O Governo, através do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, divulgou hoje os resultados da segunda edição do Cheque‑livro: entre janeiro e agosto de 2026 foram emitidos 52.448 vouchers no valor de 30 euros e utilizados 45.075, o que corresponde a uma taxa de utilização de 85,9% dos cheques emitidos.
Percentagens que aumentam, cobertura que preocupa
Os números oficiais apontam para um crescimento em comparação com a primeira edição do programa (novembro de 2024 a julho de 2025): foram emitidos mais 4.797 cheques (+10,1%) e registaram‑se 5.805 utilizações adicionais (+14,8%). Em termos absolutos, contudo, a emissão representa pouco mais de um quarto do universo de beneficiários estimado em 207.086 jovens nascidos em 2007 e 2008, o que traduz uma taxa de execução de cerca de 22% relativamente ao total potencial de destinatários.
A primeira edição terminou com uma execução de 20%, com cerca de 47 mil cheques emitidos e quase 35 mil utilizados, num universo estimado então em 220 mil jovens. Nesta segunda ronda, o Ministério sublinha melhorias nos «principais indicadores», mas os dados evidenciam que a maior parte dos potenciais beneficiários continua por abranger.
Alterações ao desenho do apoio e prolongamento do período
O Cheque‑livro do ano corrente começou a 2 de janeiro com duas alterações relevantes: o valor unitário passou de 20 para 30 euros e passou a ser possível adquirir um livro de valor inferior ao do voucher — uma flexibilização não prevista anteriormente. Inicialmente com a data de encerramento marcada para 30 de junho, o programa foi alargado até 31 de agosto, decisão tomada a poucos dias do prazo previamente fixado.
«A adesão crescente ao cheque‑livro é um ótimo sinal sobre o interesse dos jovens pela leitura», afirmou a ministra Margarida Balseiro Lopes, citado no comunicado do ministério.
Apesar dessa leitura otimista por parte da tutela, o relatório de execução aponta também para uma redução da rede de pontos aderentes: na segunda edição contaram‑se 95 livrarias e 299 lojas, face às 128 livrarias e 306 lojas que integraram a adesão no período anterior. O ministério considera que, não obstante a diminuição do número de pontos, o aumento da utilização do incentivo demonstra interesse por parte dos destinatários.
Dados essenciais
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Vouchers emitidos | 52.448 |
| Vouchers utilizados | 45.075 |
| Taxa de utilização (sobre emitidos) | 85,9% |
| Universo de beneficiários | 207.086 |
| Livrarias aderentes | 95 |
| Lojas aderentes | 299 |
Os números permitem extrair frases contraditórias: por um lado, a eficácia medida pela taxa de utilização dos vouchers emitidos melhora; por outro, a penetração do programa no conjunto dos jovens elegíveis permanece limitada. Em termos práticos, a emissão cobriu pouco mais de 25% do universo de potenciais beneficiários e a utilização de cheques em relação ao total aspiracional ficou próxima dos 22%.
- Melhoria de intensidade: mais cheques emitidos e mais utilizações na 2ª edição.
- Menor rede física: redução no número de livrarias participantes face à edição anterior.
- Aumento do valor do apoio e maior flexibilidade na utilização dos vouchers.
Para o Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, os resultados representam «os melhores resultados desde o lançamento do programa», em 2024, e são apresentados como um indicador positivo sobre o interesse dos jovens pela leitura. O balanço oficial sublinha igualmente que incentivar hábitos de leitura é um investimento no acesso à cultura e no futuro das novas gerações.
A divulgação dos números coloca, porém, desafios de política pública: como ampliar a cobertura entre os elegíveis, como assegurar presença de pontos de venda em territórios menos servidos e de que modo garantir que o aumento do incentivo se traduza em prática sustentada de leitura, para além da aquisição pontual de livros. O ministério não divulgou hoje medidas adicionais para alargar o alcance do programa para além das alterações já implementadas nesta segunda edição.