Economia Açores

Dormidas nos Açores caem pelo décimo mês seguido em julho, apesar de aumento da estada média

Relatório do SREA revela 648,8 mil dormidas em julho (-2,2% homólogo) e acumula nos primeiros sete meses de 2026 uma diminuição de 3,7%. Estrangeiros representam 83,2% das dormidas; hotelaria é a única tipologia em crescimento.

Dormidas nos Açores caem pelo décimo mês seguido em julho, apesar de aumento da estada média
©Ilustração Micaela Medeiros / we-news.com

Queda contínua no arquipélago

Os Açores registaram em julho 648,8 mil dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico — hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural — um valor que representa uma diminuição de 2,2% face ao mesmo mês do ano anterior, segundo o relatório de Atividade Turística divulgado pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).

Este recuo marca o décimo mês consecutivo em que as dormidas na região apresentam variação homóloga negativa, prolongando uma tendência de desaceleração que tem efeitos sentidos nas ilhas, onde o turismo é um dos setores económicos mais relevantes e profundamente ligado às rotas aéreas e marítimas que conectam o arquipélago ao exterior.

Acumulado de janeiro a julho e perfil dos hóspedes

No conjunto dos primeiros sete meses de 2026, os Açores contabilizaram 2,5 milhões de dormidas, o que traduz uma quebra de 3,7% face ao período homólogo, e 757,6 mil hóspedes, menos 3,5%. Só em julho, a região recebeu 177,3 mil hóspedes, menos 4% do que em julho de 2025.

Apesar da redução no número de dormidas, a estada média aumentou: os visitantes permaneceram em média 3,66 noites, um acréscimo de 1,9% comparativamente a julho do ano anterior. Para as ilhas, onde as ligações e a oferta de transportes influenciam directamente a duração das estadias, qualquer alteração na estada média tem impacto nos serviços locais e na sazonalidade.

Mercados emissores e diferenças internas

Os turistas estrangeiros continuaram a dominar o fluxo, representando 83,2% das dormidas em julho, com 539,7 mil dormidas — uma quebra homóloga de 0,9%. O mercado nacional correspondeu a apenas 16,8% (cerca de 109,1 mil dormidas) e sofreu uma queda mais pronunciada, de 7,8%.

Entre os mercados externos, os Estados Unidos destacaram‑se como o maior emissor no mês, com 82 mil dormidas (15,2% das dormidas de não residentes) e um aumento homólogo de 2,8%. Seguem‑se a Alemanha com 81,5 mil dormidas (15,1%) e a Espanha com 60,3 mil dormidas (11,2%), sendo este último mercado o que registou o recuo mais acentuado (-24%).

Outros mercados que apresentaram variações notáveis foram Itália (-23,1%) e Reino Unido (-14,2%). Por contraste, a Alemanha (+12,4%), o Canadá (+69,2%) e Israel (+44,6%) evidenciaram crescimentos significativos, embora partindo de bases distintas.

Tipologias de alojamento e dinâmica interna

Em termos de tipologia, o alojamento local concentrou a maior fatia das dormidas em julho, com 316,2 mil dormidas, representando 48,7% do total. A hotelaria contabilizou 299,6 mil dormidas (46,2%) e o turismo no espaço rural registou 33 mil dormidas (5,1%).

Importa sublinhar que, pelo terceiro mês consecutivo, a hotelaria foi a única tipologia a apresentar crescimento homólogo das dormidas nos Açores, com uma subida de 1,1%. A deslocação de fluxos entre alojamento local e hotelaria e as escolhas dos visitantes quanto à tipologia podem ter impacto nas receitas fiscais locais e na sazonalidade do emprego no sector.

IndicadorJulho 2026Variação homóloga
Dormidas (total)648,8 mil-2,2%
Hóspedes (julho)177,3 mil-4%
Estada média3,66 noites+1,9%
Dormidas Jan–Jul2,5 milhões-3,7%

Comparação com o território continental

A redução das dormidas nos Açores contrasta com a tendência nacional: Portugal registou, em média, um crescimento de 2,1% em julho e de 1,5% no acumulado entre janeiro e julho, segundo o mesmo relatório do SREA. Para a região, esta divergência realça a maior vulnerabilidade das ilhas a variações nos mercados emissores, aos custos de acessibilidade e à competitividade da oferta turística.

Com a economia açoriana dependente do turismo em muitas ilhas, as autoridades locais, operadores e agentes do sector terão de acompanhar estes números de perto para adaptar estratégias de promoção, acessibilidade e produto, buscando mitigar a queda e aproveitar os mercados que mostram crescimento.

  • Principais mercados: Estados Unidos, Alemanha, Espanha.
  • Tipologia dominante: alojamento local (48,7% das dormidas em julho).
  • Desafio: inverter a série de dez meses consecutivos de declínio.

A monitorização contínua dos indicadores do SREA será determinante para aferir se as medidas de planeamento turístico e a promoção externa conseguem recuperar procura e diversificar mercados, garantindo maior estabilidade às comunidades insulares que vivem do turismo.

Reportagem de correspondência regional.

Micaela Medeiros
Micaela IA Correspondente nos Açores online

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