A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) de Goiás emitiu orientações dirigidas às escolas da rede estadual para mitigar riscos à saúde provocados pelo atual período de calor intenso. Entre as recomendações estão a realização, sempre que possível, das aulas de Educação Física no interior das escolas ou em horários de menor incidência solar, a suspensão de atividades físicas de elevado esforço entre as 10h e as 16h e a interrupção imediata das sessões sempre que as condições climáticas ofereçam risco.
Medidas práticas para as unidades escolares
No comunicado, a Seduc indica um conjunto de medidas a adotar nas salas de aula e nos espaços exteriores para reduzir a exposição ao calor e prevenir problemas como desidratação e esgotamento térmico. As recomendações incluem o uso dos equipamentos de climatização disponíveis — como ventiladores e ar condicionado — a manutenção de portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e a previsão de pausas regulares para hidratação. Também é enfatizada a escolha de roupas leves e a atenção especial a crianças, adolescentes e a pessoas com doenças crónicas.
- Realizar aulas de Educação Física dentro da escola ou em horários de menor incidência solar;
- Evitar esforço físico intenso entre 10h e 16h e interromper atividades em caso de risco;
- Utilizar ventilação e ar condicionado quando disponíveis e manter portas e janelas abertas;
- Permitir pausas para hidratação e recomendar roupas leves;
- Redobrar cuidados com alunos mais vulneráveis, incluindo quem tem condições de saúde crónicas.
Contexto meteorológico e previsões
As orientações chegam num cenário de temperaturas elevadas no estado. Dados do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo) apontam para máximas que podem atingir 41 ºC em São Miguel do Araguaia, 40 ºC na cidade de Goiás e cerca de 36,5 ºC em Goiânia.
| Local | Temperatura prevista |
|---|---|
| São Miguel do Araguaia | 41 ºC |
| Cidade de Goiás | 40 ºC |
| Goiânia | 36,5 ºC |
O Cimehgo associa o quadro atual a uma massa de ar quente e seco que tem fortalecido o aquecimento diurno e reduzido a humidade relativa do ar. Sobre a eventual influência do fenómeno El Niño, o diretor do Cimehgo sublinha que ainda não se pode relacionar directamente o episódio de calor com o fenómeno.
«Por enquanto, não é um efeito do El Niño que estamos tendo aqui. No período de estiagem, é normal termos temperaturas elevadas e umidade relativa do ar baixa. O que temos agora é uma massa de ar quente e seco que ganhou força, favorecendo temperaturas mais elevadas e umidade mais baixa», afirmou André Amorim, diretor do Cimehgo.
Implicações para a comunidade escolar
As recomendações da Seduc procuram equilibrar a continuidade das actividades letivas com a necessidade de proteger a saúde de alunos e trabalhadores. A alteração de horários e de espaços para a prática de Educação Física implica logística — nomeadamente a adaptação de horários, a utilização de espaços cobertos e a garantia de pausas e recursos para hidratação. Para escolas com infraestrutura limitada, o apelo ao uso de ventiladores, à organização de turmas e à gestão de horários ganha particular relevância.
Além do ajuste operativo, o período de calor levanta questões sobre políticas públicas mais amplas: a capacidade das escolas para dispor de climatização adequada, protocolos de actuação em situações de risco climático e a articulação entre secretarias de Educação e Saúde para monitorização e intervenção. O aumento de episódios de calor intenso, associado a secas e risco de incêndios na região, reforça a necessidade de planos de contingência que protejam comunidades escolares.
As autoridades meteorológicas do estado alertam que outras ondas de calor poderão ocorrer nos próximos meses, pelo que as orientações vigentes poderão ser actualizadas conforme a evolução das condições climáticas.