Um gabinete de arquitetura português foi incluído entre as dez equipas convidadas a apresentar propostas para a conceção do futuro Museu Nacional da Cultura de Macau, um projeto que deverá assumir um papel central na nova Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrados, anunciou esta quinta-feira a direção do Instituto Cultural de Macau.
Projeto com ambição cultural e estratégica
A responsável pelo Instituto Cultural, Leong Wai Man, descreveu o museu como o «projeto nuclear, lançado em primeiro lugar» desta zona, destinado a funcionar como «um importante veículo para o desenvolvimento cultural da cidade» e para a «diversificação adequada da economia». A apresentação pública destacou ainda a vontade de utilizar a iniciativa para reforçar o «intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente».
«Já tínhamos decidido com o Museu Nacional da China que vai ter certas características chinesas, essa é a nossa ideia conceptual»
Segundo a mesma fonte, as propostas solicitadas terão de articular conteúdos culturais chineses com uma linguagem de arquitetura moderna, enquadrando-se na herança humanística de Macau e respondendo a exigências de prática museológica, sustentabilidade e um nível estético compatível com padrões internacionais.
Composição das equipas convidadas
Do total de dez conjuntos convocados, quatro são provenientes do exterior, três são originários do interior da China e três são locais de Macau. No grupo de equipas internacionais encontram-se escritórios de vários países europeus, entre os quais um gabinete português, além de empresas da Suíça, Inglaterra e Países Baixos.
| Proveniência | Quantidade |
|---|---|
| Exterior (principalmente Europa) | 4 |
| Interior da China | 3 |
| Equipas locais (Macau) | 3 |
As equipas convidadas foram escolhidas por haverem já desenvolvido «projetos de grande escala» e por terem experiência em conceção de museus, explicou Leong Wai Man, sem, no entanto, revelar os nomes das práticas envolvidas.
Avaliação interdisciplinar e calendário
Após a receção das propostas, serão chamados especialistas das áreas do planeamento urbano, da arquitetura e da museologia, juntamente com representantes de serviços públicos, para integrar o júri avaliador. A primeira fase do projeto está prevista para conclusão em 2029, segundo o cronograma oficial referido na conferência de imprensa.
- Objetivo: criar um marco cultural que reflita a posição de Macau e satisfaça necessidades operacionais de museologia.
- Critérios: integração cultural, praticabilidade, sustentabilidade e padrão estético internacional.
- Calendário: primeira fase prevista até 2029.
A iniciativa surge na sequência de acordos com o Museu Nacional da China, que terão contribuído para definir a orientação conceptual do futuro museu, privilegiando a presença de elementos que expressem caraterísticas chinesas. A combinação entre herança local e sensibilidade contemporânea é apontada como condição para que o edifício responda tanto a expectativas culturais como a exigências de funcionamento profissional.
Para Portugal, a inclusão de um escritório nacional entre os poucos convidados reforça a presença e a reconhecida competência de arquitetos portugueses em cenários internacionais de grande visibilidade, colocando-os numa disputa que conjuga valores patrimoniais, turismo cultural e diplomacia cultural no espaço pós-colonial de Macau.
À medida que o processo de seleção avança, a atenção tende a focar-se nas soluções propostas para conciliar memória, identidade e modernidade — um desafio que, em contexto macaense, carrega implicações simbólicas e práticas para a representação da cultura chinesa num equipamento de escala nacional e internacional.