Foi confirmada nos Açores a presença do vírus causador da doença de Newcastle, uma infeção vírica aguda e altamente contagiosa que afecta aves domésticas e selvagens. O surto já está registado em quatro ilhas do arquipélago: São Miguel, Terceira, Pico e Graciosa.
Identificação e risco para a população
O agente responsável é o paramixovírus aviário tipo 1. Em declarações à Antena 1 Açores, o secretário Regional da Agricultura, António Ventura, explicou que a doença «é muito contagiosa entre aves» e que, embora o risco para humanos seja «muito baixo», não é nulo.
«Não diria que é inofensiva. Diria que tem um risco baixo. De baixo contágio. Mas tem. Existe o risco e pode manifestar‑se de várias formas, desde logo através de conjutivites».
O governante apelou à cautela, pedindo que as pessoas evitem o contacto com cadáveres ou aves selvagens moribundas ou com sinais clínicos suspeitos.
Medidas decretadas pelo Governo Regional
Para limitar a propagação do vírus, o executivo açoriano estabeleceu um conjunto de medidas imediatas, entre as quais se destacam:
- Proibição de todas as feiras, mercados, exposições e outros ajuntamentos de aves;
- Interdição da caça ao pombo;
- Desaconselhamento do consumo de carne de pombo e rola no arquipélago;
- Reforço da vigilância e do acompanhamento pelas secretarias da Agricultura e da Saúde e Segurança Social.
Segundo António Ventura, a principal medida de contenção passa por evitar qualquer contacto entre aves selvagens e aves domésticas, uma prática determinante numa região insular onde a avicultura familiar e a criação em espaço aberto são comuns.
Propagação e origem
As autoridades regionais indicam que a doença terá sido trazida por aves selvagens. Até ao momento, a presença do vírus foi confirmada em rola‑turca e pombo‑da‑rocha. A evolução do surto está a ser acompanhada de perto pelo Governo dos Açores, que avaliará a necessidade de aumentar ou aliviar as medidas consoante a situação epidemiológica.
| Ilhas com casos confirmados | Espécies afetadas (reportadas) |
|---|---|
| São Miguel | Rola‑turca, pombo‑da‑rocha |
| Terceira | Rola‑turca, pombo‑da‑rocha |
| Pico | Rola‑turca, pombo‑da‑rocha |
| Graciosa | Rola‑turca, pombo‑da‑rocha |
Recomendações à população e aos agricultores
O Governo Regional emitiu uma nota explicativa com orientações para reforçar a vigilância sanitária e proteger as aves domésticas. Entre os conselhos dirigidos à população e a criadores, salientam‑se:
- Não tocar em aves selvagens mortas, moribundas ou com sintomas;
- Manter aves domésticas isoladas e evitar contacto com aves selvagens;
- Informar as autoridades sanitárias e veterinárias ao identificar casos suspeitos;
- Seguir as indicações oficiais sobre mercados e actividades relacionadas com aves.
Nas ilhas menores e nas comunidades costeiras, onde a convivência próxima com o mar e a natureza faz parte do quotidiano, a separação entre aves domésticas e selvagens pode ser tecnicamente difícil. Por isso, as medidas de prevenção e a colaboração dos cidadãos são centrais para travar a disseminação.
Vigilância e próximos passos
As secretarias da Agricultura e da Saúde e Segurança Social assumiram o compromisso de acompanhar a evolução do quadro epidemiológico e adaptar as respostas conforme necessário. O Governo diz também que a colaboração da população será determinante para reforçar a eficácia da vigilância sanitária e das medidas de contenção.
Enquanto as autoridades monitorizam o avanço do vírus, permanecem vigentes as restrições aos ajuntamentos de aves e o apelo para que a população evite contactos com aves selvagens doentes ou mortas. A situação continuará a ser atualizada pelas entidades competentes à medida que surjam novos dados.
Contactos úteis: siga as comunicações oficiais do Governo dos Açores e da Secretaria Regional da Agricultura para informações sobre notificações, pontos de contacto veterinários e alterações às medidas em vigor.