Ambiente

Governo admite perturbações no arranque do Sistema Volta e aponta necessidade de mais máquinas e fiscalização

A ministra do Ambiente reconheceu dificuldades iniciais no funcionamento do Sistema Volta, atribuindo-as ao depósito de embalagens na via pública, à falta de equipamento e a comportamentos de procura de reembolsos. Reforçou a responsabilidade partilhada entre a entidade gestora e os municípios e destacou que Portugal suportou €600 milhões por plástico não reciclado nos últimos três anos.

Governo admite perturbações no arranque do Sistema Volta e aponta necessidade de mais máquinas e fiscalização
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

A ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, admitiu esta terça-feira a existência de «perturbações» no arranque do Sistema Volta, o sistema de depósito e reembolso de embalagens recentemente implementado em Portugal. Entre as causas apontadas estão a deposição de embalagens na via pública, a insuficiência de máquinas de recolha e comportamentos de procura de reembolsos junto de contentores e resíduos urbanos.

Problemas identificados e medidas em curso

Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, após reuniões na Comissão Europeia, a governante afirmou que as situações detetadas «estão a ser analisadas e resolvidas caso a caso» e sublinhou que, tal como noutros países europeus, o início de operação do sistema tem sido complexo. Portugal foi o 18.º país a implementar o sistema, acrescentou.

«O Sistema Volta […] é um sistema europeu em que vai ser obrigatório em todos os países europeus e nós fomos o 18º país a implementar esse sistema. Em todos eles, no início, houve perturbações, portanto é um sistema que é complexo, mas é muito útil para reutilizar as garrafas de plástico e tudo o que é, latas», disse a ministra.

Entre as dificuldades já identificadas, Maria da Graça Carvalho destacou grandes eventos e festivais como um dos primeiros pontos de tensão — situação que, segundo a ministra, já foi resolvida. Outro problema assinalado tem vindo a ser a ação de pessoas que revolvem o lixo doméstico ou de rua à procura de embalagens para obter o respetivo reembolso.

Responsabilidades e soluções propostas

A ministra apontou para a necessidade de reforçar a fiscalização e de envolver os municípios na localização das máquinas de recolha e no acompanhamento do funcionamento do sistema. Explicou que a fiscalização é uma responsabilidade partilhada entre a SDR Portugal, a associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do Sistema de Depósito e Reembolso, e os municípios, que mantêm competências na recolha e gestão dos resíduos.

Para mitigar o problema das pessoas que procuram embalagens em contentores, está a ser estudada a colocação de recipientes próprios junto aos locais de deposição de resíduos. Adicionalmente, decorrem reuniões com o setor da hotelaria, restauração e afins para ultrapassar dificuldades práticas na aplicação do sistema.

  • Reforço da fiscalização — responsabilidade partilhada entre SDR Portugal e municípios;
  • Aumentar o número de máquinas de recolha — necessidade apontada pela ministra para garantir cobertura;
  • Mediadas específicas — recipientes dedicados e diálogo com setores económicos mais afetados.

Impacto económico já contabilizado

Na intervenção citada pela comunicação social, a ministra recordou ainda um dado económico relevante: nos últimos três anos, Portugal terá suportado 600 milhões de euros relativos ao plástico não reciclado. O valor serve para sublinhar a importância de sistemas que aumentem as taxas de retorno e de reutilização de embalagens, tanto por razões ambientais como por impacto financeiro.

Item Detalhe
País de implementação 18.º país europeu
Custo do plástico não reciclado €600 milhões nos últimos três anos (Portugal)
Entidade gestora SDR Portugal (associação sem fins lucrativos)

As declarações da ministra apontam para um processo de transição em que «todos os problemas estão a ser vistos» e muitos já começaram a ser corrigidos. No entanto, a ênfase recai na necessidade de acautelar o funcionamento prático do sistema no terreno — desde a localização e número de máquinas até à coordenação com os municípios e setores económicos afetados.

O discurso do Executivo privilegia a ideia de que a implementação de um sistema europeu como o Sistema Volta implica um período de ajustamento e vigilância, mas que, a prazo, permitirá reduzir a presença de embalagens na via pública e aumentar as taxas de reutilização e reciclagem. A forma como serão operacionalizadas as propostas de fiscalização e reforço de equipamento, bem como as soluções para grandes eventos e locais de alta rotatividade, será determinante para a aceitação pública e eficiência do sistema nos próximos meses.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

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