O Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) manifestou preocupação com relatos de «situações de insegurança» em zonas balneares da albufeira de Castelo de Bode, devido à aproximação excessiva de embarcações de recreio e motas de água aos locais frequentados por banhistas.
Riscos identificados e relatos de cidadãos
De acordo com informações recolhidas pelo GEOTA junto de cidadãos, têm-se verificado episódios em que embarcações circulam ou permanecem demasiado próximas das margens e das áreas de banho, criando risco direto para quem pratica natação ou usufrui das zonas balneares para lazer. Aos perigos decorrentes da navegação juntam‑se relatos de fundeio indevido, insuficiência ou inexistência de bóias de delimitação das zonas de banho e comportamentos de incívicos, como o abandono de resíduos.
Medidas propostas pela organização
Para garantir a convivência entre banhistas e actividades náuticas, o GEOTA defende a necessidade de regras claras, sinalização adequada e fiscalização efectiva. Entre as propostas apresentadas figuram a instalação ou reforço de bóias delimitadoras, a melhoria da sinalética — incluindo, quando adequado, informação em várias línguas — e o reforço da fiscalização da circulação, aproximação e fundeio de embarcações nas zonas frequentadas por banhistas.
«A fruição da albufeira de Castelo de Bode deve ser compatível com a segurança das pessoas, o cumprimento das regras e o respeito por todos os utilizadores. A prevenção, a sinalização adequada e a fiscalização são essenciais para evitar acidentes e garantir uma utilização responsável deste espaço comum», afirmou Américo Ferreira, presidente da Comissão Executiva do GEOTA.
O GEOTA sublinha que a albufeira é um espaço de elevada utilização recreativa, sobretudo nos meses de verão, e que a prevenção de acidentes deve constituir uma prioridade para as entidades responsáveis.
Implicações para gestão e ordenamento
As observações do GEOTA colocam à vista três vectores interventivos que exigem coordenação institucional: segurança pública (prevenção de acidentes e salvamento), ordenamento das actividades recreativas na massa de água e protecção ambiental (prevenção de poluição e conservação das margens). A adopção de medidas técnicas e administrativas repercute‑se tanto na experiência dos utentes como na integridade do ecossistema da albufeira.
Segundo a organização, não basta a existência ocasional de normas: são necessários mecanismos permanentes de fiscalização e uma sinalética eficaz para reduzir riscos e conflitos entre utilizadores.
Soluções práticas sugeridas
- Delimitação física das zonas de banho com bóias e marcações claras;
- Melhoria da informação junto dos utentes, incluindo sinalética multilíngue quando adequada;
- Reforço da fiscalização sobre circulação e fundeio de embarcações nas áreas balneares;
- Campanhas de sensibilização para boa conduta e gestão de resíduos.
| Problema | Medida proposta |
|---|---|
| Aproximação excessiva de embarcações | Delimitação com bóias e fiscalização |
| Fundeio indevido | Regulação e controlo da ancoragem |
| Falta de sinalética | Instalação de informação clara e multilíngue |
O GEOTA considera urgente que as autoridades competentes avaliem a situação no terreno e implementem medidas preventivas. A intervenção deverá ser articulada entre entidades responsáveis pela gestão da albufeira, autoridades marítimas e municipais, e forças de fiscalização, de modo a conciliar lazer, segurança e preservação ambiental.
O alerta reforça a necessidade de uma abordagem integrada à gestão das zonas balneares interiores, onde o aumento do uso recreativo exige respostas técnicas e de governação que protejam pessoas e ecossistemas sem prejudicar o acesso público aos recursos hídricos.