A planta conhecida por Erva‑das‑Pampas (Cortaderia selloana) encontra‑se espalhada por grande parte do território nacional e representa, segundo especialistas, um problema ambiental com consequências para a saúde respiratória da população. Técnicos citados pela Agência Lusa e pela CNN Portugal identificaram a espécie em 208 concelhos e alertam para a necessidade de intervenção coordenada.
Floração tardia e impacto na alergia
Ao contrário de outras plantas que libertam pólen na primavera, a Erva‑das‑Pampas tem uma fenologia que inclui uma fase de floração mais tardia, provocando uma segunda janela de exposição ao pólen — desta vez no Outono. O pólen desta espécie é reconhecido como alergénico, pelo que a sua disseminação amplia o período em que pessoas sensíveis podem desenvolver sintomas respiratórios, como rinite e exacerbações de asma.
Especialistas em plantas invasoras têm sublinhado que, à medida que a área ocupada aumenta, também crescem os custos e a dificuldade de gestão. A professora Hélia Marchante, da Escola Superior Agrária da Universidade Politécnica de Coimbra, frisou que a situação já não é uma previsão futura, mas um fenómeno instalado e em progressão.
«Cada ano em que se atrasa a intervenção torna o problema mais caro, mais difícil e praticamente impossível de travar»
Medidas legais e práticas de gestão
A legislação nacional proíbe a detenção, o cultivo, o comércio, o transporte e a utilização desta espécie como planta ornamental. Para além do enquadramento legal, os especialistas recomendam medidas de gestão ativa para conter a propagação e reduzir o risco para a saúde pública. Entre as ações recomendadas estão o controlo em áreas infestadas, a remoção de indivíduos reprodutores e campanhas de sensibilização junto de viveiros e do público.
- Identificação: mapeamento das ocorrências e monitorização temporal da floração.
- Eliminação: remoção física e gestão de material reprodutor para evitar renovos.
- Prevenção: proibição do comércio e educação pública para evitar novas plantações em jardins.
Consequências para a saúde e gestão local
Do ponto de vista da Saúde, a proliferação da Erva‑das‑Pampas pode prolongar e intensificar a carga de doença alérgica sazonal. As equipas de saúde pública e os clínicos ambientais terão de considerar este factor nas estimativas de pico de consultas por alergia e nas campanhas de prevenção dirigidas a grupos vulneráveis, como crianças e doentes respiratórios crónicos.
| Aspecto | Impacto |
|---|---|
| Concelhos identificados | 208 |
| Período de floração | Inclui fase tardia (Outono) — segunda época de pólen |
| Medidas legais | Proibição de cultivo, comércio e utilização ornamental |
Além do risco para a saúde, a Erva‑das‑Pampas constitui uma ameaça à biodiversidade local e à estabilidade ecológica, competindo com espécies nativas e alterando habitats. Isso torna a sua gestão uma prioridade multifacetada, que exige coordenação entre autoridades ambientais, câmaras municipais, serviços de saúde e a sociedade civil.
Os especialistas alertam ainda que, quanto mais tempo se adiar a intervenção, mais complexa e onerosa será a remoção e o controlo. Para os cidadãos, as recomendações passam por não adquirir nem plantar a espécie, denunciar ocorrências às autoridades locais e, em casos de sintomas alérgicos persistentes, procurar aconselhamento clínico.
A difusão dessa planta como elemento decorativo, apesar das restrições legais, evidencia a necessidade de reforçar mecanismos de cumprimento e de intensificar a comunicação pública sobre riscos ambientais e sanitários associados a espécies invasoras.