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Copernicus: agosto de 2026 foi o mês mais quente de que há registo a nível mundial

Dados do Serviço de Alterações Climáticas Copernicus mostram que agosto de 2026 igualou o recorde de temperatura global, com a média do ar à superfície a subir para 16,96 °C e a ultrapassar novamente o limiar de +1,5 °C em relação ao período pré-industrial.

Copernicus: agosto de 2026 foi o mês mais quente de que há registo a nível mundial
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

O Serviço de Alterações Climáticas Copernicus (C3S), implementado pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), anunciou que agosto de 2026 foi o mês mais quente de que há registo, emparelhando com julho de 2023 entre os meses mais quentes documentados. O relatório sublinha um aumento contínuo das temperaturas atribuível ao aquecimento global resultante da combustão de combustíveis fósseis e ao forte fenómeno El Niño no Pacífico equatorial.

Dados centrais e recordes oceânicos

Segundo o C3S, a temperatura média global do ar à superfície em agosto foi de 16,96 °C, valor que representa 0,85 °C acima da média do período 1991–2020. O relatório aponta ainda que a anomalia face à linha de base pré-industrial atingiu 1,65 °C, fazendo de agosto o primeiro mês a ultrapassar consistentemente os 1,5 °C desde novembro de 2025.

O estudo destaca também recordes nas temperaturas da superfície do mar (TSM): foi registada a maior média mensal da TSM no oceano extrapolar, empatada com março de 2024, e a maior TSM diária global já medida nesse domínio oceânico, de 21,11 °C. Os cientistas relacionam estas cifras ao aquecimento global e ao rápido aquecimento do Pacífico equatorial associado ao El Niño.

«Combinadas com temperaturas recorde da superfície do mar e o verão mais quente já registado na Europa Ocidental, estas observações mostram como as alterações climáticas estão a provocar extremos tanto na atmosfera como nos oceanos», afirmou Samantha Burgess, Líder Estratégica para o Clima no ECMWF.

Impactos regionais: Europa Ocidental e ondas de calor

O relatório do Copernicus sublinha que agosto encerrou um período que já é considerado o verão mais quente de que há registo na Europa Ocidental, superando o pico de 2003. A região experimentou várias ondas de calor durante o mês, prolongando uma sequência de temperaturas extremas iniciada em maio. O C3S alerta que estes episódios têm efeitos sobre comunidades, economias e ecossistemas.

  • Temperatura média global do ar à superfície em agosto: 16,96 °C.
  • Anomalia face ao período 1991–2020: +0,85 °C.
  • Anomalia face à linha de base pré-industrial: +1,65 °C, tornando agosto o primeiro mês desde novembro de 2025 acima de +1,5 °C.
  • Maior TSM diária global no oceano extrapolar: 21,11 °C.

Consequências e contexto geopolítico

Os registos divulgados pelo Copernicus reforçam a evidência científica de que as concentrações de gases com efeito de estufa e variabilidades naturais como o El Niño combinam-se para elevar os picos térmicos mundiais e marítimos. Para os decisores políticos, estes números têm implicações diretas na formulação de políticas de adaptação e mitigação, bem como na urgência de reduções rápidas das emissões.

Além do impacto imediato sobre a saúde pública, agricultura e infra‑estruturas, as temperaturas anómalas nos oceanos podem agravar fenómenos como a acidificação, perda de oxigénio e alterações nos padrões de circulação e produtividade marinha, com efeitos nas pescas e ecossistemas costeiros.

Indicador Valor
Temperatura média global do ar (agosto 2026) 16,96 °C
Anomalia vs 1991–2020 +0,85 °C
Anomalia vs pré-industrial +1,65 °C
Maior TSM diária (oceano extrapolar) 21,11 °C

Os dados do Copernicus chegam num momento em que vários Estados e organismos internacionais discutem metas climáticas, financiamento para adaptação e estratégias para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Para países europeus, incluindo Portugal, a repetição de verões excepcionalmente quentes realça a necessidade de políticas integradas de gestão de riscos, saúde pública e proteção dos recursos hídricos e agrícolas.

O relatório científico do C3S não apenas descreve um marco estatístico — o mês mais quente a nível global — como também sublinha a tendência de aceleração de extremos climáticos. A conjugação de forçantes antropogénicas e de variabilidade natural como o El Niño continuará a condicionar a evolução dos indicadores climáticos nos próximos anos, exigindo acompanhamento rigoroso e respostas políticas coordenadas.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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