As Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, lançaram um projeto para transformar a água termal em produtos dermatológicos, numa iniciativa que pretende validar cientificamente práticas terapêuticas de uso tradicional e permitir que os utentes prolonguem a terapêutica fora do balneário. O estudo representa um investimento de 1,3 milhões de euros e tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da linha Reindustrializar – Açores.
Parcerias científicas e duração do projeto
O projeto é desenvolvido pela concessionária Verde Similar Termas em parceria com o Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) e a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. Teve início a 30 de junho de 2026 e prevê-se a sua conclusão em junho de 2028.
Objectivos e divisão do trabalho
A investigação divide-se em duas áreas principais: a caracterização aprofundada da composição da água termal e a validação científica das suas aplicações terapêuticas. Segundo a concessionária, existe um conhecimento empírico considerável sobre a utilização da água sulfurosa das Caldeiras para afeções cutâneas, mas falta comprovação científica que permita formalizar produtos e protocolos.
«Temos muitos utilizadores, nomeadamente com psoríase, que utilizam o balneário das Termas das Caldeiras, na Ribeira Grande, mas a nossa intenção é que a terapêutica não se fique apenas pela utilização em balneário», afirmou a sócia-gerente da Verde Similar Termas, Luísa Pereira.
Além da validação, a concessionária pretende desenvolver formulações dermatológicas que possibilitem a continuidade terapêutica em casa, alargando os benefícios das termas a utentes que não possam deslocar-se com regularidade ou que necessitem de acompanhamento prolongado.
Impacto local e contextos insulares
Para a região, a iniciativa junta preocupações de saúde pública, valorização dos recursos naturais e criação de valor acrescentado local. As termas ocupam um lugar específico na vida insular: para além da componente terapêutica e do turismo de saúde, funcionam como espaço de convívio e cuidado num arquipélago com população envelhecida e dispersa por ilhas. A possibilidade de produtos domiciliários derivados da água termal pode reduzir deslocações inter-ilhas e facilitar o seguimento de terapias por doentes crónicos.
- Validar cientificamente propriedades terapêuticas da água sulfurosa.
- Desenvolver produtos dermatológicos para uso domiciliário.
- Promover reindustrialização e agregação de valor local ao recurso termal.
Investimento e enquadramento financeiro
O financiamento pelo PRR, através da linha Reindustrializar – Açores, enquadra-se na estratégia nacional e regional de apoio à modernização da economia e à aproveitamento de recursos endógenos. O investimento de €1,3 milhões suporta actividades de investigação, testes laboratoriais e desenvolvimento de protótipos, bem como a colaboração com a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, que traz competências académicas na área farmacêutica e dermocosmética.
| Elemento | Detalhe |
|---|---|
| Investimento | €1,3 milhões |
| Financiamento | PRR – Linha Reindustrializar – Açores |
| Entidades | Verde Similar Termas; INOVA; Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto |
| Período | 30-06-2026 a junho de 2028 |
Utilizadores e doenças alvo
As termas recebem já utentes com várias problemáticas dermatológicas, sendo a psoríase mencionada como exemplo por responsáveis da concessão. A investigação pretende conferir evidência científica para usos terapêuticos que hoje se apoiam sobretudo em tradição e em relatos de utilizadores. Essa evidência será essencial para desenvolver produtos com formulação, dosagem e indicações claras, num quadro regulamentar exigente.
Para as comunidades insulares, a iniciativa pode trazer benefícios práticos: produtos domiciliários com base em água termal potencialmente reduzirão a necessidade de deslocações frequentes ao balneário e poderão integrar-se em planos de tratamento coordenados com médicos e farmacêuticos locais. O envolvimento da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto indica também a procura de protocolos que respeitem normas científicas e legais para cosméticos ou medicamentos tópicos.
O projecto ilustra uma tendência crescente no arquipélago: combinar recursos naturais — neste caso, as águas sulfurosas típicas de zonas vulcânicas dos Açores — com investigação e iniciativas de reindustrialização que procuram criar cadeias de valor locais. Resta agora conhecer os resultados laboratoriais e clínicos que poderão sustentar patentes, marcas ou novas linhas de produtos com identidade açoriana e potencial exportador.