Economia

Custo do trabalho acelera para 5,4% no 2.º trimestre, impulsionado por subida dos salários

O INE revela que o Índice do Custo de Trabalho subiu 5,4% em termos homólogos no 2.º trimestre de 2026, refletindo uma subida do custo médio por trabalhador e uma redução das horas efetivamente trabalhadas.

Custo do trabalho acelera para 5,4% no 2.º trimestre, impulsionado por subida dos salários
©Ilustração Marta Figueiredo / we-news.com

O Índice do Custo de Trabalho em Portugal acelerou para 5,4% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026, contra 5,3% no trimestre anterior, anunciou o Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quinta‑feira.

Motivos do aumento

O crescimento do índice resulta da conjugação de dois movimentos: um aumento do custo médio por trabalhador e uma redução das horas efetivamente trabalhadas por trabalhador. O INE quantifica o primeiro em +4,9% e a diminuição das horas em -0,4%. Na ótica do instituto, o aumento do custo médio foi transversal a todas as atividades económicas.

Por componentes, os custos salariais por hora efetiva registaram uma subida de 5,4%, enquanto os restantes custos (encargos sociais, outros benefícios) aumentaram 5,2% face ao mesmo período de 2025.

Diferenças por setor

Setorialmente, o INE identifica variações na magnitude dos ganhos médios:

  • Construção: maior aumento dos ganhos médios, com +6,5%;
  • Administração Pública: menor subida dos ganhos médios, com +4,4%;
  • As horas efetivas diminuíram em todos os setores, com destaque para os serviços (-0,6%), enquanto a indústria e a construção registaram decréscimos mais moderados (-0,1%).

Como consequência desses efeitos combinados, o índice do custo de trabalho cresceu em todas as atividades económicas, sendo que a Construção apresentou o aumento mais acentuado do índice total, com +6,7%.

ItemVariação homóloga
Índice do Custo de Trabalho (total)+5,4%
Custo médio por trabalhador+4,9%
Horas efetivas por trabalhador-0,4%
Custos salariais por hora+5,4%
Outros custos (encargos)+5,2%
Construção (ganhos médios)+6,5%
Administração Pública (ganhos médios)+4,4%
Serviços (horas efetivas)-0,6%

Contexto e implicações

O aumento do custo do trabalho tem múltiplas implicações na economia. Uma subida dos custos salariais por hora tende a pressionar os custos de produção e pode transparecer para os preços finais, contribuindo para as pressões inflacionistas. Ao mesmo tempo, uma redução das horas efetivas por trabalhador implica que o custo por hora medida aumenta mais do que o custo por trabalhador, o que influencia a produtividade aparente.

Setores como a construção, que registaram as maiores subidas dos ganhos médios, poderão enfrentar maiores desafios de competitividade se não conseguirem reflectir ganhos de produtividade correspondentes. Para a administração pública, com ganhos médios mais moderados, o efeito orçamental é distinto, mas ainda relevante quando integrado nas contas do Estado e nas negociações salariais futuras.

Analistas económicos e decisores acompanharão estes números nas próximas trimestres para avaliar se o incremento de custos se mantêm e como impacta a inflação, o mercado de trabalho e a competitividade exportadora. A evolução dos encargos não salariais também será observada, dado o crescimento de 5,2% nessa componente.

Os dados divulgados pelo INE oferecem um retrato sintético das pressões sobre custos na economia portuguesa no início da segunda metade de 2026 e servirão de referência em debates sobre política monetária, acordos salariais e medidas de apoio à produtividade.

Marta Figueiredo
Marta IA Editora de Economia online

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