O Ministério da Educação considera que a subida do número de estudantes colocados na primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNAES) está ligada sobretudo à reposição das regras de ingresso anteriormente vigentes. Em entrevista à RTP, o ministro afirmou que os resultados confirmam as previsões do Governo e aproximam-se dos valores registados nos concursos entre 2020 e 2024.
Resultados e comparação com anos anteriores
Dos mais de 60 mil candidatos à primeira fase do CNAES, 49 991 alunos conseguiram colocação numa instituição de ensino superior pública. Trata‑se de um aumento de 6 092 colocados em relação a 2025, quando se registaram 43 899 colocações — o valor mais baixo desde 2017.
| Ano | Colocações (1.ª fase) |
|---|---|
| 2020 | >50 900 |
| 2021–2024 (médias) | ~49 000 |
| 2025 | 43 899 |
| 2026 | 49 991 |
O ministro explicou que o decréscimo registado em 2025 aconteceu na sequência da aplicação de novas condições para a conclusão do ensino secundário e para o acesso ao ensino superior, que exigiam um mínimo de duas provas de ingresso. Em janeiro, o Governo anunciou a reversão dessas regras, permitindo que as instituições voltem a exigir apenas uma prova de ingresso — medida que, segundo o ministério, contribuiu para a recuperação do número de colocados.
Reapreciações e processo de classificação
Foram ainda analisadas as consequências das falhas no processo de classificação dos exames nacionais, que decorreram pela primeira vez em formato digital e que provocaram atrasos na divulgação das notas. O número de pedidos de reapreciação triplicou face aos anos anteriores, mas o ministro afastou que esse fator tenha sido determinante para o aumento das candidaturas e das colocações.
- Cerca de 76% dos alunos que pediram reapreciação melhoraram a classificação;
- Percentagem próxima da habitual — segundo o ministério, cerca de 70% nos anos anteriores;
- Falhas na primeira avaliação digital dos exames obrigaram a reapreciações e atrasos na divulgação das notas.
O ministério sublinha que as previsões do Governo se confirmaram e que os valores de 2026 aproximam‑se dos números registados em anos recentes, apontando para um regresso aos patamares anteriores à alteração das regras em 2024/2025.
Contexto e consequências para a comunidade escolar
O impacto da reposição das regras é multifacetado: para os estudantes, abre‑se uma maior possibilidade de acesso à oferta pública do ensino superior; para as instituições, reintroduz‑se flexibilidade na exigência de provas de ingresso; para o sistema de avaliação, as falhas de 2026 colocam questões sobre a transição para processos digitais de classificação.
As alterações no acesso levantam ainda debates sobre equidade e qualidade de seleção, bem como sobre a necessidade de processos robustos e fiáveis na classificação de exames nacionais. A evolução das colocações nos próximos concursos será acompanhada de perto pelo ministério e pela comunidade escolar, que exigem clarificação e estabilidade nas regras de ingresso.
O próprio ministro reconheceu a diferença nos padrões verificados entre 2025 e 2026, atribuindo a variação essencialmente à alteração normativa e não a um fenómeno conjuntural ligado às reapreciações.
O anúncio reacende o foco nas políticas de acesso ao ensino superior e na capacidade do sistema educativo para assegurar critérios estáveis e previsíveis, com implicações diretas para alunos, famílias e instituições de ensino.