Saúde Ribeira Grande Açores

Estudo em São Miguel pretende transformar água termal em produtos dermatológicos com apoio do PRR

Projeto de 1,3 milhões de euros nas Termas das Caldeiras da Ribeira Grande visa validar cientificamente usos terapêuticos da água sulfurosa e desenvolver produtos para continuidade domiciliária da terapêutica.

Estudo em São Miguel pretende transformar água termal em produtos dermatológicos com apoio do PRR
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

As Termas das Caldeiras da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, lançaram um projeto para transformar a água termal em produtos dermatológicos, numa iniciativa que pretende validar cientificamente práticas terapêuticas de uso tradicional e permitir que os utentes prolonguem a terapêutica fora do balneário. O estudo representa um investimento de 1,3 milhões de euros e tem financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através da linha Reindustrializar – Açores.

Parcerias científicas e duração do projeto

O projeto é desenvolvido pela concessionária Verde Similar Termas em parceria com o Instituto de Inovação Tecnológica dos Açores (INOVA) e a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto. Teve início a 30 de junho de 2026 e prevê-se a sua conclusão em junho de 2028.

Objectivos e divisão do trabalho

A investigação divide-se em duas áreas principais: a caracterização aprofundada da composição da água termal e a validação científica das suas aplicações terapêuticas. Segundo a concessionária, existe um conhecimento empírico considerável sobre a utilização da água sulfurosa das Caldeiras para afeções cutâneas, mas falta comprovação científica que permita formalizar produtos e protocolos.

«Temos muitos utilizadores, nomeadamente com psoríase, que utilizam o balneário das Termas das Caldeiras, na Ribeira Grande, mas a nossa intenção é que a terapêutica não se fique apenas pela utilização em balneário», afirmou a sócia-gerente da Verde Similar Termas, Luísa Pereira.

Além da validação, a concessionária pretende desenvolver formulações dermatológicas que possibilitem a continuidade terapêutica em casa, alargando os benefícios das termas a utentes que não possam deslocar-se com regularidade ou que necessitem de acompanhamento prolongado.

Impacto local e contextos insulares

Para a região, a iniciativa junta preocupações de saúde pública, valorização dos recursos naturais e criação de valor acrescentado local. As termas ocupam um lugar específico na vida insular: para além da componente terapêutica e do turismo de saúde, funcionam como espaço de convívio e cuidado num arquipélago com população envelhecida e dispersa por ilhas. A possibilidade de produtos domiciliários derivados da água termal pode reduzir deslocações inter-ilhas e facilitar o seguimento de terapias por doentes crónicos.

  • Validar cientificamente propriedades terapêuticas da água sulfurosa.
  • Desenvolver produtos dermatológicos para uso domiciliário.
  • Promover reindustrialização e agregação de valor local ao recurso termal.

Investimento e enquadramento financeiro

O financiamento pelo PRR, através da linha Reindustrializar – Açores, enquadra-se na estratégia nacional e regional de apoio à modernização da economia e à aproveitamento de recursos endógenos. O investimento de €1,3 milhões suporta actividades de investigação, testes laboratoriais e desenvolvimento de protótipos, bem como a colaboração com a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, que traz competências académicas na área farmacêutica e dermocosmética.

Elemento Detalhe
Investimento €1,3 milhões
Financiamento PRR – Linha Reindustrializar – Açores
Entidades Verde Similar Termas; INOVA; Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto
Período 30-06-2026 a junho de 2028

Utilizadores e doenças alvo

As termas recebem já utentes com várias problemáticas dermatológicas, sendo a psoríase mencionada como exemplo por responsáveis da concessão. A investigação pretende conferir evidência científica para usos terapêuticos que hoje se apoiam sobretudo em tradição e em relatos de utilizadores. Essa evidência será essencial para desenvolver produtos com formulação, dosagem e indicações claras, num quadro regulamentar exigente.

Para as comunidades insulares, a iniciativa pode trazer benefícios práticos: produtos domiciliários com base em água termal potencialmente reduzirão a necessidade de deslocações frequentes ao balneário e poderão integrar-se em planos de tratamento coordenados com médicos e farmacêuticos locais. O envolvimento da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto indica também a procura de protocolos que respeitem normas científicas e legais para cosméticos ou medicamentos tópicos.

O projecto ilustra uma tendência crescente no arquipélago: combinar recursos naturais — neste caso, as águas sulfurosas típicas de zonas vulcânicas dos Açores — com investigação e iniciativas de reindustrialização que procuram criar cadeias de valor locais. Resta agora conhecer os resultados laboratoriais e clínicos que poderão sustentar patentes, marcas ou novas linhas de produtos com identidade açoriana e potencial exportador.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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