A ministra da Saúde admitiu esta quinta‑feira a existência de uma falta de anestesiologistas na Unidade Local de Saúde (ULS) de São José, em Lisboa, e em "outros locais" do país, reconhecendo que o problema está particularmente visível na região de Lisboa e Vale do Tejo.
Impacto sazonal e dificuldade nas escalas
Em declarações aos jornalistas, após participar numa dádiva de sangue em Lisboa, Ana Paula Martins explicou que a carência se acentua nos meses de verão, quando muitos médicos gozam férias. A ministra classificou a anestesiologia como "uma área difícil" e explicou que unidades com vários hospitais e serviços enfrentam maiores problemas ao organizar escalas de urgência e a cobertura dos blocos operatórios.
«No verão temos sempre situações mais críticas, porque os médicos têm as suas férias e existem menos recursos humanos do que aqueles que precisaríamos para ter equipas mais reforçadas. Um dos casos é a anestesiologia.»
A titular da pasta referiu ainda que, apesar dessas dificuldades, a ULS de São José tem vindo a atrair clínicos: no último concurso entraram 85 médicos, segundo a ministra. No entanto, salientou que a especialidade de anestesiologia continua a merecer atenção especial por parte do Governo.
Medidas e limitações: concursos e formação
Ana Paula Martins disse que o Executivo tem procurado responder ao problema com contratação, abrindo concursos e, este ano, pela primeira vez, vagas designadas como "vagas carenciadas" foram publicadas para algumas unidades, nomeadamente para a ULS de São José e para a ULS de Santa Maria — dois hospitais universitários. A ministra sublinhou, porém, que a capacidade de resposta depende também dos locais de formação e do número de vagas no internato.
Sobre o internato de especialidade, a governante expressou a expectativa de que os concursos futuros venham a oferecer um número «um bocadinho superior» de vagas para anestesiologia, mas salientou que formar um anestesiologista exige vários anos, pelo que não se trata de uma solução imediata.
Reações sindicais
O alerta para a situação partiu do Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS), que denunciou uma "grave escassez" de anestesiologistas na ULS de São José. O sindicato recomendou que especialistas considerem avançar com declarações de escusa de responsabilidade como forma de proteção profissional face às condições no terreno.
Consequências para a atividade assistencial
A falta de anestesiologistas pode condicionar tanto a atividade programada como a resposta em situações de urgência. A dificuldade em compor escalas pode levar a:
- redução de cirurgias programadas ou adiamento de intervenções;
- aumento da pressão sobre serviços de urgência e sobre os profissionais em serviço;
- possíveis limitações na capacidade de resposta dos blocos operatórios.
O Governo assumiu o compromisso de continuar a tentar contratar mais anestesiologistas, mas as soluções imediatas dependem da disponibilidade de profissionais no mercado e da organização das equipas hospitalares.
| Unidade mencionada | Problema apontado |
|---|---|
| ULS de São José (Lisboa) | Escassez de anestesiologistas; escalas e blocos afetados |
| ULS de Santa Maria | Identificada como área com vagas carenciadas |
Fontes sindicais defendem medidas de proteção para os profissionais, enquanto o Ministério da Saúde procura aumentar vagas e contratação. A ministra realçou a necessidade de conciliar soluções de curto prazo — contratação e concursos — com medidas estruturais de formação, uma vez que a especialidade exige um longo período de formação.
Perante este quadro, hospitais e autoridades de saúde enfrentam o desafio de garantir a continuidade dos cuidados, mitigando o impacto nas listas de espera e nas urgências, sem comprometer a segurança dos doentes nem a saúde dos profissionais.