Lisboa — O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, afirmou nesta segunda-feira que a segurança é um ativo económico que contribui para a atratividade do turismo em Portugal, durante a VIII Cimeira do Turismo Português, promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP) em Lisboa.
Segurança como vantagem competitiva
Casos de conflito e instabilidade geopolítica, explicou o governante, alteram rotas, agravam a incerteza e tornam a percepção de segurança um elemento relevante na decisão de viagem. Para Castro Almeida, os visitantes escolhem não apenas um destino físico — um hotel, uma praia ou uma cidade — mas também aquilo que esperam encontrar em termos de confiança e estabilidade.
«É por isso que a segurança é também um ativo económico, não aparece na fatura de um hotel, não consta de um menu ou restaurante, mas está presente quando uma família escolhe um destino»
O ministro alertou, contudo, que essa vantagem é frágil: leva décadas a ser construída e pode perder-se «muito mais depressa». Nesse sentido, insistiu na necessidade de manter e reforçar a cultura de segurança que, segundo ele, já diferencia Portugal de outros destinos.
Identidade, modernização e riscos de uniformização
Além da segurança, Castro Almeida apontou a identidade como outro ativo difícil de replicar: património histórico, gastronomia, relação com o Atlântico e diversidade cultural são elementos que, em conjunto, conferem um diferencial económico ao país.
O ministro apelou, porém, a que a modernização do setor — através de tecnologia, investimento, empresas mais modernas e melhores infraestruturas — não se confunda com uniformização. «O desafio é oferecer aquilo que o mundo contemporâneo exige sem perder aquilo que Portugal pode oferecer», afirmou, lembrando que viajar é, para muitos, procurar o diferente e não uma experiência que lhes seja familiar em casa.
Contexto económico
No plano macroeconómico, Castro Almeida referiu dados relativos ao contributo do turismo para a economia nacional: o Valor Acrescentado Bruto (VAB) gerado diretamente pelo turismo em 2025 representou 8,1% do VAB nacional. O ministro sublinhou que os efeitos do turismo ultrapassam a atividade estritamente ligada a hotéis e restaurantes, estendendo-se por várias cadeias de valor na economia.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| VAB direto do turismo (2025) | 8,1% |
Apesar do reconhecimento do peso do setor, Castro Almeida enfatizou que a segurança, por si só, não resolve todos os desafios. É necessário conjugar a preservação das características distintivas do país com políticas públicas e investimentos que aumentem a qualidade da oferta turística e a capacidade de resposta às exigências do mercado internacional.
Implicações e desafios práticos
- Preservar a perceção de segurança enquanto vantagem competitiva, sem subestimar os custos de manutenção dessa imagem.
- Conciliar modernização tecnológica e melhoria de infraestruturas com a preservação da identidade cultural e patrimonial.
- Promover investimentos e serviços que reforcem cadeias de valor locais e aumentem o impacto económico do turismo além do setor hoteleiro.
A intervenção do ministro ocorre num momento em que a indústria turística debate modelos de crescimento sustentável frente a desafios globais, incluindo a volatilidade geopolítica e a homogeneização de experiências urbanas e comerciais. As declarações destacam a intenção do Governo de valorizar fatores intangíveis — como segurança e identidade — ao lado de medidas concretas de modernização para assegurar a resiliência e competitividade do setor.