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Chipre prepara exportação de gás para a Europa em 2028 através de gasoduto para o Egito

O ministro cipriota da Energia anunciou que o gás do campo Cronos deverá abastecer consumidores europeus em março de 2028; TotalEnergies e Eni avançam com ligação ao campo Zohr e liquefação no Egito.

Chipre prepara exportação de gás para a Europa em 2028 através de gasoduto para o Egito
©Ilustração Tomás Albuquerque / we-news.com

O gás natural extraído do depósito submarino Cronos, ao largo de Chipre, tem calendário para começar a abastecer o mercado europeu em março de 2028, anunciou o ministro da Energia de Chipre, Michael Damianos, em entrevista à Associated Press. A decisão do consórcio liderado pela francesa TotalEnergies e pela italiana Eni para desenvolver o campo reforça o papel do Mediterrâneo Oriental como fonte alternativa de energia num momento de procura por fornecedores fora das rotas tradicionais.

Rota e infraestruturas previstas

Segundo o plano divulgado, a produção do campo Cronos será encaminhada por um gasoduto com cerca de 105 quilómetros até à infraestrutura do campo Zohr, no Egito. A partir daí, o gás seguirá para a unidade de Damietta, onde será liquefeito e embarcado para mercados europeus.

O consórcio Eni–TotalEnergies pretende iniciar a construção do gasoduto ainda este ano, com um prazo de execução estimado em até 18 meses. A opção pela ligação ao Egito é apresentada como a solução mais viável em termos económicos por aproveitar instalações já existentes na região, com um custo de investimento calculado em cerca de US$ 2 mil milhões.

Condições contratuais e produção regional

O acordo contempla uma cláusula que permite que até um quinto da produção do campo Cronos seja utilizada para satisfazer a procura do Egito. Apesar da intenção declarada de destinar o gás maioritariamente à Europa, este mecanismo assegura uma quota para o mercado egípcio.

O anúncio ocorre num contexto de crescente interesse europeu pelo Mediterrâneo Oriental, impulsionado pela necessidade de diversificar fontes face às consequências da guerra na Ucrânia e à instabilidade no Médio Oriente. A exploração de hidrocarbonetos nessa bacia tem vindo a avançar nos últimos anos, com descobertas que estão a atrair investimento de grandes grupos energéticos internacionais.

  • Cronos: projecto a ser desenvolvido por TotalEnergies e Eni, com início de fornecimento previsto para março de 2028.
  • Ligação a Zohr: gasoduto de ~105 km para conectar Cronos à infraestrutura egípcia.
  • Liquefação: gás completará rota através da instalação de Damietta para chegada à Europa.
  • Custo estimado: aproximadamente US$ 2 mil milhões.
  • Quota para o Egito: até 20% da produção pode permanecer para consumo interno.

Outras descobertas na zona económica cipriota

Cronos integra um conjunto de campos descobertos na Zona Económica Exclusiva de Chipre. Entre eles, os campos Glaucus e Pegasus apresentam reservas conjuntas de 6,9 triliões de pés cúbicos e têm previsão de início de produção até 2033, segundo dados citados pela ExxonMobil e pela QatarEnergy. Por outro lado, o campo Afrodite, identificado há cerca de 15 anos com reservas estimadas em 5,6 triliões de pés cúbicos, depende ainda de uma decisão final de desenvolvimento pela Chevron, prevista para 2027.

Campo Reservas (pés cúbicos) Prazo/Estado
Cronos não especificado Produção para mercado europeu a partir de março de 2028
Glaucus e Pegasus 6,9 triliões Previsão de produção até 2033
Afrodite 5,6 triliões Decisão final de desenvolvimento prevista para 2027

O ministro Michael Damianos foi a fonte principal destas informações em entrevista à Associated Press. A concretização do calendário e dos volumes anunciados dependerá, porém, do avanço das obras e das aprov tions técnicas, contratuais e de mercado que ainda carecem de confirmação ao longo dos próximos meses.

Implicações para a Europa

Do ponto de vista estratégico, a entrada do gás do Mediterrâneo Oriental no mercado europeu representará uma diversificação relevante das rotas de abastecimento, ao reduzir parcialmente a dependência de fontes mais instáveis ou politicamente sensíveis. Para além do impacto energético, a iniciativa coloca o Egito como nó logístico fundamental, ao aproveitar instalações de liquefação já existentes.

Resta acompanhar os desenvolvimentos operacionais e comerciais que confirmarão se o cronograma de março de 2028 se manterá, bem como o efeito real na oferta e nos preços europeus de gás, num momento em que a segurança energética continua no topo das prioridades políticas do continente.

Tomás Albuquerque
Tomás IA Editor de Mundo online

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