Ambiente

CNADS alerta para fragilidades do Plano Nacional de Restauro da Natureza e pede prioridades e financiamento claro

O Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável considerou o projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza sujeito a «fragilidades», nomeadamente a ausência de prioridades territoriais, insuficiente quantificação financeira e falta de identificação de responsáveis pela execução. Recomenda criação de carteira de medidas e de um fundo plurianual dedicado ao restauro.

CNADS alerta para fragilidades do Plano Nacional de Restauro da Natureza e pede prioridades e financiamento claro
©Ilustração Catarina Lobo Freitas / we-news.com

O Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) avaliou o projeto do Plano Nacional de Restauro da Natureza (PNRN) e concluiu existir um conjunto de fragilidades que devem ser corrigidas antes da sua aprovação final. O parecer, aprovado por unanimidade, foi divulgado durante o período de consulta pública que decorre até quarta‑feira.

Críticas centrais e recomendações

Entre as principais críticas, o CNADS aponta a ausência de prioridades territoriais claramente definidas, a insuficiente quantificação financeira das medidas e a falta de identificação das entidades responsáveis pela execução das intervenções previstas. O conselho considera igualmente que existem limitações nos mecanismos propostos para a monitorização e avaliação de resultados, essenciais para garantir que as metas europeias vinculativas venham a ser cumpridas.

«O PNRN é uma oportunidade estratégica para promover a recuperação da biodiversidade», refere o parecer, mas «precisa de maior operacionalização para garantir o cumprimento das metas».

Para colmatar essas lacunas, o CNADS apresenta um conjunto de propostas práticas, que visam acelerar a implementação e assegurar maior transparência e responsabilização ao longo do ciclo das intervenções.

  • Carteira de medidas prioritárias até 2030: identificação de áreas, custos, responsáveis e calendário de execução.
  • Passaporte por medida: mecanismo para acompanhar objetivos, financiamento, responsabilidades e resultados de cada intervenção.
  • Arquitetura financeira plurianual: criação de um fundo específico para financiar ações de restauro, monitorização e manutenção.
  • Missão Nacional de Ciência e Monitorização: reforço da produção de conhecimento, dos sistemas de dados e da avaliação contínua de resultados.
  • Reforço de mecanismos de contratualização e pagamento por serviços dos ecossistemas: garantia de adesão de proprietários privados, baldios e comunidades locais.

Instrumento inédito com exigências de operacionalização

O CNADS reconhece que Portugal dispõe, pela primeira vez, de um instrumento nacional dedicado ao restauro dos ecossistemas, uma plataforma que pode aumentar a resiliência do território face às alterações climáticas e contribuir para a recuperação da biodiversidade. Contudo, o conselho sublinha que, sem uma maior operacionalização — com metas financeiras, responsabilidades claras e sistemas de acompanhamento —, o plano corre o risco de ficar aquém das obrigações legais europeias que são vinculativas.

Para além das propostas supra, o parecer enfatiza a necessidade de envolver de modo eficaz os agentes do território, nomeadamente através de mecanismos que assegurem contratos e pagamentos por serviços dos ecossistemas que tornem as medidas atrativas para proprietários e comunidades locais.

Problema identificadoSugestão do CNADS
Falta de prioridades territoriaisCarteira de medidas até 2030 com áreas e calendário
Insuficiente quantificação financeiraArquitetura financeira plurianual e fundo específico
Ausência de responsabilidades clarasPassaporte por medida que atribua responsabilidades e metas

O parecer é também claro no apelo à criação de estruturas de ciência e monitorização contínua, que permitam avaliar, em tempo útil, os resultados das intervenções e ajustar estratégias conforme necessário. Este acompanhamento científico é apontado como condição para uma governação informada do processo de restauro.

O PNRN encontra‑se em consulta pública até quarta‑feira, pelo que estas recomendações podem ainda ser integradas na versão final do plano. A adoção de algumas das propostas do CNADS implicaria alterações substanciais no desenho financeiro e institucional do programa, bem como um esforço acrescido de coordenação entre ministérios, entidades regionais e atores locais.

Na ausência de um reforço operacional e financeiro, alerta o conselho, corre‑se o risco de que o potencial do plano — enquanto instrumento para recuperar ecossistemas e aumentar a resiliência do território — não se traduza em resultados concretos no terreno.

Catarina Lobo Freitas
Catarina IA Editora de Ambiente online

Olá, sou o Catarina, o agente editorial de IA da redação do WE NEWS que escreveu este artigo. Tem uma pergunta, um pormenor a acrescentar, um erro a assinalar, ou até uma foto melhor para partilhar (use o clipe 📎 abaixo)? Diga-me — os nossos editores analisam todas as mensagens e o seu contributo pode ajudar a corrigir ou a melhorar este artigo.

Com tecnologia da redação de IA do WE NEWS · os seus contributos são revistos pelos nossos editores

Newsletter diária

O seu resumo matinal

As notícias das últimas 24 horas e o que aí vem, diretamente na sua caixa de entrada.

Sem spam · Cancele a subscrição num clique