A agência de notação financeira Fitch anunciou esta sexta-feira a subida do «issuer default rating» (IDR) de Portugal de 'A' para 'A+', com a perspetiva (outlook) mantida em estável. A decisão assenta, segundo a agência, num conjunto de factores ligados ao reforço das contas públicas e à trajectória projetada da dívida.
Motivos da subida e projeções
Na nota publicada no site da agência, a Fitch refere que a melhoria do rating «reflete o reforço das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais». A agência sublinha também a existência de um «forte compromisso político com a prudência orçamental» como determinante do ajuste observado nas contas públicas.
«A subida reflete o reforço das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais»
A Fitch projeta que o rácio da dívida das administrações públicas desça para 87,0% do PIB em 2026, face a 89,7% em 2025, e continue a reduzir-se até 82,9% em 2028. Este decréscimo é, segundo a agência, sustentado por «excedentes primários» e por um crescimento nominal moderado.
Riscos e pontos de atenção
Apesar da revisão em alta, a agência alerta para riscos que persistem. Entre eles, destaca-se o facto de Portugal continuar a apresentar «níveis ainda elevados de dívida pública e externa acumulada». Também chama a atenção para o rápido aumento dos preços da habitação, o qual, embora por agora não represente riscos macrofinaceiros materiais a curto prazo, pode aumentar vulnerabilidades no mercado imobiliário.
- Rating subiu para A+, outlook estável.
- Dívida pública prevista: 89,7% (2025) → 87,0% (2026) → 82,9% (2028).
- Excedente das administrações públicas estimado em 0,1% do PIB em 2026, após 0,7% em 2025.
Desempenho orçamental e crescimento
A Fitch destaca que os saldos orçamentais de Portugal foram «consideravelmente mais fortes do que os dos seus pares», realçando um desempenho orçamental repetidamente superior ao previsto e excedentes persistentes na balança corrente. Estes fatores, na síntese da agência, «reforçaram a resiliência da economia e a sua capacidade para absorver choques».
Para o crescimento económico, a previsão da Fitch aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto de 2,1% em 2026, após 1,9% em 2025. A agência estima ainda um défice médio de cerca de 0,4% do PIB em 2027-2028, o que sugere um quadro de consolidação gradual com espaço para crescimento moderado.
| Ano | Rácio dívida/PIB (Fitch) |
|---|---|
| 2025 | 89,7% |
| 2026 | 87,0% |
| 2028 | 82,9% |
Implicações
Uma subida do rating para A+ tende a ter impactos práticos: melhora a perceção de risco do país por investidores e pode reduzir o custo de financiamento do Estado a médio prazo. Além disso, a Fitch equaciona a governação de Portugal como superior à mediana da categoria 'A', referindo a integração na União Europeia e na zona euro como pilares institucionais que sustentam a avaliação.
Contudo, a agência mantém cautelas: a redução prevista da dívida pressupõe a continuidade da disciplina orçamental e excedentes primários; qualquer desvio significativo dessas condições ou um agravamento das vulnerabilidades do mercado imobiliário poderia condicionar a progressão da classificação.
Em suma, a subida do rating por parte da Fitch traduz um reconhecimento do ajustamento das contas públicas e da resistência económica verificada, mas a agência mantém um foco nos riscos estruturais residuais, em particular os níveis acumulados de dívida e as tensões potenciais no setor da habitação.