, sistema penal e a Guarda Civil Metropolitana. A infraestrutura projetada ficará na área central da capital, próxima ao atual Batalhão de Choque da Polícia Militar, e deverá incorporar o sistema conhecido como Muralha Paulista.
O documento cita, ainda, a intenção de olhar para modelos internacionais, mencionando experiências de centros de segurança em países como China e Japão como fontes de referência. Não há, na descrição pública, pormenores sobre modelos de governação desses centros nem sobre salvaguardas específicas para direitos civis e privacidade.
- BRAVO: patrulhamento motorizado com dupla ocupação (piloto e policial armado na garupa).
- 500 motocicletas: veículos já adquiridos e em fase de treinamento dos efetivos.
- Snapshot: sistema de IA para identificação facial em câmaras e câmaras corporais.
- SPCIN: centro de integração entre polícias e Guarda Civil Metropolitana.
| Medida | Estado atual |
|---|---|
| Aquisição de motocicletas | Cerca de 500 unidades compradas |
| Formação de policiais para BRAVO | Policiais em treino |
| Implementação do Snapshot | Previsto para ampliar consultas automáticas |
As propostas combinam respostas operacionais imediatas — como o emprego de motocicletas e reforço do policiamento em áreas de difícil circulação — com iniciativas tecnológicas que visam acelerar identificação e a partilha de informação. No entanto, a concretização destas medidas exigirá não só investimento em equipamento e formação, mas também definição clara de protocolos, supervisão e critérios para uso de dados biométricos.
Do ponto de vista prático, a integração entre diferentes corporações de segurança e a automação de consultas a bases de dados podem reduzir tempos de resposta e aumentar a eficácia investigativa. Por outro lado, introduzem desafios sobre o tratamento de imagens, respetiva conservação e eventuais impactos sobre direitos fundamentais — matérias que tendem a merecer atenção de órgãos reguladores, tribunais e sociedade civil.
A calendarização oficial aponta para o início da operação piloto ainda este ano, mas a transformação das propostas em políticas permanentes dependerá de avaliação operativa, resultados práticos e do enquadramento legal que vier a ser definido para o uso de tecnologias de reconhecimento e para a gestão do novo centro de inteligência.