A Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema, em Lisboa, inaugura esta sexta‑feira à noite um ciclo dedicado à obra do produtor Paulo Branco que reúne aproximadamente 270 longas‑metragens e se propõe a ocupar a programação da instituição durante, pelo menos, dois anos e meio. O programa arranca com a exibição de Non ou A Vã Glória de Mandar, de Manoel de Oliveira, marcada para as 19h00.
Um programa de enorme fôlego
Intitulado «Paulo Branco ou A Vã Glória de Produzir», o ciclo percorre mais de quatro décadas e meia da trajectória do produtor e coloca à disposição do público um conjunto de filmes que ilustram a diversidade de parcerias e estéticas estabelecidas ao longo de mais de 45 anos. A retrospetiva não tem caráter meramente cronológico: as sessões serão apresentadas sem obedecer a uma sequência temporal rigorosa, nem agrupadas de acordo com os realizadores envolvidos.
Segundo a programação divulgada, a Cinemateca assegurará dez sessões por mês, permitindo ao público e aos investigadores acompanhar de forma sustentada a amplitude do trabalho produzido sob a chancela de Paulo Branco. A natureza não linear da seleção pretende oferecer leituras diversas da carreira do produtor, enfatizando nexos temáticos, estéticos e de produção.
O alcance da iniciativa
Reunir cerca de 270 títulos num único ciclo é uma operação de grande escala para uma instituição cultural portuguesa e coloca a Cinemateca numa posição de centralidade no debate sobre a produção cinematográfica nacional e europeia das últimas décadas. A iniciativa cria uma oportunidade rara para avaliar, em profundidade, as opções editoriais, as alianças artísticas e a persistência de determinadas estéticas no cinema contemporâneo.
Para os cinéfilos, programadores e académicos, a retrospetiva funciona simultaneamente como arquivo vivo e como dispositivo crítico: a repetida exibição das obras pode revelar linhas de continuidade — e rupturas — no trabalho de um produtor cuja carreira atravessa distintos regimes de financiamento, circuitos de distribuição e geografias de produção.
- Número de filmes: cerca de 270 longas‑metragens;
- Duração prevista da retrospetiva: pelo menos dois anos e meio;
- Sessões mensais: dez, sem ordem cronológica nem agrupamento por realizador;
- Filme de abertura: Non ou A Vã Glória de Mandar (Manoel de Oliveira), 19h00.
O carácter abrangente do ciclo implica também desafios logísticos e curatoriais: seleção de cópias, legendagem, conservação de suporte e programação que dialogue com públicos variados. A decisão de não organizar o ciclo por cronologia poderá também incentivar o público a redescobrir títulos menos visíveis no universo comercial e a repensar ligações entre obras aparentemente distantes.
«Paulo Branco ou A Vã Glória de Produzir»
Consequências para a cena cultural
Além da visibilidade conferida aos títulos, um ciclo desta envergadura tende a gerar efeitos colaterais relevantes: debates, colóquios e actividades paralelas em torno da produção cinematográfica contemporânea; redescoberta de filmes cuja circulação comercial foi limitada; formação de públicos e estímulo à investigação académica. Para a Cinemateca, trata‑se igualmente de reafirmar o papel de arquivo e plataforma de encontro entre público e história do cinema.
A extensão temporal prevista do ciclo — pelo menos dois anos e meio — permite construir itinerários de programação que possam ser retomados e repensados ao longo do tempo, oferecendo múltiplas entradas para uma filmografia vasta e heterogénea.
Com a exibição inaugural marcada para esta sexta‑feira às 19h00, a Cinemateca dá início a um projecto que promete ser um dos acontecimentos culturais do ano para a comunidade cinematográfica portuguesa e para o público interessado no percurso de um dos produtores mais influentes da sua geração.