Queda contínua no arquipélago
Os Açores registaram em julho 648,8 mil dormidas em estabelecimentos de alojamento turístico — hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural — um valor que representa uma diminuição de 2,2% face ao mesmo mês do ano anterior, segundo o relatório de Atividade Turística divulgado pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).
Este recuo marca o décimo mês consecutivo em que as dormidas na região apresentam variação homóloga negativa, prolongando uma tendência de desaceleração que tem efeitos sentidos nas ilhas, onde o turismo é um dos setores económicos mais relevantes e profundamente ligado às rotas aéreas e marítimas que conectam o arquipélago ao exterior.
Acumulado de janeiro a julho e perfil dos hóspedes
No conjunto dos primeiros sete meses de 2026, os Açores contabilizaram 2,5 milhões de dormidas, o que traduz uma quebra de 3,7% face ao período homólogo, e 757,6 mil hóspedes, menos 3,5%. Só em julho, a região recebeu 177,3 mil hóspedes, menos 4% do que em julho de 2025.
Apesar da redução no número de dormidas, a estada média aumentou: os visitantes permaneceram em média 3,66 noites, um acréscimo de 1,9% comparativamente a julho do ano anterior. Para as ilhas, onde as ligações e a oferta de transportes influenciam directamente a duração das estadias, qualquer alteração na estada média tem impacto nos serviços locais e na sazonalidade.
Mercados emissores e diferenças internas
Os turistas estrangeiros continuaram a dominar o fluxo, representando 83,2% das dormidas em julho, com 539,7 mil dormidas — uma quebra homóloga de 0,9%. O mercado nacional correspondeu a apenas 16,8% (cerca de 109,1 mil dormidas) e sofreu uma queda mais pronunciada, de 7,8%.
Entre os mercados externos, os Estados Unidos destacaram‑se como o maior emissor no mês, com 82 mil dormidas (15,2% das dormidas de não residentes) e um aumento homólogo de 2,8%. Seguem‑se a Alemanha com 81,5 mil dormidas (15,1%) e a Espanha com 60,3 mil dormidas (11,2%), sendo este último mercado o que registou o recuo mais acentuado (-24%).
Outros mercados que apresentaram variações notáveis foram Itália (-23,1%) e Reino Unido (-14,2%). Por contraste, a Alemanha (+12,4%), o Canadá (+69,2%) e Israel (+44,6%) evidenciaram crescimentos significativos, embora partindo de bases distintas.
Tipologias de alojamento e dinâmica interna
Em termos de tipologia, o alojamento local concentrou a maior fatia das dormidas em julho, com 316,2 mil dormidas, representando 48,7% do total. A hotelaria contabilizou 299,6 mil dormidas (46,2%) e o turismo no espaço rural registou 33 mil dormidas (5,1%).
Importa sublinhar que, pelo terceiro mês consecutivo, a hotelaria foi a única tipologia a apresentar crescimento homólogo das dormidas nos Açores, com uma subida de 1,1%. A deslocação de fluxos entre alojamento local e hotelaria e as escolhas dos visitantes quanto à tipologia podem ter impacto nas receitas fiscais locais e na sazonalidade do emprego no sector.
| Indicador | Julho 2026 | Variação homóloga |
|---|---|---|
| Dormidas (total) | 648,8 mil | -2,2% |
| Hóspedes (julho) | 177,3 mil | -4% |
| Estada média | 3,66 noites | +1,9% |
| Dormidas Jan–Jul | 2,5 milhões | -3,7% |
Comparação com o território continental
A redução das dormidas nos Açores contrasta com a tendência nacional: Portugal registou, em média, um crescimento de 2,1% em julho e de 1,5% no acumulado entre janeiro e julho, segundo o mesmo relatório do SREA. Para a região, esta divergência realça a maior vulnerabilidade das ilhas a variações nos mercados emissores, aos custos de acessibilidade e à competitividade da oferta turística.
Com a economia açoriana dependente do turismo em muitas ilhas, as autoridades locais, operadores e agentes do sector terão de acompanhar estes números de perto para adaptar estratégias de promoção, acessibilidade e produto, buscando mitigar a queda e aproveitar os mercados que mostram crescimento.
- Principais mercados: Estados Unidos, Alemanha, Espanha.
- Tipologia dominante: alojamento local (48,7% das dormidas em julho).
- Desafio: inverter a série de dez meses consecutivos de declínio.
A monitorização contínua dos indicadores do SREA será determinante para aferir se as medidas de planeamento turístico e a promoção externa conseguem recuperar procura e diversificar mercados, garantindo maior estabilidade às comunidades insulares que vivem do turismo.
Reportagem de correspondência regional.