O Comité Popular da cidade de Can Tho publicou a Diretiva n.º 16/CT‑UBND para orientar a execução das tarefas-chave do ano letivo 2026‑2027, com um pacote de medidas que combina reestruturação da rede escolar, gestão de recursos humanos, inovações curriculares e uma aposta decidida na transformação digital e na utilização controlada da inteligência artificial (IA).
Prioridades administrativas e gestão de pessoal
A diretiva exige que o sector da Educação e as administrações locais assegurem a preparação integral de «corpo docente, instalações, salas de aula, livros didáticos e equipamentos de ensino». Entre as orientações estão a redução da burocracia desnecessária, a limitação das reuniões administrativas e a simplificação de tarefas administrativas.
Há um esforço explícito de «revisão e reorganização contínuas» da rede de estabelecimentos públicos, com a consolidação ou encerramento de pequenas escolas consideradas inadequadas. Paralelamente, será levada a cabo uma reestruturação do quadro docente, com recrutamento, designação e transferências para corrigir desequilíbrios regionais entre falta e excesso de professores.
O Departamento de Assuntos Internos foi encarregado de rever e alocar racionalmente o pessoal, aumentando a proporção de funcionários públicos com qualificações profissionais para gerir a área da educação e formação. A diretiva estabelece como meta eliminar a situação em que comunas ficam sem responsáveis pela educação até 2026.
Currículo, horários e oferta educativa
No plano pedagógico, a cidade continuará a implementar a educação pré‑escolar universal para crianças entre 3 e 5 anos e a testar o novo programa de pré‑escolar em 15 instalações. Está também prevista a promoção do ensino de línguas estrangeiras, com uma estratégia gradual para tornar o inglês a segunda língua nas escolas.
Outras medidas incluem:
- Organização de aulas em dois turnos diários;
- Reforço da educação STEM/STEAM e das competências digitais;
- Promoção da orientação profissional;
- Melhoria da segurança escolar e prevenção de violência, abuso de drogas e uso de cigarros eletrónicos.
Transformação digital e aplicação de IA
A diretiva coloca a transformação digital como eixo central: a cidade pretende construir um «ecossistema unificado de educação digital» e aplicar a inteligência artificial de forma controlada na administração, no ensino e na aprendizagem. Entre as preocupações associadas estão a segurança cibernética e a proteção dos alunos.
As medidas apontam para um equilíbrio entre inovação e salvaguarda: a utilização de novas tecnologias deverá acompanhar políticas de segurança digital e medidas de prevenção contra riscos no contexto escolar.
Implicações e desafios
O conjunto de medidas traçado por Can Tho articula preocupações administrativas e pedagógicas que são comuns a muitos sistemas educativos: como alinhar a oferta escolar com as necessidades demográficas, equilibrar recursos humanos, promover competências digitais e, simultaneamente, assegurar proteção e equidade.
Do ponto de vista operacional, a consolidação de pequenas escolas e a movimentação de docentes exigirão um planeamento logístico e social cuidadoso para evitar perturbações no acesso à escola, sobretudo em zonas rurais. A implementação da pré‑escolar universal e dos testes do novo programa em 15 estabelecimentos colocará pressão sobre capacitação de professores e recursos materiais.
Quanto à aplicação da IA, a diretiva sublinha a necessidade de controlo e segurança, mas não detalha os mecanismos de regulamentação, formação docente ou avaliação de impacto que serão utilizados. Esses serão pontos centrais para a concretização da promessa de uma «aplicação controlada» e para minimizar riscos éticos e de privacidade.
| Área | Medida-chave |
|---|---|
| Pré‑escolar | Universalização para 3–5 anos; novo programa testado em 15 instalações |
| Recursos Humanos | Recrutamento, designação e transferência de professores; revisão do pessoal administrativo |
| Tecnologia | Ecossistema digital unificado; IA aplicada de forma controlada; segurança cibernética |
As decisões de Can Tho ilustram como administrações locais podem combinar reorganização estrutural e inovações tecnológicas para responder a desafios educativos. Resta saber como serão operacionalizadas as garantias de qualidade e equidade no acesso, e como irão evoluir as políticas de formação docente e de proteção digital à medida que as medidas forem implementadas.