Economia

Fórum diz que Portugal deve crescer abaixo de 2% em 2026 só se «muita coisa correr mal»

O Fórum para a Competitividade estima que, com um crescimento de cerca de 2,5% no primeiro semestre, o produto interno bruto só cairá para níveis inferiores a 2% em 2026 se ocorrerem perturbações significativas; preocupa a baixa produtividade dos empregos criados e o aumento do emprego público.

Fórum diz que Portugal deve crescer abaixo de 2% em 2026 só se «muita coisa correr mal»
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O Fórum para a Competitividade avaliou esta sexta-feira que a economia portuguesa deverá evitar, no agregado do ano, um crescimento inferior a 2% em 2026, desde que não se verifiquem perturbações significativas. A nota de conjuntura de agosto assenta a avaliação no facto de o crescimento do primeiro semestre ter sido próximo de 2,5%, um número que, segundo a associação, dá margem para o Governo alcançar a meta estimada.

Dados recentes e leitura do Fórum

O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou um crescimento do produto interno bruto (PIB) de 2,5% no segundo trimestre, informação que sustenta a leitura mais optimista do Fórum. Paralelamente, a taxa de desemprego recuou de 6,1% para 5,3% no segundo trimestre, o valor mais baixo desde o início da série em 2011, refletindo uma aceleração tanto da população activa como do emprego.

Apesar destes sinais favoráveis, a associação chama a atenção para um aspecto «menos positivo»: a queda da produtividade média resultante do facto de o emprego estar a crescer a um ritmo superior ao do PIB. Em consequência, o Fórum conclui que «provavelmente estamos a criar empregos de baixa produtividade».

«Com o emprego a subir mais do que o PIB, estamos em presença de queda da produtividade média, o que provavelmente quer dizer que estamos a criar empregos de baixa produtividade»

Preocupação com o emprego público e com o papel do turismo

O documento sublinha ainda que o emprego nas administrações públicas atingiu um novo recorde no segundo trimestre, com 768 mil trabalhadores, um aumento homólogo de cerca de 1%, impulsionado sobretudo pela administração local. O Fórum considera difícil de compreender, num contexto de escassez de mão de obra, que o sector público esteja a competir de forma tão intensa com o sector privado.

Quanto ao turismo, a Conta Satélite do Turismo do INE mostra um decréscimo gradual do peso do sector no PIB: 16,3% em 2023, 16,2% em 2024 e 16,1% em 2025. O Fórum interpreta estes números como um desmentido da ideia de que o crescimento económico recente decorre em grande parte de uma ajuda extraordinária do turismo e alerta para a possibilidade de o sector continuar a perder peso no ano corrente.

Riscos para a segunda metade do ano

Na sua nota, a associação indica que os indicadores mais recentes «não transmitem informação coincidente», mas antevê que «o terceiro trimestre está a perder ritmo». Ou seja, apesar da base favorável do primeiro semestre, existem sinais de abrandamento que podem condicionar o crescimento anual.

  • PIB: crescimento próximo de 2,5% no primeiro semestre.
  • Desemprego: descida para 5,3% no segundo trimestre.
  • Emprego público: novo recorde de 768 mil, +1% homólogo.
  • Turismo: peso no PIB de 16,3% (2023) para 16,1% (2025).
Ano/Trimestre Indicador Valor
1.º semestre 2026 Crescimento do PIB (próximo) 2,5%
2.º trimestre 2026 Taxa de desemprego 5,3%
2025 Peso do turismo no PIB 16,1%

O relatório do Fórum sublinha, por isso, que o cenário central não contempla uma queda acentuada do crescimento anual, mas que os riscos existem — nomeadamente se o abrandamento do terceiro trimestre se confirmar ou se choques externos afectarem a procura interna e externa.

Consequências e dilemas políticos

A análise coloca vários desafios para a política económica. A combinação de criação de emprego com queda da produtividade média aponta para a necessidade de promover empregos com maior valor acrescentado, mediante políticas que estimulem investimento privado, formação e transição para actividades de maior intensidade tecnológica. O crescimento do emprego público, num mercado de trabalho restrito, levanta também questões sobre a alocação de recursos entre sector público e privado.

Por fim, a evolução do peso do turismo no PIB sugere uma economia que precisa de diversificar e de reforçar outras fontes de crescimento para melhorar a resiliência a choques externos.

Sem novidades sobre medidas concretas no documento do Fórum, ficam os sinais: o primeiro semestre foi robusto, mas a economia enfrenta desafios de produtividade e composição do emprego que influenciarão a qualidade do crescimento a longo prazo.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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