Chega hoje aos cinemas portugueses “Ariel”, longa‑metragem do realizador galego Lois Patiño filmada nas ilhas do Faial e do Pico. A obra, inspirada em elementos de A Tempestade de William Shakespeare, é uma coprodução entre Espanha e Portugal, com a participação da produtora portuguesa Bando à Parte.
Do arquipélago para os festivais internacionais
“Ariel” estreou mundialmente em 2025 no Festival de Cinema de Roterdão, nos Países Baixos, e integrou posteriormente a programação de vários festivais, nomeadamente em Buenos Aires, Barcelona e Londres. Antes da produção do filme, o realizador e o argunentista tiveram uma residência artística nos Açores — uma experiência que já resultara na curta‑metragem Sycorax (2021), também ligada à peça de Shakespeare e exibida em Cannes.
Enredo e abordagem
A narrativa acompanha uma atriz argentina que chega ao arquipélago para participar numa encenação de A Tempestade com a companhia galega Voadora. Após um incidente durante a travessia de ferry, a personagem começa a reparar em comportamentos invulgares entre os habitantes locais. A aparição de uma menina chamada Ariel conduz‑na por um lugar onde o real e o imaginário parecem fundir‑se, gerando um ambiente onírico e espectral.
«o desejo de explorar ‘A Tempestade’, de Shakespeare, na perspetiva da personagem de Ariel — o espírito do ar —, mas, pouco a pouco, abriu‑se ao resto da obra do autor, para refletir sobre como e de onde a poesia, a humanidade e a profundidade dos textos de Shakespeare nos podem desafiar hoje em dia»
As interpretações incluem as de Agustina Muñoz e Irene Escolar. O filme integra‑se numa trajectória de cineastas galegos contemporâneos que têm vindo a explorar fronteiras culturais e linguísticas na Península Ibérica e além.
Impacto local e visibilidade do arquipélago
A escolha do Faial e do Pico como locais de filmagem volta a colocar o arquipélago no mapa cinematográfico e cultural. Para ilhas cujo ritmo e paisagem são marcados pelo mar e pela insularidade, a presença de filmagens internacionais pode traduzir‑se em três efeitos principais:
- visibilidade turística reforçada, através da exposição das paisagens e da vida local em circuitos internacionais;
- dinamização económica pontual, ligada a serviços de produção e logística durante as filmagens;
- incentivo a residências artísticas e projetos culturais que estabeleçam ligações entre criadores e comunidades insulares.
O arquipélago tem vindo a receber com frequência projetos artísticos que procuram a singularidade da paisagem e da cultura marítima. No caso concreto de “Ariel”, parte do trabalho de concepção teve origem em residências realizadas na região, o que sublinha a importância de estruturas locais de acolhimento cultural.
Contexto de produção
A coprodução entre Espanha e Portugal, mediada pela produtora portuguesa mencionada, insere‑se numa prática comum na cinematografia ibérica contemporânea, onde parcerias transfronteiriças facilitam recursos, circulação e acesso a festivais. A ligação à peça de Shakespeare, por via de adaptações e leituras contemporâneas, confere ao filme um eixo dramatúrgico que dialoga com a tradição literária europeia, ao mesmo tempo que explora as especificidades do lugar onde foi rodado.
Onde e quando ver
Com a estreia em salas portuguesas marcada para hoje, os espetadores interessados em ver “Ariel” devem consultar a programação dos cinemas locais. A presença do filme em festivais internacionais antes da estreia comercial revela uma estratégia de circulação habitual para obras de autor, que procuram primeiro o circuito de festivais para ganhar público crítico e visibilidade.
| Elemento | Informação |
|---|---|
| Realizador | Lois Patiño |
| Locais de filmagem | Faial e Pico (Açores) |
| Coprodução | Espanha / Portugal (Bando à Parte) |
| Exibições em festival | Roterdão, Buenos Aires, Barcelona, Londres |
| Atores destacados | Agustina Muñoz, Irene Escolar |
Para as comunidades do Faial e do Pico, a passagem de uma produção internacional é um momento de atenção mediática e de oportunidade para promover a arte e o território. Em ilhas onde o mar dita ritmos e a paisagem é parte integrante da memória coletiva, filmes como “Ariel” funcionam também como um espelho: mostram‑nos a nós próprios e apresentam ao exterior imagens e narrativas moldadas pela insularidade.
Os espectadores e comunidades locais aguardam agora a receção crítica e pública do filme, que começa hoje a sua circulação comercial em Portugal após a trajectória pelos festivais internacionais.