O Brexit terá reduzido entre 6% e 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido, afirmou o economista Nick Bloom, professor na Universidade de Stanford, em declarações ao jornal The Independent. Segundo Bloom, a perda acumulada é suficientemente grande para ter permitido um reforço considerável do financiamento do Serviço Nacional de Saúde (NHS).
A dimensão das perdas
O académico estima que o impacto económico do Brexit corresponde a cerca de 3.000 libras por ano para cada britânico. Bloom atribui as perdas de forma praticamente igual a dois fatores principais: as dificuldades acrescidas nas trocas comerciais com a União Europeia e um longo período de incerteza política que se instalou depois do referendo de 2016.
- Redução do PIB: entre 6% e 8%.
- Custo médio por pessoa: cerca de £3.000 por ano.
- Fontes das perdas: metade devido a fricções no comércio com a UE; metade devido à incerteza política prolongada.
Consequências para as finanças públicas e para o NHS
Bloom sublinha que o nível das perdas acumuladas é tal que, se não tivessem ocorrido, o orçamento do Estado poderia ter sido orientado para reforçar serviços públicos centrais. Em concreto, aponta para o NHS e para as pressões que o sistema de saúde pública tem sofrido ao longo da última década.
«O NHS teria orçamentos muito superiores, as listas de espera poderiam desaparecer e os hospitais seriam modernizados»
O argumento aponta para uma comparação direta entre o potencial fiscal perdido e as necessidades não satisfeitas de um sistema de saúde sob tensão. Bloom interpreta as promessas feitas durante a campanha a favor do Brexit como não concretizadas, ou pelo menos insuficientes face ao impacto económico observado.
Implicações políticas e recomendações
Face a este diagnóstico, o economista defende que o Governo britânico deve procurar uma aproximação à União Europeia, com o objetivo de atenuar os efeitos negativos e recuperar parte das perdas económicas registadas na última década. As suas observações surgem num momento em que o balanço do Brexit voltou a ganhar espaço no debate político britânico, com sectores diversos a questionarem se os custos superaram os benefícios inicialmente anunciados.
A análise de Bloom concentra‑se em dois canais claros — comércio e incerteza — e evita atribuir as perdas a outros fatores não mencionados nas declarações ao The Independent. Essa clareza torna a proposta de aproximação à UE compreensível como uma tentativa pragmática de recuperar condições de comércio e confiança política que favoreçam o crescimento.
Quadro resumido
| Item | Valor/Comentário |
|---|---|
| Perda estimada do PIB | 6%–8% |
| Custo médio por pessoa | ~£3.000/ano |
| Principais causas apontadas | Metade devido a fricções no comércio com a UE; metade devido a incerteza política prolongada |
As conclusões de Bloom reforçam a necessidade de avaliar, com base em evidência empírica, políticas que possam mitigar efeitos adversos e restaurar condições que favoreçam o investimento e a eficiência do comércio. A discussão sobre o legado económico do Brexit está longe de ser apenas teórica: traduz‑se em orçamentos públicos, serviços sociais e rendimento disponível das famílias.