Economia

Governo avança com Estratégia Industrial Verde; ZERO apelida iniciativa de oportunidade histórica

A associação ZERO considera que a Estratégia Industrial Verde prevista na Lei de Bases do Clima pode ser uma «oportunidade histórica» para definir uma visão de longo prazo para a economia portuguesa, apelando à integração do Regulamento Europeu para a Aceleração Industrial e à realização de Avaliação Ambiental Estratégica.

Governo avança com Estratégia Industrial Verde; ZERO apelida iniciativa de oportunidade histórica
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O Governo decidiu avançar com a elaboração da Estratégia Industrial Verde, prevista na Lei de Bases do Clima. A associação ambientalista ZERO considera que a iniciativa pode constituir uma «oportunidade histórica» para enquadrar uma visão de longo prazo da economia portuguesa, desde que a estratégia seja concebida de forma a promover uma transformação estrutural e não apenas um crescimento industrial tradicional.

Exigência de avaliação e alinhamento europeu

A ZERO defende que a Estratégia deve incorporar o futuro Regulamento Europeu para a Aceleração Industrial (Industrial Accelerator Act) e ser sujeita a Avaliação Ambiental Estratégica. O objetivo, segundo a associação, é garantir o envolvimento dos parceiros sociais, incluindo Organizações Não Governamentais de Ambiente, e assegurar que as opções políticas considerem os impactos ambientais de forma sistemática.

«A transformação ecológica exige uma política industrial ativa, capaz de orientar investimento, conhecimento, inovação e capacidade produtiva para objetivos de interesse público».

O comunicado da ZERO sublinha que a proposta da Comissão Europeia reforça a necessidade de uma política industrial que oriente investimento e inovação para os objetivos da transição ecológica, numa perspetiva de interesse público.

Objetivos e prioridades apontadas pela ZERO

Para a associação é fundamental que a Estratégia Industrial Verde não seja reduzida a um instrumento de mera promoção do crescimento industrial. Em vez disso, deve centrar-se em:

  • reduzir as emissões e alinhar a capacidade produtiva com metas climáticas;
  • reforçar a autonomia estratégica do país, diminuindo dependências externas;
  • promover a circularidade dos materiais ao longo das cadeias de valor;
  • aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento;
  • incentivar cadeias de valor mais completas em Portugal, evitando a exportação de recursos em bruto.

A ZERO exemplifica a problemática com sectores em que Portugal exporta matérias-primas, como concentrados de cobre e espodumena, cujas fases de transformação e valorização económica acontecem maioritariamente fora do país. A associação defende, assim, políticas que favoreçam a transformação e valorização interna desses recursos.

Quem vai elaborar a proposta

O processo de elaboração da proposta da Estratégia Industrial Verde ficará a cargo de entidades públicas: ADENE e IAPMEI foram apontadas como responsáveis por preparar a proposta. A participação destas agências indica que o Governo pretende ligar a estratégia a competências técnicas sobre eficiência energética, promoção da indústria e apoio às PME.

Elemento Expectativa/Objetivo
Incorporação do Regulamento Europeu Alinhar política industrial com instrumentos da EU
Avaliação Ambiental Estratégica Garantir participação e considerar impactos ambientais
Foco na cadeia de valor Promover transformação interna e circularidade

Consequências e desafios

A proposta da ZERO coloca a tónica na necessidade de a Estratégia Industrial Verde orientar investimento e inovação para finalidades públicas e ambientais, o que implica escolhas políticas concretas sobre onde canalizar apoios e incentivos. Entre os principais desafios apontados está a mudança de um modelo económico que, por vezes, privilegia a exportação de recursos pouco transformados, transferindo o ganho de valor para fora de Portugal.

Se adotada nessa perspetiva, a Estratégia poderá influenciar vários vectores económicos: padrões de investimento, prioridades de inovação, desenho de apoios às empresas e articulação com fundos europeus. A ênfase na circularidade e na resiliência das cadeias de abastecimento responde também a vulnerabilidades recentes, expostas por choques globais e pela necessidade de reduzir dependências estratégicas.

Resta agora acompanhar a fase técnica de elaboração liderada pela ADENE e pelo IAPMEI, a calendarização das avaliações ambientais e o envolvimento dos parceiros sociais, para avaliar se a Estratégia se traduzirá numa orientação de política pública que combine objectivos climáticos, valorização económica interna e segurança estratégica.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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