Mais da metade dos brasileiros que viajam a trabalho dizem apresentar uma personalidade diferente quando estão em modo profissional comparado com a vida pessoal, segundo o relatório Booked for Business, da Hoteis.com. Do total inquirido, 54% afirmaram que se comportam «muito» ou «um pouco» de forma distinta durante deslocações por motivos laborais.
Gerações e perfis: a Geração Z destaca‑se
O fenómeno é mais pronunciado entre os mais jovens: entre os viajantes da Geração Z o índice sobe para 67%, o valor mais elevado entre as faixas etárias analisadas. A amostra do estudo compreendeu 1.000 adultos brasileiros que realizaram viagens de negócios, nacionais ou internacionais, nos últimos três anos; as entrevistas foram realizadas entre 10 e 18 de agosto de 2026.
Do planeamento à pontualidade: hábitos no modo trabalho
O inquérito revela padrões de comportamento que diferem claramente conforme o «modo» em que o viajante se encontra. Quando em serviço, os entrevistados tendem a privilegiar a organização e a pontualidade:
- 60% descrevem‑se como planeadores durante viagens profissionais;
- 68% dizem ser «superorganizados» nesse contexto;
- 76% afirmam acordar mais cedo do que acordariam numa viagem de lazer;
- 68% garantem ser sempre pontuais quando estão em modo de trabalho.
Fora do expediente: relaxar e aproveitar a cidade
Quando a agenda formal termina, o comportamento muda: muitos profissionais deixam cair a guarda e procuram aproveitar o destino. Conforme o levantamento:
- 61% consideram‑se mais descontraídos fora do horário de trabalho;
- 56% dizem não levar o stress do trabalho para as horas livres;
- 49% afirmam ficar mais extrovertidos quando não estão em compromissos profissionais.
Esse duplo perfil — exigente e focado durante os compromissos, mais expansivo e explorador na folga — transforma a viagem corporativa numa experiência que combina produtividade com lazer espontâneo. Muitos profissionais aproveitam o tempo para conhecer a cidade, jantar sem pressa ou simplesmente usufruir das infraestruturas do hotel.
Implicações para hotéis e viagens de trabalho
A coexistência desses comportamentos explica também o tipo de oferta que os viajantes de negócios valorizam. A praticidade mantém‑se como prioridade, mas não exclui conforto e bem‑estar: hospedagens que conciliem facilidades para trabalhar — como Wi‑Fi fiável, espaços funcionalmente desenhados e pontualidade de serviços — com opções de relaxamento e lazer têm maior probabilidade de satisfazer este segmento.
| Comportamento | Modo Trabalho |
|---|---|
| Planeamento | 60% |
| Superorganização | 68% |
| Acordar mais cedo | 76% |
| Pontualidade | 68% |
Para gestores de viagens e responsáveis de hotelaria, os dados sublinham a necessidade de conjugar eficiência operacional com elementos que permitam aos hóspedes «desligar» quando podem. Espaços de convívio, ofertas gastronómicas flexíveis e programas de bem‑estar podem ser decisivos na escolha da hospedagem por parte deste público.
Sugestões práticas para quem viaja por trabalho
- Priorize um hotel com boa ligação à internet e áreas de trabalho silenciosas para manter a produtividade;
- Reserve algum tempo livre na agenda para explorar a cidade ou relaxar — beneficia a saúde mental e melhora a experiência da viagem;
- Considere serviços que combinam praticidade e bem‑estar, como ginásio 24 horas, refeições rápidas de qualidade e opções de check‑out flexível.
O relatório confirma que as viagens de trabalho já não são apenas deslocações utilitárias: transformam‑se em oportunidades para equilibrar responsabilidades profissionais com momentos de prazer e descanso. Entender essa dualidade ajuda tanto quem organiza viagens corporativas como os próprios viajantes a tirar mais proveito do tempo fora de casa.